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Collor ameaça jornalista da IstoÉ, e internet reage

29 julho 2010

A truculência de políticos contra jornalistas não é exclusividade de nomes desconhecidos, escondidos em pequenas cidades do Brasil. Recentemente, abordamos aqui o caso de agressão de um ex prefeito e atual Chefe de Gabinete da prefeitura de Analândia, interior de São Paulo, contra Danilo Gentilli, do programa CQC, da Band. Nesta quinta-feira foi a vez de um repórter da revista IstoÉ ser ameaçado. E por gente grande.

A última edição da revista IstoÉ trouxe uma pequena matéria sobre o fato de 87% das candidaturas ao Legislativo no Alagoas serem contestadas pelo Ministério Público Eleitoral e correrem risco de impugnação. Estão na mesma situação as candidaturas dos seis candidatos ao governo do Estado. O jornalista Hugo Marques, autor da matéria, recebeu um telefonema de um dos concorrentes ao governo estadual. Quem era? O ex presidente Fernando Collor de Mello (PTB). O que ele queria? “Quando eu lhe encontrar, vai ser para enfiar a mão na sua cara, seu filho da puta”, disse Collor.

São três os pontos que quero comentar aqui sobre esse caso. Em primeiro lugar, é importante deixar claro que a reportagem não tem nada demais contra Collor. Não há qualquer tipo de perseguição ao ex presidente. O mais criticado, inclusive, é claramente o candidato do PDT, Ronaldo Lessa, e não o petebista.

O segundo ponto no qual é preciso tocar é o mais óbvio: é um ex presidente da República quem faz esse tipo de ameaça a um repórter, não um político qualquer. Não só ex presidente, mas candidato a governador no Alagoas, e, segundo as pesquisas, favorito. E demonstra esse respeito à imprensa. Como disse no outro post, a instituição imprensa está totalmente enfraquecida, descredibilizada. Esse problema começa na própria imprensa, que coloca-se, muitas vezes, acima do bem e do mal e, dessa forma, afasta-se da sociedade e das pessoas que a compõe. Assim, a própria população deixa de perceber a importância da mídia, pois esta mesma a esconde para que os debates sobre a mídia acabem esvaziados. O resultado é esse.

Por fim, o caso específico das ameaças de Collor a Hugo Marques é exemplar de uma força que começa a remar contra a maré definida no parágrafo anterior. A internet tem possibilitado a proliferação – via blogs e redes sociais – de espaços voltados à crítica de mídia. Crítica, aqui, significando análise e, por isso, havendo lugar também para a defesa de setores da imprensa e mesmo de jornalistas em especial. Ainda na tarde desta quinta-feira a notícia sobre Collor e Hugo Marques já estava no Portal Imprensa, inclusive com o áudio da ameaça, e daí passou a circular por diversos blogs e pelo Twitter. Ficou feio para Collor.

Postado por Alexandre Haubrich

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IstoÉ sai em defesa de Dilma Rousseff

28 julho 2010

Se as eleições presidências parecem polarizadas entre PT e PSDB, ao menos nas principais revistas brasileiras essa polarização se confirma. Se temos Veja e Época ao lado de José Serra, Carta Capital e IstoÉ estão na trincheira de Dilma Rousseff. Enquanto a Carta anunciou publicamente seu apoio à candidata petista, a IstoÉ deixou claro, em sua reportagem de capa da última edição, de que lado está.

A matéria soa mais a editorial ou a carta aberta do PT do que a reportagem. Com uma capa “a la Veja” (reproduzida ao lado), falta o contraditório e sobram tentativas de vincular José Serra diretamente às falas agressivas de seu candidato a vice, Índio da Costa (DEM). Embora ressalte já na primeira linha do texto que a “tática do medo” é organizada pelo comando da campanha de Serra, é ao candidato que as principais fotos remetem.

O texto, aliás, não é agressivo em momento algum. Seu principal problema está na ausência total de declarações dos acusados pela matéria. Serra, Índio e o senador Arthur Virgílio (PSDB) são não só citados, mas criticados fortemente, pelas fontes e pelos próprios repórteres, e não há espaço para que se defendam. Em diversos trechos, além disso, a matéria assume para si posicionamentos claros sobre o assunto tratado.

