Charge: Recorte midiático no Pinheirinho

25 jan

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Elites se unem contra moradores do Pinheirinho. Pra que(m) serve essa terra?

23 jan

Muito se pode escrever sobre o que aconteceu no último fim de semana em Pinheirinho, em São Paulo. Muito já se escreveu, também, e mesmo assim, em nosso conjunto de palavras, é difícil dimensionar o tamanho do problema do despreparo da Polícia Militar por todo o país somado ao neoconservadorismo de uma fatia da sociedade e o autoritarismo elitista dos partidos da direita brasileira. Também é difícil dimensionar as consequências disso tudo, mas elas salpicam sangue em nossos olhos quando menos esperamos.

No último domingo, centenas de famílias foram desalojadas no bairro do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), em uma ação violenta da Polícia Militar, sob ordens do governo estadual de Geraldo Alckmin (PSDB). Foram 2 mil PMs na operação. Há relatos, entre os moradores, de mortos na ação. Diz a polícia que foram vinte feridos, apenas. A ação foi em cumprimento a reintegração de posse, em benefício do empresário Naji Nahas. Segundo o Blog do Miro,

Naji Nahas, que reivindica a “propriedade” do latifúndio, é um especulador condenado (…). Mais: havia uma trégua em curso, acertada por todas as partes, e uma decisão da Justiça Federal mandando suspender a mal-chamada “reintegração de posse”. (…) Cansados de tantas arbitrariedades, alguns membros da ocupação vestiram-se de uniformes de resistência improvisados, numa encenação artística do que pode vir ser o contra-poder popular. O governo de Geraldo Alckmin, ligado ao fundamentalismo cristão de direita, e o Tribunal de Justiça de São Paulo, conhecido por seus laços com o que há de mais feudal e escravocrata na oligarquia paulista, não toleraram a hipótese de diálogo, muito menos a irreverência das imagens.

A PM invadiu durante a madrugada, quando os moradores dormiam. Tática de guerra. Uma polícia militarizada, treinada com foco em combate, e a sociedade como inimiga, os moradores como inimigos a serem expulsos ou eliminados. Agora, seis mil pessoas engrossam a fila de cidadãos ultrajados, desalojados, em condições precárias.

Tudo isso assinado embaixo por alguns setores da mídia, a começar pela Rede Globo. Em matéria de dois minutos no Fantástico, a pauta foi a criminalização dos moradores. A reportagem trabalhou com release da Polícia Militar e da Justiça de São Paulo, que contrariou orientação da Justiça Federal. Como bem escreveu Altamiro Borges, essa mídia “tratou os ocupantes como ‘invasores’ e culpados pelas cenas de violência”. E mais: “Nos momentos de confrontos mais agudos, os barões da mídia se juntam na defesa da “propriedade” e contra os que lutam por direitos humanos mínimos – como o direito à moradia. Nesta “cruzada sagrada”, eles inclusive protegem notórios bandidos, como é o caso do especulador Naji Nahas. De vilão, ele foi tratado como prejudicado no triste episódio do Pinheirinho”.

Entre a bala e a pedra, a velha mídia sempre esteve ao lado da bala. Bons exemplos são os tratamentos dados ao MST e à questão palestina, onde o “confronto” é sempre entre pedras e armas de fogo. Os casos recentes de agressões a estudantes da USP pela mesma PM paulista demonstram também uma preferência pelo porrete em detrimento da palavra, da ação violenta em oposição ao pensamento reflexivo (crítico).

Mas agora essa mídia não é a única voz, ainda que continue sendo dominante, opressora e dona dos principais espaços de circulação de informação (televisão, rádio e jornais). Os blogs vem fazendo uma grande cobertura jornalística do caso, denunciando os abusos da PM, da Justiça de SP, do governo de Alckmin e da mídia aliada às elites. Destaco o excelente trabalho de reportagem de Raphael Tsavkko e Maria Frô, e os artigos precisos e esclarecedores de Altamiro Borges que já citei neste post, mas muito mais pode ser encontrado em uma busca rápida pela rica e diversa blogosfera brasileira.

