Posts de Outubro, 2007

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Um velhinho desdentado numa república ilibada

31 Outubro 2007

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A Piauí é uma revista estranha. Antes que me critiquem, isso não é ruim, de forma alguma. Calma, já explico.

Na primeira vez em que eu abri e folheei uma delas, ainda estava meio perdida, é preciso se adaptar ao seu jeito. Afinal, logo no início tem uma matéria que parece grande mas depois se percebe que são várias notas, sobre temas diferentes, sem assinatura, que lotam de letrinhas as grandes páginas um pouco assustadoras de cara. Mas basta começar a ler com mais dedicação e logo se descobre que, epa, essa matéria é boa, esse cara escreve bem. Dá uma vontade de ler mais e mais, apesar de ser surpreendentemente comercializada e distribuída pela Editora Abril.

Não é com uma Piauí que eu vou saber o que está acontecendo na política nem vou ter uma análise dos acontecimentos recentes, da sociedade. Pelo menos não da forma convencional. Lá, posso encontrar o relato de uma história verídica do Maluf (out), de uma conversa do Sarney (out), uma matéria sobre o cara que matou o Che (set) ou o perfil de um policial (out) e de um perito criminal da polícia civil (set), pessoas completamente anônimas. Ou seja, mesmo não tendo um sociólogo comentando, dá para ter uma idéia das nossas estruturas sociais, já que se tem acesso a uma gama de histórias dos que vivem no Brasil, que trabalham aqui e que em meio à cultura tupiniquim formam seus valores.

Algumas dessas histórias são divertidas, irônicas, o que não anula a sua validade. Outras são apenas bem escritas. De qualquer forma, quero terminar, quero saber mais.

Mas eu comecei dizendo que a Piauí é estranha. A edição de outubro me fez ter certeza disso. Quando eu já me acostumei com a idéia de que, apesar do seu jeito irreverente e alegre, ela é uma revista séria, no sentido de que tudo que dela vem é verdade, vem a Piauí e me quebra as pernas. “A crise deflagrada pela nossa reportagem provocou, como se sabe, a renúncia do presidente Lula e seu posterior exílio na Namíbia. Lutamos e conseguimos provar por a + b aos nossos familiares que os interesses da revista estavam tão-somente ligados ao sagrado dever cívico de bem informar, e nada tinham a ver com as manobras (militares) que acabaram levando Onyx Lorenzoni ao Planalto” (Deus nos livre). Esse é um trecho da matéria Dez anos de Piauí, veiculada no 13º mês da revista. Isso sem falar nas cinco páginas do The piauí Harold, que avisa que “O diário mais elegante do Brasil noticia o que acontecerá no próximo ano”, vendido na promoção, de R$ 9,50 por R$ 0,15.

Mas aí é que tá, é mentira? Apesar de ser óbvio que sim, eu acho que não. Não, porque em nenhum momento alguma viva alma pode acreditar no que está lendo, porque a revista deixa claro que é uma farsa, porque tudo indica – e escancara – a não-verdade que ali está. Quando não se engana ninguém, não se mente.

Continuo: a Piauí é estranha. É só olhar para as suas 13 primeiras – e por enquanto únicas – capas para perceber. Nenhuma delas faz sentido. Ao menos não um sentido que tenha a ver com seu conteúdo. Dá a impressão de que o editor escolhe imagens aleatórias para montar uma composição cult. As chamadas não nos mostram de que tratam as matérias, então não nos causam aquela curiosidade tradicional de querer saber mais, mas uma outra, de querer saber o quê. Um exemplo é uma de outubro: “O agente globalizado”. Isso instiga? Eu quero saber do que trata e não mais detalhes de alguma história. Vende menos, pois chama menos atenção. Me parece que a Piauí é muito menos comercial que as outras existentes por aí. Se mantém muito mais pela sua qualidade – e conseqüente credibilidade – do que pelas capas.