Um dos quadros apresentados na reportagem possui sutis tentativas de manipulação do imaginário do leitor. Com o título “Histórico do Pânico”, a arte gráfica promete mostrar casos de uso da “tática política de criar um clima de medo”, sem dizer abertamente que é tática apenas do PSDB nem que não é. Toda a formatação gráfica, porém, dá a entender que sim, enquanto o conteúdo desmente essa ideia. Com parte do fundo as datas em azul e nomes destacados em amarelo, a IstoÉ remete diretamente a tal tática ao PSDB. As fotos contidas no quadro vão no mesmo sentido. Nenhuma imagem de algum petista, embora o último item da peça afirme que “Dessa vez foi o PT quem recorreu ao medo (…)”. A fotografia correspondente é de Geraldo Alckmin, e é o seu nome que está em amarelo. O último quadro, “Temores pelo Mundo – casos famosos em que o medo foi o centro da propaganda eleitoral”, também tem no azul e no amarelo suas cores.

Confesso uma grande dificuldade em entender a intenção desse apoio explícito, ainda que não assumido, a Dilma, ao menos nesse momento. Embora existam boatos sobre ligações da IstoÉ com o PT, em especial com José Dirceu, não passam de boatos. Ao mesmo tempo, é conhecida a amizade próxima de Domingos Alzugaray, dono da revista, com o peemedebista Orestes Quércia, que tem manifestado fortemente apoio a José Serra e Geraldo Alckmin. Terá havido alguma discordância entre os dois amigos? Fiquemos atentos aos próximos passos.

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Jornal do Comércio e Veja juntos

27 julho 2010

Diga-me com quem andas e te direi quem és. Essa frase bíblica nem sempre é aplicável, mas é o contexto onde estamos inseridos e as relações que estabelecemos ao longo da vida que, de uma forma ou outra, moldam quem nos tornamos. Pois Jornal do Comércio do Rio Grande do Sul lançou uma campanha de assinaturas em parceria com a “revista” Veja.

Voltado para a economia, o JC foi assunto aqui no Jornalismo B há um ano e meio, ao demitir os chargistas Santiago, Kayser e Moa por desenhos que criticaram empresários ou defensores do empresariado. Censor e autoritário, o jornal mostrava que, mais do que para a economia, estava se voltando para os interesses econômicos. Agora confirmou esse caminho.

Um acordo de parceria com a Veja é a aproximação com uma revista que há muitos anos deixou de fazer jornalismo, é alinhar-se a um veículo de propaganda de ideias de ultra-direita, da direita troglodita, é compactuar com mentiras, agressões e desrespeitos constantes, a cada edição.

As decisões empresariais que os veículos de comunicação tomam refletem obrigatoriamente posicionamentos jornalísticos, ao mesmo tempo em que se refletem nestes. As parcerias que fazemos são demonstrações ainda mais claras das linhas que seguimos. Que o Jornal do Comércio nunca foi de esquerda é óbvio, e nem poderia ser, dada a estrutura que o sustenta. Mas alinhamento com a Veja?

A propaganda diz: “Um jornal de economia só pode render ótimos negócios”. Ótimos para quem? Mesmo um jornal de economia tem a obrigação, como imprensa, de dar caráter de preocupação social, cultural e democrática a todas as suas ações. É preciso pensar um pouco menos como empresa e muito mais como imprensa.

Postado por Alexandre Haubrich

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Mano Menezes, Dunga e a Globo

26 julho 2010

Duas horas depois de dar o “sim” à CBF, o ex técnico do Corinthians e agora técnico da Seleção Brasileira de Futebol, Mano Menezes, concedeu entrevista exclusiva à TV Globo. A entrevista, que foi ao ar no Esporte Espetacular, foi a demonstração de uma mudança no comando da Seleção. Uma mudança mais do que futebolística, política.

