Posts de Dezembro, 2007

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Sobre jornalistas…

30 Dezembro 2007

Jornalismo também é humor. Não porque o cotidiano apresente fatos inusitados hilários ou algo do tipo, mas às vezes parece que o repórter, o apresentador, o câmera, enfim, o profissional não nasceu pra coisa. Ou nasceu e se perdeu no caminho, sei lá. Alguns até vão longe, mesmo assim. Na GloboNews, por exemplo, algumas pessoas não se encontram no seu juízo perfeito, apresentando sérios distúrbios de atenção. Como Ana Paula Couto, no vídeo a seguir. E a colega é que tem que se virar e fingir que nada aconteceu. Se bem que às vezes fica difícil manter a compostura e fechar a boca depois do susto…

Postado por Cris Rodrigues

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Poesia ou conto de fadas?

28 Dezembro 2007

Ela nasceu em uma família pobre e trabalhou muito para chegar onde chegou. Quando chegou, parece ter esquecido de onde veio. Ou foi essa nova soberba, esse deslumbramento, ou foi simplesmente a igorância que fez com que a apresentadora Glória Maria passasse a se preocupar cada vez mais com sua aparência e deixasse de lado a evolução intelectual.

gloria1.jpgAgora, enfim, depois de 21 anos de Fantástico, 10 como apresentadora titular da revista, algumas boas reportagens, outras marcadas pelo preconceito e pela boçalidade (como a já citada AQUI), Glória encerrou seu ciclo inglório no programa e pretende dedicar-se a escrever um livro, viajar a passeio e, creio eu, buscar novos tratamentos de belezas e mais alguns comprimidos de rejuvenescimento do corpo e retardamento do cérebro. Isso, é claro, se não forem verdadeiras as especulações sobre uma possível contratação da rePOPrter pela Rede Record.

Quem vai substituir Glória Maria é Patrícia Poeta, que já participa do Fantástico como repórter desde fevereiro, sem muito destaque. É claro que os anos como correspondente internacional – sem realizar nada demais, mas também sem maiores problemas – a credenciam. A gaúcha foi bem como apresentadora do tempo, desde os tempos de “Patrícia Poeta e o tempo hoje”. Como repórter e apresentadora de um programa como o Fantástico é outra história. Esperemos que não faça como em seu início de “carreira” – ok, é melhor esquecer.
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Eu levo fé, desde que Patrícia não siga os passos de sua antecessora – há quem acredite que Eva Byte é mais humana que Glória Maria, tanto fisicamente quanto em relação à capacidade intelectual – e desde que seja certo (não há como saber aqui do mundo real) que sua ascenção nada tem a ver com o casamento com o diretor de jornalismo da Globo em São Paulo, Amauri Soares. Acredito que não.

Se der certo, só vai faltar o Zeca Camargo voltar para a MTV, e então a revista eletrônica da Rede Globo terá chances de reviver seus melhores momentos.

Postado por Alexandre Haubrich

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A ditadura inventada

26 Dezembro 2007

Provavelmente, se alguém digitar Chávez na pesquisa do Google, o Jornalismo B é o primeiro a aparecer. Ok, exagero, mas é que o assunto já está pra lá de batido por aqui. Eu me prometi não falar mais a respeito, mas eles pedem. Abro qualquer revista e lembro que não adianta, é o tema mais atual, sobre o qual todos falam, sem se importar com o leitor, que já não deve agüentar mais a mesma ladainha doutrinária. Não é uma questão de ser chavista ou anti-chavista, o que nós tentamos fazer é só justiça aos fatos.

venezuela.jpgPois essa semana veio o Diogo a falar mal do presidente venezuelano de novo. O mesmo Diogo daquela “reportagem” (coloco entre aspas porque eu não acredito que isso seja Jornalismo) do Che, o Schelp, da Veja. A Veja pede. O olho da “matéria”, intitulada “A Venezuela depois do não” (de acesso restrito a assinantes ou a quem se disponha a preencher um enorme cadastro no site da Abril - por aqui), já afirma que o governo é uma ditadura. Mas não é da forma com a qual eu já me acostumei a ver, meio irônica, sugerindo uma realidade que não existe. É bem direta mesmo, como se já fosse consenso, como se ninguém questionasse a afirmação. “Chávez enfrenta agora uma nova oposição. Além dos estudantes, ela recebeu o reforço de chavistas descontentes, que se opõem à ditadura”. Assim, na cara dura, lá na página 68 da edição de 19 de dezembro.