Mas o cúmulo das bizarrices é o encarte que vem junto no último mês, o guia da Molvânia: um país intocado pela odontologia moderna, ilustrado com a foto de um velhinho desdentado. Começa a descrição do país com: “Diz um velho ditado que ‘no princípio era o verbo, depois o advérbio e, antes mesmo de criar a crase, Deus fez surgir de uma plantação de beterrabas a ilibada República da Molvânia’” (o negrito é original dos autores). Para quem interessar possa, a Molvânia não existe. É um país fictício, criado por Tom Gleisner, Santo Cilaur e Rob Sitch para o Jetlag Travel Guide e traduzido para o português nesse fascículo da Companhia das Letras. O que eu acharia extremamente idiota se fosse mal feito eu adorei, me diverti um monte lendo.

Ou seja, a Piauí é, sim, uma revista estranha. É estranha porque surpreende, porque nos faz mudar um pouco a direção do olhar e nos põe um sorriso no rosto.

Sabe, acho que estávamos precisando de uma revista estranha para nos fazer revermos nossos conceitos.

E uma curiosidade. A Dorrit Harazim, aquela da matéria boa do Che pra Veja de dez anos atrás, trabalha na Piauí. Para saber quem mais faz parte do time oficial e os que colaboram a cada edição, aqui.

Postado por Cris Rodrigues

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A doença e a cura

29 Outubro 2007

O último dia 18 de outubro foi marcado por uma diferença de cobertura das mais gritantes entre dois jornais de Porto Alegre. Foi o Dia do Médico e, enquanto a Zero Hora publicou um “Informe Comercial” de oito páginas sobre o assunto, o Jornal do Comércio veiculou um caderno especial de 64 páginas, patrocinado pelo Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers).

Além disso, o encarte do Grupo RBS foi mais ou menos assim: na página tal, uma matéria sobre o hospital x. Duas páginas depois, um anúncio deste mesmo hospital. E por aí vai. Conteúdo jornalístico ZERO. Já no Jornal do Comércio, cada um dos principais setores da medicina tiveram uma matéria a respeito dos últimos avanços, da expectativa para o futuro ou de algum tipo de serviço oferecido. Otorrino, mastrologia, Cardiologia e muitos outros. Hospitais e casas de saúde também tiveram espaço semelhante, como reportagens realmente informativas, não apenas comerciais. Algumas páginas de opinião também serviram para discutir e esclarecer sobre temas como o estresse, por exemplo. 

Particularmente, achei que o JC deu importância demasiada ao tema. Mesmo assim, é interessante para quem se interesse. Ao contrário do Informe Comercial da ZH, que pouco informa e muito “comercía” e, tapeando os leigos, vem travestido de jornalismo.

 Postado por Alexandre Haubrich

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Os ventos estão mudando

27 Outubro 2007

 Parece muito estranho pensar em uma TV com um modelo diferente do da Globo, Record, SBT… O jornalista Franklin Martins, ministro da Secretaria de Comunicação Social, explicou ontem que isso acontece porque o Brasil só criou com base no padrão comercial de gestão, americano. Franklin tentava convencer o público do auditório Dante Barone, na Assembléia Legislativa de Porto Alegre, das vantagens da TV pública. Era a Audiência Pública da Comissão de Serviços Públicos da AL, para discutir a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que está sendo criada pelo governo federal. Passaram pela mesa, além do ministro, a deputada estadual Stela Farias, presidente da Comissão de Serviços Públicos, Celso Schröder, 1º vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, o deputado Adão Villaverde, representando o presidente da Assembléia, a secretária da Cultura do Estado, Mônica Leal, e o secretário de Comunicação, Paulo Fona.