O técnico anterior, o também gaúcho Dunga, comprou uma grande briga com a Globo ao recusar-se a dar entrevistas exclusivas. A postura de Dunga era clara: a defesa da igualdade entre os meios de comunicação. Entrevista para um, entrevista para todos. A partir daí, passou a ser massacrado pelos principais comunicadores de esporte da emissora. Sem entrar em méritos de sua qualidade como técnico ou de sua conduta nas entrevistas coletivas, Dunga foi extremamente corajoso e justo, o que rendeu a ele um peso difícil de suportar.

A primeira atitude de Mano Menezes como treinador da Seleção foi conceder uma entrevista exclusiva a Globo. Com razão, o comentarista da Band, Neto, afirmou nesta segunda-feira que o novo técnico “começou mal” ao não privilegiar a igualdade, como fez Dunga.

A Rede Globo tem, é claro, o direito a buscar entrevistas exclusivas, mas cabe às demais instituições lutar pela democracia na comunicação. Sabemos que a CBF tem relações estreitas com o conglomerado de mídia, mas Mano tropeçou ao não pensar na relação com as outras emissoras e com a fatia do público que prefere outros veículos. O monopólio da Globo é sustentado também por atitudes como essa, que cedem ao poder da emissora em detrimento da igualdade.

Mano Menezes deixou de aproveitar uma porta aberta por Dunga, que transformou, por pouco tempo, o cargo da Seleção Brasileira em um espaço de rebelião contra o pensamento único imposto pela Globo. Independente de questões futebolísticas, um mal começo.

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Dilma Rousseff diz que a imprensa brasileira é livre

23 julho 2010

Não são apenas as pessoas despolitizadas que costumam confundir imprensa livre com livre mercado, liberdade de imprensa com liberdade de empresa. Temos, na luta diária por uma mídia mais democrática, barreiras calcadas na desinformação, além das barreiras impostas pela mídia hegemônica avessa à democracia.

São três os eixos que precisam colaborar para que possamos criar e fortalecer um novo modelo de comunicação no Brasil: os jornalistas independentes – que precisam, além de posicionar-se, produzir conteúdo de qualidade –, a sociedade – que precisa estar consciente do papel que a mídia exerce sobre ela, e que ela pode exercer sobre a mídia –, e o governo – que precisa tomar atitudes afirmativas no sentido da construção de uma comunicação democrática. As dificuldades e limitações do primeiro desses setores já foram abordadas em outros posts, e voltarão posteriormente a este espaço. Da mesma forma o segundo setor. Este artigo pretende falar um pouco sobre o papel do governo nisso tudo.

Acho algumas vezes que há dificuldade no debate democrático no Brasil. Eu não falo a mídia em geral não, mas algo localizado. Há julgamentos muito rápidos, abruptos das pessoas, sem provas. Mas eu acho que o Brasil tem um mérito: uma imprensa livre. Mais vale uma mídia com julgamentos abruptos do que uma imprensa que não diz nada.

Isso foi o que afirmou, em sabatina do portal R7, Dilma Rousseff, candidata do PT à presidência da República. Acho difícil acreditar que Dilma não conheça a realidade da imprensa brasileira, bem longe de ser uma “imprensa livre”. Só posso concluir, então, que mais uma vez nossos governantes assumem uma postura de acomodação e buscam um pacto de não-agressão com a grande mídia.

Os constantes recuos do governo Lula em relação ao controle social da mídia e o recorde de fechamento de rádios comunitárias alcançado no atual governo são exemplos que devem continuar se repetindo em um possível governo de Dilma. A postura do outro candidato favorito à presidência, José Serra (PSDB) é ainda mais preocupante, em sua proximidade com os grandes grupos empresariais de mídia que em nada contribuem para a democratização da comunicação em ações como as recentes intervenções na TV Cultura de São Paulo. Esses problemas, porém, não anulam a postura fraca de Dilma com relação ao tema. A petista também andou dizendo que o único controle da mídia é “o controle remoto”.

Chegue às mãos de quem chegar a presidência nas eleições que se avizinham, sejam as mãos de Serra ou de Dilma, do PSDB ou do PT, a situação da imprensa independente não é muito promissora, pois dificilmente o futuro governo buscará mudanças no injusto e autoritário modelo de comunicação que temos no Brasil.

