Começa daqui a pouco, às 18h30, ao vivo da livraria Letras e Cia, em Porto Alegre, a cobertura do debate “A importância de uma Conferência de Comunicação – novos caminhos são possíveis?”
Os debatedores são Marcia Camarano, vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul, e Oscar Plentz, coordenador da POA TV.
Teremos cobertura minuto a minuto aqui no blog e no Twitter.
Vai começar o debate, com formato modificado. Vai ser mais um bate-papo do que um debate ou palestra.
Pouco quórum, mas o show não pode parar.
Pessoal da POA TV aqui filmando.
Cris começando a explicar a ideia dos nossos debates e como funciona o trabalho do Jornalismo B
Marcia Camarano começa falando. Lembra que já participou aqui do debate sobre o diploma para jornalistas. Comenta que é interessante termos acompanhamento pela internet, apesar de não dominar conceitos da web. Diz também que a luta pela democratização da comunicação é antiga. “Na questão da terra e da comunicação vivemos em latifúndios. Poucos são donos de tudo. Lutamos há quase 3 décadas para mudar esse processo. Hoje eu vejo cada vez mais gente para lutar pela democratização da comunicação do que há 25, 30 anos”
“A Conferência não é só em relação ao jornalismo. A comunicação é um bem que afeta a toda a sociedade. Assim como lutamos por emprego, por saúde, temos que lutar por informações de qualidade”
“A grande mídia não fala nada sobre a Conferência. A sociedade não tem direito de ser informada, é deformada constantemente pelo que os donos dos grandes veículos dizem. Dizem o que se pode ou não ver. Estamos percorrendo um caminho que deve ir muito além do processo de Conferência. O objetivo não é fazer uma Conferência, é fazer com que as pessoas se dêem conta de que a comunicação deve ser democratizada”
Marcia passa a palavra para Oscar Plentz, coordenador da POA TV.
Oscar: “temos que fazer uma análise da comunicação que temos e da comunicação que queremos.”
“O Brasil não tem experiência de comunicação comunitária. É um grande desafio criar esse espaço. Criar não uma ‘TV alternativa’, ou uma ‘rádio alternativa’, mas uma alternativa de rádio e uma alternativa de TV.”
“Temos que buscar essas informações e experiências em outros países. No Uruguai, um terço da comunicação é dedicado à comunicação comunitária. Na Argentina agora estão tentando fazer isso. No Brasil talvez tenhamos 1%”
“A TV Digital é uma oportunidade para começarmos a reverter essa lógica. Temos que entrar na era da TV Digital com o pensamento em cumprir o que está na Constituição. Equilíbrio com relação a matérias locais, equilíbrio entre privado e público…”
Oscar Plentz está criticando a falta de democratização do espectro de TV e rádio. Fala do crescimento do espaço eletromagnético, que tem de ser melhor explorado.
“A TV a Cabo é uma forma de fraudar a Constituição em vários aspectos”
“A TV e o computador estão cada vez convergindo mais. Essa possibilidade técnica que aumenta deve ser usada para expandir a democratização da informação”
Marcia: “O Brasil é um país virado de costas para o nosso continente. As informações são essas totalmente distorcidas passadas pelos jornalões”.
Marcia: “Os movimentos sociais só saem hoje na página de polícia. Hoje, no Brasil, protestar é crime. Ser pobre é crime”.
Oscar: “A importância da Conferência é que estamos mobilizando mais pessoas nesse sentido. Fizemos um trabalho importante em Passo Fundo, com um debate amplo e qualificado, embora não tenha sido muito bem organizado”.
Oscar: “O Jornalismo B, por exemplo, é uma alternativa importante. Concordo com quase tudo o que falam. Poderíamos, por exemplo, fazer um programa na TV para expandir essa análise, falando de jornais”.
