Provavelmente, se alguém digitar Chávez na pesquisa do Google, o Jornalismo B é o primeiro a aparecer. Ok, exagero, mas é que o assunto já está pra lá de batido por aqui. Eu me prometi não falar mais a respeito, mas eles pedem. Abro qualquer revista e lembro que não adianta, é o tema mais atual, sobre o qual todos falam, sem se importar com o leitor, que já não deve agüentar mais a mesma ladainha doutrinária. Não é uma questão de ser chavista ou anti-chavista, o que nós tentamos fazer é só justiça aos fatos.
Pois essa semana veio o Diogo a falar mal do presidente venezuelano de novo. O mesmo Diogo daquela “reportagem” (coloco entre aspas porque eu não acredito que isso seja Jornalismo) do Che, o Schelp, da Veja. A Veja pede. O olho da “matéria”, intitulada “A Venezuela depois do não” (de acesso restrito a assinantes ou a quem se disponha a preencher um enorme cadastro no site da Abril - por aqui), já afirma que o governo é uma ditadura. Mas não é da forma com a qual eu já me acostumei a ver, meio irônica, sugerindo uma realidade que não existe. É bem direta mesmo, como se já fosse consenso, como se ninguém questionasse a afirmação. “Chávez enfrenta agora uma nova oposição. Além dos estudantes, ela recebeu o reforço de chavistas descontentes, que se opõem à ditadura”. Assim, na cara dura, lá na página 68 da edição de 19 de dezembro.
O estilo é semelhante ao da outra “reportagem” co-assinada por Schelp. É provocativo, mentiroso, absurdamente parcial e baixo. As afirmações levianas correm soltas pelo texto. E fica interessante analisá-lo agora, depois de alguns dias, pois podemos ver o resultado das previsões furadas do “jornalista”. Ele se coloca em posição de espera pela resposta ao “não” no referendo do início do mês de quem “não tolera ser contrariado”.
Fica difícil não criticar parágrafo por parágrafo, pois todos contêm absurdos. Schelp acusa Chávez de ter mentido ao acusar de golpismo o movimento que tentou derrubá-lo há alguns anos. E se refestela dizendo que a oposição agora não pode ser chamada de golpista. Chego a vê-lo (mesmo sem conhecê-lo) vibrar com a idéia de que a Venezuela não apóia mais seu líder incondicionalmente. É como se jogasse na cara: “Viu, viu, eu disse”.
Em seguida, acusa o governo venezuelano e, de lambuja, o argentino, de corrupção. As provas? Mais ou menos as mesmas daquela matéria furada do primeiro mandato do Lula, quando a Veja afirmava, em uma tremenda barriga, que o presidente brasileiro recebera dinheiro de Cuba para sua campanha.
Diogo Schelp oscila entre a ofensa baixa, a mentira deslavada e as conjecturas estapafúrdias, querendo convencer de que o governo Chávez tem seus dias contados. Nos boxes, não é diferente. Um deles é intitulado “O levante dos caras-pintadas”, em uma clara alusão ao impeachment de Collor no Brasil, em 1992. Comparar Chávez e Collor não é só colocar no mesmo saco um presidente com amplo apoio popular e sem indício de corrupção com outro que levava propina em todas as transações do governo. Comparar os dois presidentes é pedir a queda de Chávez, de forma cada vez mais aberta.
Postado por Cris Rodrigues