Postado por Alexandre Haubrich

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Folha de S. Paulo bate forte no cinema nacional

22 julho 2010

Uma reportagem da Folha de S. Paulo desta quinta-feira faz uma avaliação forte sobre o cinema brasileiro. O título já resume a ideia: “Vergonha alheia”. A matéria é sobre o Festival de Paulínia, assinada por Ana Paula Sousa, e mostra repercussões horríveis em relação aos filmes apresentados no festival.

O texto é muito bem montado, claro, objetivo e forte. Bem forte. Chega a ser debochado, quase raivoso, ao se referir ao resultado observado pela repórter. O leitor consegue se sentir lá, consegue ter a sensação narrada, quase pode ver os espectadores indo embora antes de o filme terminar enquanto resmungam contra a qualidade do que nem acabaram de assistir.

Em seguida, um texto trata das razões do problema, problema esse que não se resume ao festival, mas, segundo a reportagem, é conjuntural no cinema brasileiro. A decadência estaria em voga, e as razões dessa queda brusca de qualidade estariam em diversos aspectos.

A crítica mais pesada recai sobre o governo federal e a forma como são distribuídos os incentivos, e aí está a principal falha da matéria. Em nenhum momento fica claro para o leitor que forma é essa. Não são explicados os critérios – ou a falta deles, como diz a matéria – para a cessão desses incentivos. Fica pancada em cima de pancada, sem explicações claras. O excesso de festivais também é citado como um complicador, e a matéria também não diz quantos são nem o porquê de serem tantos.

A reportagem de Ana Paula Sousa é um alerta importante, serve para nos mantermos atentos sobre os rumos que diretores, políticos e organizadores de festivais estão dando para esse espaço cultural fundamental que é o cinema. Faltou uma contextualização maior e um aprofundamento em relação a soluções, mas o alerta é importante.

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Radicalismo offline: Zero Hora diz que internet é desafio à democracia

21 julho 2010

Algum desavisado, que não conheça os métodos da imprensa hegemônica brasileira e que tampouco conheça qualquer coisa sobre internet, pode até acreditar na aberração que é o editorial desta quarta-feira de Zero Hora. O jornal gaúcho usa uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e noticiada segunda-feira pela Folha de S. Paulo para afirmar que a internet é um espaço antidemocrático. Sim, pasmem.

O estudo da FGV mostrou que o debate político em blogs e redes sociais está muito radicalizado, sem espaço para a discussão em alto nível e com grande força nos posicionamentos radicais e intransigentes. Ok, sem oposições ao estudo, que mostra uma realidade que vemos claramente na prática. O problema é a interpretação que o editorial de Zero Hora faz das conclusões da FGV.

A partir de uma ideia (“as comunidades criadas em torno de partidos e candidaturas quase sempre repetem pensamentos estereo-tipados, difundem preconceitos ideológicos ou promovem ataques agressivos”), ZH chega à seguinte conclusão:

Trata-se de um reino em que impera a tendenciosidade e, portanto, a falta de credibilidade. O fato de ser um espaço em que opiniões e informações, corretas ou absurdas, se misturam, em que a difamação pode conviver com notícias verdadeiras, em que o virtual anonimato estimula a calúnia e a covardia online, tudo isso representa um alerta e um desafio ao Brasil e a sua democracia.

Depois dessa conclusão, Zero Hora, afeita ao debate plural, mostra que é apenas ela quem sabe a solução para tornar o Brasil mais democrático: limitação à internet e manutenção da hegemonia e da liberdade de mercado (não de expressão) aos grandes veículos tradicionais.

Com a ajuda dos órgãos de fiscalização, o país precisa transformar esse campo de batalha minado de parcialidades em ferramenta de progresso social e político e na plataforma de um debate saudável, plural e construtivo.

Que sorte a nossa termos a Zero Hora para, de forma plural, saudável e construtiva, definir o que é certo. Não posso acreditar que os editorialistas do jornal hegemônico no Rio Grande do Sul estejam tão desconectados, tão offline. Só resta, então, uma possível motivação para um texto tão duro e difamante contra a internet, os blogs e as redes sociais: medo.