O estilo é semelhante ao da outra “reportagem” co-assinada por Schelp. É provocativo, mentiroso, absurdamente parcial e baixo. As afirmações levianas correm soltas pelo texto. E fica interessante analisá-lo agora, depois de alguns dias, pois podemos ver o resultado das previsões furadas do “jornalista”. Ele se coloca em posição de espera pela resposta ao “não” no referendo do início do mês de quem “não tolera ser contrariado”.

Fica difícil não criticar parágrafo por parágrafo, pois todos contêm absurdos. Schelp acusa Chávez de ter mentido ao acusar de golpismo o movimento que tentou derrubá-lo há alguns anos. E se refestela dizendo que a oposição agora não pode ser chamada de golpista. Chego a vê-lo (mesmo sem conhecê-lo) vibrar com a idéia de que a Venezuela não apóia mais seu líder incondicionalmente. É como se jogasse na cara: “Viu, viu, eu disse”.

Em seguida, acusa o governo venezuelano e, de lambuja, o argentino, de corrupção. As provas? Mais ou menos as mesmas daquela matéria furada do primeiro mandato do Lula, quando a Veja afirmava, em uma tremenda barriga, que o presidente brasileiro recebera dinheiro de Cuba para sua campanha.

Diogo Schelp oscila entre a ofensa baixa, a mentira deslavada e as conjecturas estapafúrdias, querendo convencer de que o governo Chávez tem seus dias contados. Nos boxes, não é diferente. Um deles é intitulado “O levante dos caras-pintadas”, em uma clara alusão ao impeachment de Collor no Brasil, em 1992. Comparar Chávez e Collor não é só colocar no mesmo saco um presidente com amplo apoio popular e sem indício de corrupção com outro que levava propina em todas as transações do governo. Comparar os dois presidentes é pedir a queda de Chávez, de forma cada vez mais aberta.

Postado por Cris Rodrigues

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De costas para a África

24 Dezembro 2007

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Foto: Sebastião Salgado

É isso. O jornalismo brasileiro está – sempre esteve – de costas para a África. Mesmo as revistas mais conceituadas, os melhores jornais, as emissoras de televisão, de rádio, os sites na Internet. Todos estão de costas. 

Lembrei disso ao ver na Zero Hora de ontem uma bela matéria sobre a Costa do Marfim - do Fernando Eichenberg, faça-se a referência. São informações novas, diferenciadas. Destaque, por sinal, para a entrevista com Issiaka Ouattara, líder da força de oposição. A reportagem parece nos apresentar um mundo que até anteontem não existia. Mas existia, sempre existiu. E continuamos ignorando esse fato.

Por que nossa imprensa simplesmente ignora o continente africano? Será que não acontece nada lá? Não acredito. Parece-me, inclusive, que na África acontecem coisas de africa-fechada.jpgmaior importância para nós do que na sempre lembrada Europa. Até entendo que a América tenha mais destaque, mas pense bem, tente lembrar quantas matérias mais completas sobre a África você já viu/ouviu/leu por aí. São raríssimas! Em um continente que é um prato cheio para o jornalismo sério, audacioso, verdadeiro e corajoso. Será que este jornalismo está em falta por aqui? Será esse o problema?

Talvez não seja a África que esteja carente de notícias, mas as empresas jornalísticas carentes de sinceridade e vontade de mandar seus repórteres levantarem as bundas gordas da cadeira e mostrarem com clareza o que nos rodeia. Como fez Eichenberg.

Postado por Alexandre Haubrich

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Sempre tem um jeitinho. Até para distorcer os fatos

22 Dezembro 2007

Não tem reeleição ilimitada, mas sempre dá-se um jeitinho. Até na Rússia.

Nputin1.jpga última segunda-feira o presidente do maior país do mundo, Vladimir Putin, anunciou que “se os eleitores expressarem sua confiança em Medvedev [candidato a presidente pela situação], e ele for eleito presidente do país, eu estarei preparado para liderar o governo”, segundo a Folha On Line. Ou seja, com a eleição de Medvedev, Putin se tornará primeiro-ministro da Rússia. E continuará no alto do poder.