Na Europa, os principais canais de televisão são públicos: Rai na Itália, TVE na Espanha, BBC na Inglaterra, Deutsche Welle na Alemanha. Não são perfeitos, óbvio, mas estão longe de ser aquilo que tem se mostrado o maior medo dos brasileiros. Nenhum deles é o canal do governo, independente do partido da situação. Alguns, aliás, como a BBC, volta e meia passam por uma espécie de crise de identidade, em que se avalia se está cumprindo seu papel, sem a interferência do primeiro ministro. E é isso que se quer criar no Brasil, uma TV forte que sobreviva e se mantenha, com qualidade, em qualquer corcunstância.

Teoricamente, a TV pública é uma idéia muito mais interessante que a comercial (Franklin explicou ainda que existe a TV estatal, que se diferencia das outras duas). É gerenciada pelo governo, eleito democraticamente pela maioria da população, e não sofre influência dos acertos publicitários estabelecidos. O problema é que o governo eleito pelo povo nem sempre é para o povo, e a EBC poderia, sim, virar plataforma de partidos.

O ministro garante que isso não vai acontecer no governo Lula. Muito pelo contrário, a idéia da TV pública é justamente uma proposta de maior democratização no acesso à comunicação. Com pelo menos quatro horas de programação local, todas as manifestações culturais, desde que produzissem bom conteúdo, teriam a oportunidade de mostrar sua cara. Abre-se, assim, espaço a todos os sotaques, de todas as regiões, fugindo do eixo Rio-São Paulo.

Segundo Franklin Martins, essa liberdade de construção da rede, com maior acesso de movimentos culturais, é a proposta do governo Lula para a EBC. Não tem por que duvidar. Nas mãos de jornalistas responsáveis e comprometidos, como Franklin Martins e Tereza Cruvinel, convidada para assumir a presidência da empresa, a TV pública brasileira não deve nascer com seus objetivos já distorcidos. Se isso vai se manter nos próximos governos, não se pode garantir. Mas temos três anos para ajudar a fortalecer as bases da nova rede para que se crie uma identidade auto-afirmativa e ela possa andar com suas próprias pernas. Bons tempos vêm por aí na comunicação brasileira. Espera-se.

Postado por Cris Rodrigues

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Cuidado: Desconfiável

26 Outubro 2007

A cada instante, cresce o número de computadores, cresce o número de internautas, cresce o número de sites e cresce o número de sites com conteúdo dito jornalístico. A discussão sobre a rede mundial de computadores usada como mídia jornalística é ampla e envolve uma quantidade infindável de questões as mais diversas. Agora, ater-me-ei a apenas uma: a confiabilidade.

Sites de jornais, de variedades ou blogs, notícias e opiniões estão por todos os lados. O problema é sabermos de onde vem isso tudo. Em relação aos jornais, a confiabilidade costuma ser maior – geralmente o problema aparece na acessibilidade. A Folha On Line, por exemplo, é um site completo, sério, que traz claramente a mesma marca da versão impressa: o cuidado com a apuração correta dos fatos noticiados. É o melhor site de jornais no país.

Já no terreno dos sites de variedades, os problemas tendem a ser maiores. O Terra é um exemplo negativo, apresentando seguidamente notícias erradas, especialmente com títulos errados. A falta de checagem do material é uma marca de um site que não é especializado em jornalismo, tem um público menos exigente nesse sentido e, principalmente por essas duas razões, não tem “compromisso com a verdade”. Deveria ter, sim, mas não tem. Nunca confie no Terra.

Quanto aos blogs, creio que, assim como a autoria, a escolha do leitor é algo mais pessoal. Cada um sabe em que blog deve confiar. Talvez porque os leitores sejam mais fiéis com este tipo de portal do que, por exemplo, em relação aos sites de variedades. Não se entra em um blog sem querer, como se acessa o Terra ou a Globo ponto com.

Em todo caso cuidado e variedade de fontes, na Internet como em qualquer outra mídia – ou até mais – sempre vêm bem.