O medo da pluralidade, do livre debate, da opinião divergente, faz com que a grande mídia brasileira comece a tremer frente ao avanço da internet, com todas as possibilidades democráticas que esta oferece. Sejam argumentos bons ou ruins, construtivos ou destrutivos, radicais ou ponderados, fato é que a internet abre espaço para todos os argumentos, de todos os lados.

Com seu poderio econômico, os grupos que já monopolizam o pensamento e as opiniões nas mídias tradicionais têm tentado frear o avanço da diversidade na web. Se vão conseguir, depende da qualidade de conteúdo que as diversas frentes dessa batalha de ideias produzirão. A ditadura do pensamento único pode ser esfacelada, mas precisamos de pensamentos diversos consistentes.

Postado por Alexandre Haubrich

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Gripe A não é mais a atração principal do espetáculo midiático

20 julho 2010

Há um ano não tinha Copa do Mundo. Também não tinha “caso Bruno”, nem eleições se aproximando. O show, porém, não podia parar. A Gripe Suína, depois Gripe A, depois H1N1, foi, então, a bola da vez. Páginas e mais páginas, manchetes e mais manchetes, reportagens e mais reportagens abordaram o assunto por todos os lados. E esse ano? Não tivemos nenhum caso de Gripe A? Tivemos, sim. Alguém viu alguma notícia em algum jornal, seja impresso, de rádio ou de televisão?

Pois a doença está por aqui de novo, e ninguém está alarmado, não há desespero nas ruas, não há falta em massa às aulas, não há pessoas saudáveis andando com máscaras. Não há nada disso porque, dessa vez, não há sensacionalismo por parte da mídia. Esse factóide já foi usado no ano passado para obter audiência, agora as novas atrações do circo midiático são Copa do Mundo, “caso Bruno” e eleições.

A Zero Hora lembrou, por um breve instante, da Gripe A. Em duas páginas, na “Reportagem Especial” desta terça-feira, traz, já em seu título, a pergunta: “Por que a Gripe A não assusta tanto?”. Bom, a resposta está no parágrafo anterior, não na tal matéria, assinada por Juliana Bublitz e Kamila Almeida. Segundo a matéria, quatro “ações que ajudaram a barrar a epidemia” foram a vacinação em massa, a campanha de conscientização, a imunização natural da população, e a maior rapidez nos diagnósticos. Um quadro apresentado na matéria, porém, mostra que o número de casos da doença caiu menos que pela metade. A cobertura da imprensa, porém, caiu para quase zero, enquanto, no ano passado, ganhou um espaço próximo ao que a Copa do Mundo ganhou neste ano.

Que “epidemia barrada” é essa que até agora já tem 675 casos confirmados, enquanto no ano passado a população era apavorada por 1175 casos até 15 de julho? Com 90% da meta de vacinação alcançada, uma diminuição como essa não é muito pequena? O que mudou a fundo mesmo não foi a força ou a expansão da doença. O que mudou é que agora a mídia tem outros factóides dos quais tirar seu suco publicitário.

Está recém chegando, aliás, outra atração que promete ser explorada e espremida até cair a última gota de sangue: a morte, por atropelamento, do filho da atriz e apresentadora da TV Globo Cissa Guimarães. Reconstituições com alta tecnologia mostrarão como foi o atropelamento, especialistas vão criticar o motorista e o atropelado, populares opinarão em enquetes quantitativas por telefone ou internet: “para você, de quem foi a culpa pelo acidente?”. E assim o show continua.

Postado por Alexandre Haubrich

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É preciso estar atento e forte

19 julho 2010

Segundo o blog RS Urgente, “a vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, e a Folha de São Paulo parecem decididos a empreender uma verdadeira cruzada para cassar a candidatura de Dilma Rousseff (PT)”. Na edição desta segunda-feira, o Estadão mostrou que não é só a Folha. Teoricamente rivais na busca por leitores, os dois maiores jornais de São Paulo (ou do país?) estão com os discursos afinados na defesa da candidatura de José Serra (PSDB) à presidência da República.

