A truculência de políticos contra jornalistas não é exclusividade de nomes desconhecidos, escondidos em pequenas cidades do Brasil. Recentemente, abordamos aqui o caso de agressão de um ex prefeito e atual Chefe de Gabinete da prefeitura de Analândia, interior de São Paulo, contra Danilo Gentilli, do programa CQC, da Band. Nesta quinta-feira foi a vez de um repórter da revista IstoÉ ser ameaçado. E por gente grande.
A última edição da revista IstoÉ trouxe uma pequena matéria sobre o fato de 87% das candidaturas ao Legislativo no Alagoas serem contestadas pelo Ministério Público Eleitoral e correrem risco de impugnação. Estão na mesma situação as candidaturas dos seis candidatos ao governo do Estado. O jornalista Hugo Marques, autor da matéria, recebeu um telefonema de um dos concorrentes ao governo estadual. Quem era? O ex presidente Fernando Collor de Mello (PTB). O que ele queria? “Quando eu lhe encontrar, vai ser para enfiar a mão na sua cara, seu filho da puta”, disse Collor.
São três os pontos que quero comentar aqui sobre esse caso. Em primeiro lugar, é importante deixar claro que a reportagem não tem nada demais contra Collor. Não há qualquer tipo de perseguição ao ex presidente. O mais criticado, inclusive, é claramente o candidato do PDT, Ronaldo Lessa, e não o petebista.
O segundo ponto no qual é preciso tocar é o mais óbvio: é um ex presidente da República quem faz esse tipo de ameaça a um repórter, não um político qualquer. Não só ex presidente, mas candidato a governador no Alagoas, e, segundo as pesquisas, favorito. E demonstra esse respeito à imprensa. Como disse no outro post, a instituição imprensa está totalmente enfraquecida, descredibilizada. Esse problema começa na própria imprensa, que coloca-se, muitas vezes, acima do bem e do mal e, dessa forma, afasta-se da sociedade e das pessoas que a compõe. Assim, a própria população deixa de perceber a importância da mídia, pois esta mesma a esconde para que os debates sobre a mídia acabem esvaziados. O resultado é esse.
Por fim, o caso específico das ameaças de Collor a Hugo Marques é exemplar de uma força que começa a remar contra a maré definida no parágrafo anterior. A internet tem possibilitado a proliferação – via blogs e redes sociais – de espaços voltados à crítica de mídia. Crítica, aqui, significando análise e, por isso, havendo lugar também para a defesa de setores da imprensa e mesmo de jornalistas em especial. Ainda na tarde desta quinta-feira a notícia sobre Collor e Hugo Marques já estava no Portal Imprensa, inclusive com o áudio da ameaça, e daí passou a circular por diversos blogs e pelo Twitter. Ficou feio para Collor.
Postado por Alexandre Haubrich
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