A camputinkaos.jpgpanha do atual presidente pelo capacho já está em rumo, com frases como “Nós não devemos ter receio de transferir os poderes e o destino da Rússia para um homem como Medvedev”. Enquanto isso, o candidato se mostra totalmente submisso a Putin, afirmando, sobre “o fortalecimento da Rússia na cena mundial e a maior atenção à população mais jovem” (ainda da Folha), que “são questões que fizeram parte da estratégia de Vladimir [Putin]. E eu também serei guiado por essa mesma estratégia, caso seja eleito presidente”. É claro como água que o governo continuará nas mãos do atual e já reeleito presidente.

Apesar de ele ter afirmado que os papéis de presidente e primeiro-ministro não serão invertidos, alguém duvida de que o que está para acontecer é a eleição da mesma pessoa para presidente da Rússia pela terceira vez? De forma indireta, mas o governo deve permanecer nas mesmas mãos, tanto que os próprios atores do teatro admitem. Putin e Medvedev dizem abertamente quais são os seus planos.

Agora eu pergunto: por que diabos eu não vi a Veja colocar o nome de Puticapa380.jpgn na capa sobre frase ameaçadora que sugira uma ditadura na Rússia? Por que a imprensa não deu uma atenção bem mais sutil e dócil a Putin do que a Chávez, se um faz o possível para se perpetuar no poder através de um jeitinho – que até parece brasileiro – e o outro vota um referendo para deixar o povo escolher? Só vi a Carta Capital lembrar disso no seu editorial dessa semana (diz lá que “Chávez é o próprio Senhor das Trevas e Putin se confunde com personagens menores da literatura russa”), que citou até o vizinho Kirchner a eleger sua mulher. E o resto dos veículos? Estão dando um jeitinho?

Estranho. Muito estranho…

Postado por Cris Rodrigues

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Violência no Trânsito – Isso tem que ter fim

21 Dezembro 2007

fim1.jpgA RBS lançou no meio dessa semana mais uma campanha visando diminuir os acidentes de trânsito. Dessa vez, há um foco específico: os homens jovens, que representam 46% dos condutores envolvidos em acidentes com mortes no Brasil.

Vou falar aqui especificamente sobre a cobertura dada ao assunto pela Zero Hora, já que seria impossível acompanhar tudo que for veiculado em todas as mídias que a RBS possui.

Para começar, belíssima a capa de ZH na quarta-feira (que eu não consegui colocar aqui, procurem no site). Impactante como uma batida de frente entre duas carretas. A abordagem feita tanto ali quanto nas oito páginas dedicadas à reportagem especial sobre o tema conseguiu humanizar um pouco as frias estatísticas e causar um impacto que estas nunca conseguiram nem conseguirão alcançar. ZH contou um pouquinho de cada um dos 379 mortos – segundo levantamento próprio.

Os colunistas estiveram – e continuam – todos vestidos com a camiseta da campanha e santana.jpgimpelidos a escrever sobre a violência no trânsito. O editorial, em letras garrafais, explicou o que será a campanha e o porquê do foco nos homens jovens. Até o mal-fadado “Para seu Filho Ler” ficou bem resolvido desta vez. E pequenas matérias explicando algumas estatísticas complementaram o assunto.

Na edição de ontem – quinta-feira -, começou o problema. Quando me deparei com a capa, meu primeiro pensamento foi “í, aí vem matéria casuca” – leia-se “aí vem porcaria”. Dito e capa.jpgfeito. Contrastando (inclusive ganhando mais destaque) com um belo depoimento de Diza Gonzaga, estavam lá, sob a cartola “Kzuka na Zero”, umas gurias com cara de burras e depoimentos forjados e forçados sobre como detestam guris que querem se exibir usando seus carros. Ah, conta outra. Casuca…

Hoje a campanha continuou com tudo, menos foco. Apesar de aparecerem matérias relacionadas a isso por todo o jornal, o espaço destinado ao público proposto inicialmente reduziu-se ao caderno Kzuka e a um – sempre chocante – depoimento de uma mãe que perdeu o filho em um acidente. De resto, foi uma piloto dizendo para não correr nas estradas – clichê total, convenhamos -, explicações sobre o início da atuação da Brigada nas estradas gaúchas – importante, mas sem aquele foco anterior -, e “Cuidados antes de sair em viagem”, além de um editorial claramente colocado ali pela falta de assunto, repetindo o que já foi dito e repetido na edição de quarta-feira.corsapickupbatida.jpg

Enfim. Gostei da iniciativa, já era hora de mudar o estilo das ineficientes tradicionais campanhas contra a violência no trânsito. Torço apenas para que se mantenha, como pareceu no primeiro dia, uma campanha séria e com real objetivo de conscientização, e não descambe para casuquices e afins.