*O JORNALISMO B PRECISA DA TUA AJUDA PARA CONTINUAR LUTANDO POR UMA COMUNICAÇÃO DEMOCRÁTICA. PARA SABER COMO AJUDAR A FORTALECER A MÍDIA INDEPENDENTE, CLIQUE AQUI.

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No trabalho coletivo, caminha o fortalecimento da mídia independente

20 jan

No início desta semana lançamos, no site Catarse, o projeto do Jornalismo B para captação de recursos para financiamento do Jornalismo B Impresso neste ano que começa. O jornal, nascido em maio de 2010, busca ser um espaço de ampliação das vozes que gritam por democracia real e em defesa das demandas populares.

Nesses primeiros dias de campanha (que vai até março), foram arrecadados mais de R$ 400 dos R$ 13.500 que precisamos alcançar. Além dos companheiros que já apoiaram financeiramente essa nova empreitada do Jornalismo B, tivemos também apoios fundamentais na divulgação. Além das muitas pessoas que já divulgaram o projeto no Facebook e no Twitter, alguns blogueiros também publicaram textos convocando seus leitores a se juntarem à campanha. Agradecendo pela confiança no trabalho do Jornalismo B, linkamos abaixo alguns destes blogs. Como não cansamos de repetir, é no trabalho coletivo que podemos construir uma mídia independente forte.

Quem ainda não apoiou financeiramente o projeto, pode assistir ao vídeo da campanha do Jornalismo B e juntar-se a essa luta CLICANDO AQUI.

RS Urgente – http://rsurgente.opsblog.org/2012/01/17/jornalismo-b-lanca-projeto-para-financiar-jornal-em-2012/

Diário Gauche - http://diariogauche.blogspot.com/2012/01/vamos-apoiar-o-jornalismo-b.html

Revista O Viés – http://www.revistaovies.com/

Cão Uivador – http://caouivador.wordpress.com/2012/01/19/apoie-o-jornalismo-b-impresso/

Júlio Garcia – http://jcsgarcia.blogspot.com/2012/01/jornalismo-b.html

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Mídia x Ditadura em tempos de democracia

19 jan

O artigo a seguir é uma colaboração especial de Niara de Oliveira*

Ao começar a pesquisa para relacionar mídia e ditadura militar — ou mídia e luta pela abertura dos arquivos da ditadura, revisão da lei de anistia e punição aos torturadores que agiram em nome do Estado brasileiro — me dou conta que a grande imprensa não encampar a luta pela revisão dos anos de chumbo e por justiça não é um fato novo, conjuntural. Esse sempre foi seu comportamento padrão, modus operandi na questão.

Primeiro pelo conluio “natural” com o poder, com quem está no poder e tem a força – não deveria ser o contrário?, não deveria ser a imprensa a grande pedra no sapato do poder instituído e dos governantes? Não no Brasil. Segundo pela defesa pura e simples do status quo e a venda de princípios por audiência, se a classe média apoia o governo militar e é ela que compra jornais é a ela que devemos satisfação. Terceiro, e último, por opção ideológica mesmo, defesa do capital em detrimento dos trabalhadores e da ampla maioria do povo brasileiro.

Mas e o papel da imprensa? No Brasil ele não é cumprido nem mesmo por disfarce. Ao pesquisar na Folha de São Paulo sobre arquivos da ditadura encontraremos matérias críticas desde o governo FHC, quando começaram os processos de indenizações dos familiares dos mortos e desaparecidos, passando pelo governo Lula e atual. Não há destaque para o tema, é fato, e nem está na capa da Folha nas bancas. Mas esse expediente de retirar matéria dos destaques para evitar constrangimentos, polêmicos, vergonha ou ainda para contentar anunciante (não importa exatamente o motivo, né?) vimos recentemente num veículo da dita imprensa alternativa, de resistência ao poder midiático no país. Critérios? Isso não isenta a FSP em nada na sua postura de apoio à ditadura e nem ameniza o famoso editorial da “ditabranda” de 2009. Ou seja, o jornal cobre os fatos relativos ao tema sem destaque e quando se posiciona editorialmente defende a ditadura.