Oscar: “A qualidade do nosso jornalismo tem caído muito. O grau de informação e dedicação dos jornalistas é muito pequeno”
Oscar: “Precisamos cada vez mais de crítica de mídia, precisamos de espaços para analisar a imprensa”
Lembrando que amanhã teremos aqui no blog um post especial sobre o debate de hoje, inclusive com fotos e com a nossa análise do que está sendo discutido.
Marcia: “São os donos dos grandes veículos que escolhem os ministros da comunicação. Os grandes veículos não têm propostas para a Conferência, eles têm lobby”.
Marcia: “Teve muita gente que desanimou quando soube que teríamos só 40% dos votos, mais gente vai desanimar com os resultados dessa primeira Conferência. Mas o importante é que isso tudo seja discutido, que essas questões sejam levadas à sociedade. O importante são estes encontros”.
Marcia: “Não estamos numa briga fácil, que vamos vencer na primeira Conferência. Eles já estão estruturados, nós estamos começando agora a nos organizar”.
Oscar elogia as TV’s estatais, diz que ajudam a democratizar.
Marcia: “O bom é que os empresários também se engolem. Globo x Record, ontem a Record bateu na Folha de SP…Eles estão se matando e as pessoas estão vendo os podres de cada um deles”.
Pergunto se a Conferência está conseguindo cumprir o objetivo de levar essa discussão à sociedade, se a sociedade está se interessando realmente.
Oscar responde que em parte sim. Diz que os movimentos sociais e os sindicatos estão conseguindo se unir e discutir muito mais a questão da comunicação do que antes.
Marcia: “A gente está fazendo História. Essa briga, essa luta pela Conferência é histórica, e vão lembrar disso daqui a 40 anos. Esse é um momento histórico”.
Oscar: “Infelizmente perdemos muitos militantes porque as pessoas não entendem que é um processo lento”
Pergunto sobre a importância da internet e dos blogs para a Conferência e para a democratização da comunicação de modo geral. Marcia responde que “tem sido a nossa salvação. Mesmo que os grandes não queiram dar as notícias, nós encontramos outras formas de divulgar, como no caso de alguns protestos contra a Yeda. Estamos conseguindo, através desses meios, furar esse bloqueio”
Oscar responde que devemos lutar pela universalização da internet, como um direito fundamental do cidadão, para que todos tenham acesso às informações, por exemplo os blogs, que trazem informações diferentes e mais democráticas.
Vamos às colocações finais de cada um dos debatedores.
Marcia lembra que já temos propostas de vários setores da sociedade, mas ainda não temos nada da juventude.
Pergunta pelo twitter: Sind. Jornalistas ou FENAJ aceitariam inscrições de blogueiros não-formados e de outras áreas e defenderiam-nos juridicamente?
Marcia responde que não, pois não considera os blogs um espaço jornalístico.
Discussão partiu para a questão do diploma, com os dois debatedores defendendo a obrigatoriedade. Vale lembrar que não é a posição do JB.
Vou colocar a questão do Helio Paz, pelo twitter, sobre TV’s na internet, se não são mais democráticas, por terem acesso menos elitizado e mais e baratas.
Acho que não vai dar tempo.
Consegui. Oscar vai responder.
Oscar: “Cada vez é mais barato produzir para a televisão com qualidade. O equipamento é mais barato e avançado. Isso permita que a gente produza conteúdo de forma mais barata. Sobre os meios de distribuição: as TV’s estão em transformação, mas ainda teremos por um tempo a onda sendo transmitida direto para a casa das pessoas. As duas coisas vão acontecer ao mesmo tempo: a TV Digital e a TV pela internet. Precisamos avançar na questão da internet Banda Larga. Se conseguirmos avançar isso, realmente talvez deixe de ser tão importante a questão da TV Digital”.
Platéia: “A grande questão não é só como conseguir meios para produzir esse conteúdo, mas quem vão ser os donos desse espaço de TV Digital. Na internet não acontece isso”.
Vamos encerrando. Obrigado a todos que nos acompanharam. Amanhã, aqui mesmo, um post especial com a cobertura completa do debate, inclusive com fotos e nossas análises.
Aplausos, acabou.