P.S.: como sempre que tenta se posicionar sobre assuntos realmente relevantes, o Informe Especial pecou pela tontisse divulgando uma carta tonta de um morador do Bom Fim. Deveria manter-se no que é bom: fatos corriqueiros e curiosidades.

Extra: A grande imprensa não dedicou destaque algum aos excelentes dados divulgados ontem sobre o desemprego no Brasil.

Extra 2: A cobertura dessa mesma imprensa da greve de fome do bispo dom Cappio – justificada a greve ou não – beira o ridículo.

Postado por Alexandre Haubrich

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Falta de decoro

18 Dezembro 2007

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Hoje o projeto das Oscips (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público) foi aprovado na Assembléia gaúcha. Agora, entidades privadas podem administrar órgãos públicos, entre eles a TVE. É um projeto bem perigoso, mas não é sobre ele especificamente que eu vou falar.

A ZeroHora.com fez um pequeno texto sobre o resultado da votação, com apenas quatro parágrafos. Fui atrás do assunto porque achei que teria uma cobertura mais completa. No lugar, encontrei um texto fraquinho com alguns juízos de valor – ressalta já no olho que as entidades não têm fins lucrativos e escolhe como informação essencial dizer que as funções tidas como essenciais não entram no jogo.

Em nenhum momento explica de que forma essa interferência vai ocorrer, por que é importante que as funções essenciais fiquem de fora – o que já deixa claro que pode não ser bom para a população, ou todos os órgãos estatais estariam participando do projeto. Entre as poucas informações que escolhe para compor a nota, estão as mais favoráveis ao resultado obtido hoje através do voto de 37 parlamentares.

Sinceramente, o mínimo que eu esperava era uma matéria completa – mesmo que esse quesito seja também discutível, mas que apresentasse mais de míseros quatro paragrafinhos. Além de não esclarecer quem a lê, repete descaradamente a mesma frase no segundo e no último parágrafo. Eles não tiveram nem o cuidado de reler o que escreveram. Vê lá: “Ficam excluídas dessas parcerias todas as funções essenciais de Estado, em setores como segurança, receita pública e fiscalização, por exemplo”.

E, pelo tamanho do texto, fica tudo ali perto, não dá tempo de o leitor esquecer a primeira leitura para chegar na mesma frase de novo. Foi puro desleixo. A mesma frase encontra-se, inclusive, em uma nota de dois parágrafos publicada minutos antes.

É uma falta de decoro de um jornal do tamanho da Zero Hora. Convenhamos.

Postado por Cris Rodrigues

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Central de desinformações

16 Dezembro 2007

Sim, parece que esse blog só fala de Hugo Chávez. Mas não tem jeito, já que a grande imprensa não tem medido forças nem espaço para desconstruir a imagem do presidente venezuelano e, cada vez mais, criar uma visão hostil no brasileiro em relação a Venezuela.

Hoje o Fantástico exibiu o quadro Central de Boatos, no qual os “repórteres” Jovane Nunes (humorista, formado em Artes Cênicas) e Victor Leal (humorista, formado em Administração de Empresas) demonstram, na prática, que o Brasil deve temer um ada1_2408.jpgtaque venezuelano, que está prestes a acontecer, já que Hugo Chávez é um “presidente nervosinho” e que o país vizinho tem investido pesado em armamento.

O desserviço à informação é inacreditável. O Fantástico usa de um quadro dito humorístico para fazer acusações sem sentido e incutir na cabeça das pessoas uma visão absolutamente equivocada e sem nenhum fundo de verdade. A banditização de Chávez através de um quadro de humor produz exatamente o mesmo efeito no telespectador do que uma reportagem apresentada como tal, com a vantagem (para a Globo) de que não há, teoricamente, nenhuma necessidade de comprometimento com a verdade e com fatos reais. É uma espécie de mal jornalismo travestido em humor.