No dia 17 de outubro passado o programa Roda Viva da TV Cultura de São Paulo estreia nova direção com o jornalista Mario Sergio Conti no comando e escolhe o Cabo Anselmo como o primeiro entrevistado de sua nova fase. No final de novembro a Revista Época publica uma matéria intitulada “OsInfiltrados da ditadura” onde conta casos documentados de agentes da ditadura infiltrados nos grupos de esquerda da luta armada. Depois de aprovada a Comissão da Verdade, o Estado brasileiro ignorar solenemente a condenação da Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA (prazo encerrou em 14 de dezembro passado e foi igualmente ignorado pela grande imprensa) e o Congresso Brasileiro mais uma vez jogar pela janela a chance de rever a lei da anistia — com apoio da base do governo de uma ex-guerrilheira e ex-torturada – e praticamente assegurar a impunidade ad eternum dos torturadores, é como se eles tivessem perdido a vergonha de colocar a cara na janela. Mais do que isso: A imprensa brasileira perdeu de vez a vergonha na cara e passou a desfilar agentes duplos (os chamados cachorros) como estrelas em entrevistas e ex-torturadores como colunistas. Afinal são todos cidadãos de bem, até se prove o contrário.

Mas nenhum caso se assemelha a uma entrevista da Veja de 1998 (ressurgida recentemente nas redes sociais) onde um ex-torturador contacom detalhes como torturava e o que mais o divertia na tortura. Grotesco? Fica pior. Ele ainda relata com naturalidade que ao encontrar na rua ex-torturados em quem “trabalhou” faz questão de tocar no ombro, lembrar quem é para quem não o reconhece e cumprimentar. Os ex-torturados aparecem na matéria como coadjuvantes, apenas para corroborar os fatos narrados pelo torturador.

Tudo bem entrevistar torturadores (eu optaria por não), mas cadê as entrevistas com os torturados e familiares dos mortos e desaparecidos? Afinal que raios de “princípios jornalísticos” são esses da imprensa brasileira? E cadê o contraponto da chamada imprensa alternativa? A verdade não é mais um objetivo a ser buscado? Infelizmente tenho dúvidas de que algum dia tenha sido.

Não tem muito tempo li um militante governista dizer nas redes sociais que talvez fosse melhor não abrir os arquivos da ditadura, porque a imprensa (“facínora”) iria fuçar e dar destaques apenas aos casos de suposta traição entre os torturados e aqueles que não resistiram às bárbaras torturas e entregaram companheiros e conseguiram sobreviver aos porões da ditadura. Será que isso justifica deixarmos para sempre as famílias dos desaparecidos sem poderem encerrar seu luto, numa tortura infinita e sem passarmos a limpo a nossa história? Não se negocia com a história, com os fatos. É preciso revelar, contar nos livros de história o que houve de fato nos porões na ditadura. As gerações que se seguiram ao fim da ditadura permanecem na ignorância e correndo o risco de verem os fatos se repetirem por desconhecimento do passado. Não é slogan de campanha, é fato: Conhecer o passado para que ele nunca mais se repita. Ou, na pior das hipóteses, se se repetirem que seja conscientemente, por escolha e não pela falta de.

Sem entrar no mérito do embate dos “PIGs” (grande imprensa e governista) onde os militantes apoiadores do governo Lula/Dilma dizem que a grande imprensa age como um partido de oposição ao PT e está sempre planejando um “golpe”, neste ponto parece que concordam e agem como se a ditadura tivesse sido apenas um pesadelo do qual já acordamos e não precisamos mais lembrar. Ao agirem assim, condenam as reais vítimas da ditadura a viverem no eterno pesadelo da tortura e ainda expostas aos seus algozes. Nem todos estão blindados por um alto cargo e morando confortavelmente em um palácio no planalto central.

Bom lembrar que ao deixarmos os porões da ditadura fechados ajudamos a consolidar a tortura como prática do Estado brasileiro. Hoje os torturados não são mais os temíveis terroristas de esquerda, mas os pobres e negros. Tudo bem para você ser conivente com isso? A não ser por algumas poucas vozes, parece que todos estão felizes com a atual democracia. Todos iguais, mas uns sempre mais iguais que outros.