Postado por Alexandre Haubrich

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Zero Hora ponto com

23 Outubro 2007

Seguindo o exemplo dos principais jornais do país, a Zero Hora inaugurou, há algumas semanas, seu site na internet. Algumas qualidades, vários defeitos, mas insisto em ser otimista, nesse caso, e acredito que possa melhorar.

Semelhanças com o péssimo ClicRBS ainda existem, e daí provêm os principais problemas. A tentativa de um layout leve e limpo funciona, mas aquele cabeçalho com a marca do Clic assusta. Falta também os colunistas, agora blogueiros, adaptarem alguns de seus textos à linguagem blog. David Coimbra, um dos meus preferidos, é dos que mais precisa trabalhar nesse sentido.

Outro problema é a organização editorial, com a separação do material entre editorias meio esquisitas, que ficam longe de abranger o conteúdo disponível. Plantão, Economia, Esportes, Estilo de Vida, Roteiros, Leitor-repórter e Edição Impressa são eles. E Geral? E Polícia? Política? Pô! Essa é certamente a parte do site que mais me desagrada. Falta abrangência. Definitivamente, a divisão não foi bem feita.

E há a discutível mas interessante possibilidade de “folhear” a edição impressa (como informa o site, logo logo essa opção será acessível apenas para assinantes). E, a partir do dito neste parêntese ali atrás, mais um ponto a ser debatido: será possível assinar apenas a versão online, também. Começa a RBS a investir seriamente nesse tipo de mídia virtual, isso fica claro. É um sinal de que a empresa está preocupada com esssa questão. Esperemos que, assim como queremos que ocorra no restante dos jornais, este veículo saiba adaptar-se à nova condição.

Como pontos positivos, vejo a interatividade – os blogs andam com um bom número de comentários -, e o já citado layout mais limpo.

Agora, a grande questão que se impõe é se será verdade o que a RBS tem proclamado aos sete ventos: que, com o site, a edição impressa tornar-se-á mais analítica, aprofundará mais os fatos. É tudo o que nove entre dez estudantes de Jornalismo desejam. Mas será mesmo que isso irá acontecer? Para mim, aí está é a única forma de sobrevivência dos jornais. Mas isso já é assunto para outro post.

Postado por Alexandre Haubrich

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Quando todos são X

21 Outubro 2007

Há algumas semanas, eu vi um cara falando que os adolescentes que não soubessem que vestibular fazer deviam investir em Administração, por causa do mercado, porque ia ser mais fácil conseguir emprego, ser bem sucedido e patati patatá. Eu não concordo com esse tipo de visão, mas tudo bem, um monte de gente tem essas respostas prontas que valem para qualquer um, e se acham super certos. O problema começa quando essas pessoas começam a dizer isso na TV, com status de jornalismo, valor de verdade.

Precisamente no dia 16 de setembro, no Fantástico, a tal revista semanal da Globo, o consultor Max Gehringer (para ler a matéria e acessar o vídeo, clique aqui) encheu de certeza os pobres jovens em dúvida com essa sentença: “Algumas profissões estão saturadas, dentre elas direito e jornalismo. Para quem não sabe o que fazer, administração de empresas é uma boa opção.” Maravilha, acabaram as incertezas, essa angústia pela qual eu também já passei e sei que é terrível. Mas peraí, eu não gosto de administração, tenho mesmo que fazer? Claro, meu filho, é o curso que tem o melhor mercado, já dizem os pais conservadores de plantão. Ei, eu não vou ser feliz. Ah, não tem problema, vai ganhar dinheiro.

Como é que a Globo banca esse tipo de raciocínio? É simplista e generalizante. É como se eu dissesse que todo estudante de jornalismo vai ficar desempregado, ou que os profissionais das grandes empresas de comunicação são todos vendidos. Ou qualquer dessas coisas que não se pode dizer, que não se aplicam a todo o mundo.