A campanha agora vem de todos os lados. Algumas emissoras já não sabem mais a que recursos apelar para criar um clima de confronto e de inimizade entre os brasileiros e a esquerda ascendente no restante da América Latina. É o medo de ver o Brasil tomar os mesmos rumos. A desinformação parece ser a melhor arma dessa corja de “defensores da democracia”.

Postado por Alexandre Haubrich 

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Alguma coisa errada…

14 Dezembro 2007

Fui surpreendida pelo Diego Casagrande criticando o governo Yeda no Band News primeira edição de hoje, com ele e Felipe Vieira. A discussão era sobre a fraude no Detran (para saber mais, aqui). Ele lembrou que um dos presos na operação Rodin, Antônio Dorneu Maciel, continua diretor-administrativo da CEEE. E bem concluiu: ainda é pago por nós.

O presidente da CEEE, Delson Martini, também foi criticado, por não falar a respeito. Casagrande defende que ele tem a obrigação de dar satisfação, já que trabalha em uma estatal. E o jornalista acrescentou: “eu acho que não vão mexer no Maciel porque, sabe como é que é, tem muita gente de muito partido, porque basta a governadora ligar, foi ela que nomeou, que manteve a nomeação. Ela liga e diz ‘eu não quero mais’. Tira o seu Maciel, o homem vai ser indiciado pela pf, então é muito estranho”.

Estranho, não é o tipo de informação (com opinião, ainda por cima) que eu esperava de um jornalista conservador como ele. Afinal, para quem chama em seu blog o revolucionário Che de “idiota totalitário“, o neoliberalismo radical de Yeda deve ser a melhor opção. Esse tipo de informação, portanto, supunha eu, não seria digna de nota por Diego. Mas foi. E confesso que foi uma surpresa positiva até. Mas estranha, sei lá. Será que, apesar das suas convicções elitistas, o jornalista está realmente preocupado com a verdade? Será que aquela é realmente a sua opinião? Ainda acho que tem alguma coisa errada…

Postado por Cris Rodrigues

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A Voz do Empresariado

12 Dezembro 2007

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Hoje eu tinha vários assuntos sobre os quais poderia escrever por aqui. Acabei optando pelo mais urgente, e deixando os outros talvez para um próximo post, quem sabe, de repente. E o assunto mais urgente é a censura a que foi submetido o cartunista gaúcho Santiago, um dos principais profissionais da área no país.

O que aconteceu, segundo fonte confiável: Santiago mandou sua charge do dia para o editor-chefe do Jornal do Comércio, de Porto Alegre, onde trabalha. O editor é Pedro Maciel. Maciel não gostou, achou que a charge contrariava a linha editorial do jornal, que ia contra o público-leitor – em sua maioria empresários. Ligou para o cartunista e disse que aquela charge não poderia sair, que fizesse outra. Santiago se negou, sugeriu que Maciel colocasse uma imagem qualquer no lugar, então. “Vou colocar imagens ali todos os dias, a partir de agora”, foi a resposta. Santiago estava no olho da rua.

Muitos chargistas desenharam em protesto contra a decisão do JC. (Entre AQUI e veja mais)

Isso é censura, ó raios! Fere um princípio básico do jornalismo: a pluralidade de pensamento. E nenhum dos jornalões daqui falou nada a respeito! Nem o Observatório de Imprensa se posicionou! Nada! Nada!

Porque Santiago não se auto-censurou, foi cortado, foi amordaçado. Onde está a democracia nas redações? Onde está a liberdade de pensamento e posicionamento? Chargistas estão lá exatamente para criticar quem acham que deve ser criticado. E aí o cara sai da linha que o jornal quer seguir, critica quem não interessa ao jornal que seja criticado, e é mandado embora? Como assim?

Pois que o JC se assuma então como “A Voz do Empresariado” e deixe de lado qualquer pretensão de ser um jornal realmente representativo. Além do que, um veículo de qualidade indiscutível como o Jornal do Comércio não poderia abrir mão de um profissional do nível de Santiago. Perde o JC, perde o público, perde a liberdade. E perde o debate duas vezes: com a demissão do cartunista, e com a cegueira do restante da mídia.

Postado por Alexandre Haubrich