*Leia mais - Quando o Brasil se tornou um sorvedouro de pessoas

*Niara de Oliveira é jornalista.

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Charge: TV Animal

18 jan

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O primeiro ano de uma Diretoria de Comunicação voltada à participação, educação e fomento

17 jan

O artigo a seguir é uma colaboração especial de Claudia Cardoso*

Costumo iniciar as apresentações da Diretoria de Políticas Públicas da SECOM (Secretaria de Comunicação e Inclusão Digital), relatando a origem da própria Secretaria, porque, a partir desse fato, é que se pode entender o que são políticas públicas de comunicação.

A SECOM é fruto de uma Plenária Livre de Comunicação, realizada no segundo semestre de 2010, em plena campanha eleitoral do candidato Tarso Genro ao governo do Rio Grande do Sul. Na ocasião, jornalistas, funcionários da Fundação Piratini, delegadas e delegadas da I CONFECOM/2009 (Conferência Nacional de Comunicação), oriundos de distintos movimentos pela democratização das comunicações (filiados ou não a partidos políticos), definiram objetivos e ações na área da comunicação que a Unidade Popular pelo Rio Grande deveria acolher em seu programa de governo, entre estas, a criação de uma Secretaria de Comunicação.

Tarso Genro é eleito e é criado um GT (Grupo de Trabalho) para elaborar a estrutura, os objetivos e as atribuições de uma Secretaria de Comunicação e Inclusão Digital. São recolhidas sugestões de diversos segmentos da sociedade, caracterizados pela pluralidade de agentes, que são sistematizadas por um grupo executivo. Desse trabalho, ampliam-se as ações da SECOM: além das atribuições meio (jornalismo, publicidade), ela passa a ter ações finalísticas, com a criação das Diretorias de Relações Públicas, Inclusão Digital e Políticas Públicas. Ou seja, tanto a SECOM, como a Diretoria de Políticas Públicas são criadas com muita participação social.

A esta Diretoria compete formular e desenvolver políticas públicas de comunicação com o objetivo de incentivar a produção e a difusão de uma comunicação democrática e cidadã.

Tratemos da definição de políticas públicas de comunicação. O FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação) assim formula:

“Uma política pública é um conjunto de conceitos, decisões e planos que orientam as ações do Estado e dos governos. (…) Qual é a comunicação que desejamos? Que tipo de programação vamos estimular nas televisões e rádios? Quais audiovisuais o Estado financiará? Qual é o papel da comunicação comunitária? Como viabilizá-la? Como tratar a convergência digital? Quais as tecnologias que são mais favoráveis ao desenvolvimento da cultura e da cidadania? Como pode se exercer o controle público sobre a comunicação?”

A Diretoria atua em três eixos, a saber:
Fomento (publicidade pública, fundo, editais, etc.)
Educação (formação, capacitação, atualização, etc.)
Participação (conferência, seminário, simpósio, fórum, conselho, etc.)

E suas principais atribuições são: participar de comitês, comissões, grupos de trabalho que tratem de políticas públicas em diversas áreas de atuação do Governo RS; elaborar projetos, pareceres, editais; promover parcerias com órgãos públicos e setor privado; colaborar com as diversas instâncias da SECOM e do Governo do RS.

O ano de 2011 foi dedicado ao eixo “Participação”. Os seminários “Comunicação em Pauta – o que mudou e o que ainda precisa mudar” foram realizados nas 9 Regiões Funcionais de Planejamento do Estado, para o debate sobre o direito à comunicação e a importância da participação social na comunicação. Os seminários estavam inseridos numa das prioridades estratégicas da SECOM, que é a criação do Conselho Estadual de Comunicação Social do RS, conforme programa de governo da Unidade Popular pelo Riogrande . Foi atingida a meta de participação da população nos debates, bem como há o registro em vídeo de tais seminários como legado. Foram tratados assuntos sobre marco regulatório das comunicações; convergência tecnológica; fortalecimento do sistema público de comunicação; marco civil da Internet; respeito à diversidade étnico-racial, gênero, geracional, orientação sexual nos meios de comunicação; políticas de inclusão digital; a importância dos conselhos de comunicação; atuação em redes sociais; radiodifusão comunitária.