E o pior é que não ficou só nisso. Para os que já escolheram o curso e estão na faculdade, já passaram da metade, mas não estão gostando do curso, descobriram que não era aquilo, qual é a dica? Simples, termina, né, agora que já fez dois anos, não vai jogar tudo fora. O quê? É, “até o segundo ano, ainda dá para mudar. A partir do terceiro, é melhor se sacrificar e concluir o curso. No começo da carreira, dois anos podem fazer muita diferença”, diz Max, o consultor. Consultor do que mesmo?

Calma, ainda não acabou. É sempre bom lembrar que “se o pai de um colega de escola for o gerente de uma empresa, é bom engatar uma amizade com ele”. Nada como ensinar nossos jovens o valor da amizade. Por interesse, claro. Afinal de contas, relações humanas só servem para isso, tirar algum proveito.

Esse domingo foi o pior caso desse quadro Emprego de A a Z que eu vi. Também, se tivesse algum pior, a coisa estaria realmente feia – se é que já não está. O pior, mas não o único ruim. O Fantástico, ao assumir a posição desse consultor Max Gehringer, incorre em um erro gravíssimo, não admissível a ninguém que lide com comunicação, principalmente quando atinge um público tão grande e vasto. É a generalização, a tentativa de atribuir a todos uma resposta que é individual, que é diferente para cada um. Se sabe que nem em casos específicos, quando se conhece a pessoa e se desenvolve um trabalho de orientação vocacional, é simples dizer que o caminho da pessoa é o X e não o Y. E o Fantástico está dando o X para todo o mundo, está influenciando pessoas, mudando o rumo de suas vidas. É uma postura extremamente perigosa. É irresponsável.

Postado por Cris Rodrigues

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Sincero e romântico

19 Outubro 2007

Profissão Repórter especial na Globo ontem à noite. Mais uma vez, um trabalho jornalístico. Isso deveria ser óbvio para um jornalista, principalmente um que já tem prestígio e reconhecimento, mas não é. O Caco é um dos poucos que realmente praticam a profissão.

O programa era sobre o trabalho. As pessoas que trabalham demais. Que passam mais tempo na rua do que em casa. Muito mais tempo. Que quase não dormem. Que têm dois, três, quatro, sete empregos. Que não têm lazer. E que, mesmo assim, são felizes. Incrível.

Personagens anônimos. Quem melhor que um trabalhador para explicar como o trabalho toma conta dos brasileiros? De Norte a Sul do país, Caco Barcellos e sua equipe mostram uma realidade que muita gente conhece, mas que poucos reparam.

O Jornalismo de verdade mostra o lado dos que normalmente não têm vez. Dos que não aparecem nas novelas. E mais do que isso, mostra de forma interessante, que atrai a todos os públicos.

Pois é isso que o Caco faz e ensina. Seja na tomada diferente da câmera, que mostra o repórter, o cinegrafista, os bastidores, seja na forma inusitada de abordar passageiros de ônibus cansados, ele passa uma naturalidade difícil de ignorar. Aquilo te prende, não dá pra desgrudar os olhos.

Decidi assistir sem me prender aos detalhes, mesmo pensando em escrever a respeito depois, captando só a essência. E eu vi um jeito gostoso de fazer Jornalismo. Que é sincero e romântico, justamente por isso. É informal, daí cativante. E por tudo isso, por toda essa sinceridade, é subversivo.

Postado por Cris Rodrigues

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Treinamento de “jornalistas”

17 Outubro 2007

Uma pequena amostra de como certas empresas de comunicação treinam seus profissionais. Que empresas? Ah, isso tu sabes muito bem. 

Postado por Alexandre Haubrich

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Jornalismo?

15 Outubro 2007

Um comentário no meu outro post me fez pensar de novo naquela velha discussão sobre o Jornalismo. Existe a imparcialidade? Não, não existe, reafirmo. E concordo, Omar, é impossível haver um jornalista isento.