“Comando do PT estuda retaliação contra vice-procuradora eleitoral” é o título da matéria assinada por Marcelo de Moraes. Retaliação? Com isso, o Estadão quer dizer, como a própria matéria diz em seguida, que o PT pode “entrar com representação no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP)”. A matéria em si não tem nada demais. É informativa, traz os motivos pelos quais a procuradora está sendo criticada e os motivos pelos quais ela tem denunciado o PT. Traz também as falas de Lula e Dilma sobre o assunto. O trabalho do repórter é irreparável. O problema está nos editores.

Foram eles, certamente, que escolheram como título uma frase que distorce o que está escrito na matéria, tentando, como oito anos atrás, pregar o medo do PT, mostrar o “comando do PT” como tendente ao autoritarismo e ao desrespeito à democracia. A imprensa hegemônica brasileira é um exemplo de instituição que tem recorrentemente ignorado preceitos democráticos. Por sorte, cada vez mais leitores se dão conta das mentiras e manipulações a que estamos expostos. Os comentários 166 e 167 na versão web da reportagem vão nesse caminho de consciência:

O TÍTULO CORRETO DESTA MATÉRIA É:
COMANDO DO PT ESTUDA ENTRAR COM REPRESNTAÇÃO CONTRA A VICE-PROCURADORA ELEITORAL.
RETALIAÇÃO, SÓ NA VISÃO DO ESTADÃO

Quem está falando em retaliação é o ESTADÃO, o comando do PT quer fazer uma representação, portanto usar o caminho democrático e institucional.
O ESTADÃO deve ter um pouco mais e cuidado em suas opiniões e ou interpretações.

Como disse no último post, quanto mais as eleições se aproximam mais sutis tendem a ser as manipulações. A Folha de S. Paulo tem demonstrado a cada edição a preferência por José Serra e a defesa da candidatura de Marina Silva (PV), enquanto bate forte em Dilma e ignora Plínio de Arruda (PSOL). O Estadão mostrou novamente, na escolha desse título, de que lado está. Enquanto eles insistem em esconder do leitor as candidaturas que defendem, a atenção precisa ser redobrada.

Postado por Alexandre Haubrich

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Participar é direito e obrigação social

16 julho 2010

Ainda que a grande imprensa deva seguir até o fim do mês espremendo a Copa do Mundo, fato é que essa competição acabou. De agora em diante e até novembro, as eleições devem dominar o noticiário, e o eleitor-leitor-espectador precisa estar atento.

Em primeiro lugar, precisa perceber que seu papel político não existe apenas na hora do voto. É no dia a dia que construímos a política que temos, é a cada ação que devemos buscar o conhecimento que possibilite posicionamentos políticos consistentes. A política não é apenas a partidária, é também a participação em movimentos sociais, estudantis, sindicatos ou mesmo aparentemente isolada, em conversas, artigos ou pequenas iniciativas. A política é a gestão da sociedade, e é papel de todos, não apenas de cidadãos eleitos ou de jornalistas ou cientistas políticos.

Além disso, a sociedade precisa estar atenta à conduta da imprensa brasileira. As principais bases da manipulação já foram colocadas em prática. Outras virão até meados de setembro. A partir da metade de setembro, tende a haver uma diminuição na perseguição aos candidatos de esquerda menos cotados entre os conglomerados de comunicação. O excesso de distorções descaracteriza e enfraquece a manipulação. A imprensa é a voz de e para a sociedade, e deve ser construída, como a política, por todos.

É preciso atenção constante. É preciso o exercício do olhar comparativo, da busca por informações em meios não tradicionais. Fiscalizar a mídia e impedir que ela manipule indiretamente a eleição, ao manipular o eleitor, é parte da função política de todos coletivamente e de cada um individualmente. Não se deixar enganar e não permitir que os outros sejam enganados é direito e obrigação social de todos.

O texto acima é o editorial da 5ª edição do Jornalismo B Impresso, que na segunda-feira começa a ser distribuída em Porto Alegre. Como você já sabe, os locais de divulgação estão sendo divulgados pelo Twitter do Jornalismo B (www.twitter.com/jornalismob).

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São três as possibilidades de assinatura: 3 meses – R$ 30; 6 meses – R$ 50; 12 meses – R$ 100. Para assinar, basta entrar em contato pelo email bjornalismob@gmail.com.

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Postado por Alexandre Haubrich

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