Sobre a criação do Conselho de Comunicação Social do RS, a Câmara Temática de Cultura e Comunicação, no âmbito do CDES RS (Conselho de Desenvolvimento Social do RS), recomendou a sua criação, ficando em aberto duas questões – vínculo e forma de escolha das conselheiras e dos conselheiros – a serem debatidas em GT próprio, a ser criado com membros do CDES, das Secretarias de Estado que compõem a Câmara Temática e instituições convidadas.

A Diretoria de Políticas Públicas, juntamente com a Diretoria de Publicidade, elaborou estudos para formalizar o apoio cultural para rádios comunitárias, devidamente autorizadas pelo Ministério das Comunicações, inspiradas pelo apoio da Assembleia Legislativa do RS e de algumas prefeituras que já realizavam ações de comunicação neste segmento da comunicação pública, visando ao impacto positivo desta cadeia produtiva nas comunidades em que estão inseridas. Também houve investimento orientado para jornais e rádios do interior, jornais de bairro, revistas, sites e blogues, TVs Comunitárias.

Para finalizar, em que pese todo o debate gerar aprendizagem, a Diretoria de Políticas Públicas, no ano de 2012, dedicará sua atuação no eixo Educação. Isso implicará esforços para a realização de cursos de formação para a mídia, tanto para quem já atua em comunicação, seja privada, seja pública, como para sujeitos de outros segmentos da sociedade interessados no tema, através de parcerias a serem firmadas com instituições públicas e privadas, bem como operando na transversalidade com outras Secretarias de Estado.

*Claudia Cardoso é diretora de Políticas Públicas da SECOM do Rio Grande do Sul.

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Novidade no Jornalismo B! A missão vai até 31 de março

16 jan

PARA VER O VÍDEO E CONHECER O NOVO PROJETO DO JORNALISMO B, CLIQUE NA IMAGEM ACIMA.

A partir de hoje o Jornalismo B entra em uma nova fase. Com o objetivo de financiar o Jornalismo B Impresso mantendo o jornal absolutamente independente, apresentamos o projeto ao site Catarse, que busca o financiamento de projetos culturais. Nesta segunda-feira o vídeo de divulgação foi ao ar, e começamos essa grande porém rápida empreitada.

São 75 dias (até 31 de março) para conseguirmos R$ 13.500 para financiar o Jornalismo B Impresso em 2012. O valor se refere ao custo de impressão do jornal, mais o pagamento ao diagramador (Rodrigo Cardia, do blog Cão Uivador) e a contratação de uma pessoa que trabalhe unicamente construindo pontes entre o Jornalismo B e os movimentos sociais.

É dessa forma que teremos o impulso fundamental para que o Jornalismo B Impresso continue circulando gratuitamente em 2012. Todas as pessoas que apoiarem financeiramente o projeto serão recompensadas de acordo com o que está previsto no site. E é importante destacar que as formas de apoio financeiro disponíveis no Catarse são absolutamente seguras e confiáveis.

Por isso, pedimos a quem vem ajudando das mais diversas formas a construir a mídia independente que contribua em mais essa batalha. Apoiar o Jornalismo B Impresso é apoiar a mídia alternativa e a luta pela democratização da comunicação, um caminho indissociável da luta por uma sociedade verdadeiramente democrática.

Assista ao vídeo, doe o que puder e repasse para todos os seus conhecidos, republique em seu blog e em seus espaços nas redes sociais, e vamos construir juntos o Jornalismo B Impresso em 2012.

CLIQUE AQUI para ver o vídeo e conhecer o novo projeto do Jornalismo B.