O Diogo Mainardi assina uma coluna de opinião, portanto ele pode dizer lá o que ele pensa. Como qualquer outro colunista, como Tereza Cruvinel, Ilimar Franco, Helena Chagas. Franklin Martins, Leonardo Attuch, Paulo Henrique Amorim e Mino Carta (todos classificados por Diogo como “lulistas” aqui, na mesma Veja da “matéria” do Che), além do próprio Mainardi, têm direito de ter opinião.

Mas e aí, opinião não é Jornalismo? Estou no sexto semestre da faculdade, faço Redação Jornalística III, que se apropriou da súmula de Redação IV: “Teoria e prática do gênero opinativo. O Editorial, o comentário, o artigo, a resenha e a crítica, a coluna, a crônica, a caricatura, a página do leitor”. Ou seja, Jornalismo tem opinião, sim, e suas formas são ensinadas na faculdade.

Meu problema não é com as opiniões que aparecem nos textos. Cada um tem a sua, é óbvio, e é impossível escondê-la, embora se deva tentar em matérias e reportagens. Se a Veja é de direita, que seja, eu só não vou concordar com ela. A Míriam Leitão, por exemplo, escreve no O Globo, o mesmo de Tereza Cruvinel e Ilimar Franco, e é reacionária, na minha opinião. Mas não mente, até onde eu sei. Na época da polêmica sobre a estatização da PDVSA na Venezuela, que atingia diretamente a Petrobras, sua coluna me dava nojo, de tão neoliberal. Mas era sua opinião, é a vida. Dizer que não concorda com a postura do governo é diferente de afirmar que Lula recebe dinheiro de Cuba, como fez a Veja, sem prova nenhuma, sem base.

Mas e o que Diogo Mainardi faz é opinião? É Jornalismo? O que a Veja faz é Jornalismo? Uma coisa é não conseguir se isentar – embora, repito, se deva sempre tentar – na hora de escrever uma matéria, ou colocar abertamente seu ponto de vista em uma coluna assinada. Outra bem diferente é mentir descaradamente, é caluniar. Isso não é opinião. Isso não é Jornalismo.

Espero não voltar mais a esse assunto. Não levem a mal, mas a Veja já está me embrulhando o estômago.

Postado por Cris Rodrigues

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Mais uma da Veja

13 Outubro 2007

“A primeira listinha do lobista Mainardi foi publicada numa coluna de dezembro de 2005. Nela, relacionei uma série de jornalistas comprometidos com Lula. Mais do que simples torcedores ou correligionários do presidente, acusei-os de distorcer os fatos a fim de abafar as denúncias contra os mensaleiros”. Foi o que disse o cachorrinho da Veja Diogo Mainardi (para ler, clique aqui) na mesma edição da pior matéria que eu já li, aquela do Che, já bem mencionada nesse blog.

Irônico, não? Ele tem a desfaçatez de criticar outros jornalistas de distorcer os fatos. Ele que trabalha na revista mais mentirosa que eu conheço. Ele que vive caluniando as pessoas.

Não é preciso muito para descobrir como age a revista e os que trabalham nela. Como se não bastasse os dois exemplos já citados, disse Wagner Moura sobre o Diogo Mainardi em reportagem da Carta Capital da última semana, dia 10: “Ele escreveu um artigo dizendo que não deveria existir cinema nacional, e que não viu Tropa de Elite, mas, pelo cartaz, percebia que eu era um péssimo ator. Aí o cara diz que a minha sobrancelha é péssima e termina assim: ‘Defendo que Wagner Moura raspe a sobrancelha’. (…) Quem quiser falar de ultradreita procure o Diogo Mainardi, não o Padilha (José Padilha, diretor de Tropa de Elite, acusado de fascismo)”. Sobre qualquer assunto, é sempre a mesma coisa. Fala sem base, sem conhecimento de causa, defendendo apenas o interesse da empresa. Um jornalismo covarde e burro. Um não-jornalismo.

Postado por Cris Rodrigues