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Ano de eleição, responsabilidade dobrada

13 jan

A cada dois anos vive-se um momento em que a desconstrução do discurso da mídia dominante se torna uma tarefa ainda mais importante. Em países com sistemas políticos representativos que praticamente descartam a participação popular nos processos decisórios – caso do Brasil – o embate eleitoral é o ponto culminante da disputa pelo centro do poder político. Ainda que as alternativas nas eleições sejam profundamente limitadas e que a dinâmica política aja para barrar a emergência de novas possibilidades, e considerando-se todas as limitações e distorções do modelo da chamada democracia representativa e, em especial, do sistema político brasileiro, a cada dois anos presenciamos – e influímos sobre ele – o ponto culminante da disputa política.

É em um ano eleitoral que acabamos de entrar, e sabemos bem o papel da mídia nesse tipo de disputa. Na última oportunidade, os maiores jornais, revistas e redes de televisão do país atuaram de forma orquestrada em defesa da candidatura do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra. Até uma bolinha de papel foi usada para tirar as atenções do que realmente importava naquele momento: a distinção entre os projetos de país defendidos pelos quatro candidatos: José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL). A tentativa de transformar a eleição em um embate moral – e não político-ideológico – partiu em primeiro lugar de alguns conglomerados de comunicação.

Por outro lado, vimos uma divisão raivosa entre setores da esquerda, racha esse que, infelizmente, varou o ano de 2011 e dificultou o bom debate sobre temas em que estes setores sempre defenderam interesses comuns – ou ao menos aproximados –, como a punição aos criminosos da Ditadura Militar e a democratização da mídia brasileira. O calor da disputa eleitoral de 2010 criou desavenças pessoais e levou a esquerda mais para a esquerda e a centro-esquerda mais para o centro, abalando as pontes de diálogo. O resultado é que, mesmo com a vitória do PT de Dilma, todos os campos da esquerda midiática perderam com o desgaste causado pelo processo eleitoral. Além disso, o último ano foi nulo em avanços na democratização da mídia a nível nacional. Uma das primeiras aparições públicas da já eleita presidenta Dilma Rousseff foi na celebração do aniversário da Folha de S. Paulo.

Em outros momentos da história brasileira a intervenção da velha mídia sobre as decisões eleitorais foi ainda mais incisiva. Exemplos clássicos são a disputa pelo governo do Estado do Rio de Janeiro em 1982, com o “Escândalo da Proconsult”, no qual a Rede Globo participou de uma tentativa de fraudar as eleições ganhas por Leonel Brizola (PDT), e a campanha presidencial de 1989, com a manipulação do debate final entre Lula (PT) e Collor (PRN). Se nesta última situação a velha mídia e seu candidato acabaram levando a melhor, não foi isso o que aconteceu nas últimas três eleições presidenciais.

O fortalecimento dos blogs e das redes sociais, se não é suficiente para democratizar verdadeiramente a comunicação, ao menos serve para desconstruir o discurso da mídia dominante e desmascarar suas manipulações. Outro fator que não pode ser deixado de lado é a queda de audiência da TV Globo e a ascensão da Record, que se mostrou simpática à candidatura de Dilma em 2010.

De qualquer forma, teremos em 2012 mais um momento assim. Desde o fim de 2011 os interesses eleitorais já começaram a fazer valer sua força nas pautas da mídia hegemônica. A prática mais comum é a agressividade nos meses que antecedem a disputa e a sutileza nos momentos de campanha, com a simples incorporação dos discursos dos candidatos preferidos pelos barões da mídia. Por isso, é preciso estarmos atentos desde já.

É verdade que eleição não é sinal de democracia, e que não pode se esgotar ali a possibilidade de participação popular na política nacional. É verdade também que o poderio econômico faz grande diferença em um processo eleitoral, o que o torna terrivelmente menos democrático e justo do que poderia ser. E é verdade que os interesses conservadores tendem, em menor ou maior medida, a se fortalecerem apoiando-se em conchavos e mentiras disseminadas pela velha mídia. Mas também é verdade a mídia independente, capitaneada hoje por blogueiros e pelos ativistas das redes sociais, tem condições de tornar as eleições mais justas e democráticas, informando com qualidade a sociedade e abrindo espaço para um debate rico e realmente politizado e politizante. É uma das nossas missões fundamentais para este 2012 que começa.

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