Venho hoje com o propósito de encerrar o assunto. Mesmo me propondo a não falar mais a respeito, os fatos se fizeram imperiosos e eu tive que fazer justiça. Nesse tempo todo de Chávez aqui no blog, não veio nenhuma crítica positiva. Sempre vimos os defeitos e os aspectos negativos da cobertura da imprensa – que são muitos, principalmente nesse tema específico, não se pode negar – e raramente o lado bom que ainda existe, mes
mo que diminuído. Ele acaba ficando em segundo plano, até porque é bem menor. Mas ele existe, sim, e a prova é a entrevista publicada pelo Jornal do Comércio no último dia 03.
A jornalista venezuelana Marisela Capriles Vergara, formada pela Fabico, em Porto Alegre, apresenta uma visão diferente da que estamos acostumados. Ela defende o governo chavista, mas nota-se claramente que é uma outra forma de tratar o assunto. Da crítica cega e cruel a que estamos acostumados – caso da Veja, por exemplo – para um retrato de
olhos abertos, que enxerga muitos lados positivos – talvez, até, nem todos existam, afinal, é ainda só uma visão -, mas vê muitas coisas que deram errado. Apesar do filtro chavista, que a impede de ver o todo, tenta a tal imparcialidade que todos deveriam buscar. Consegue, com isso, mais credibilidade, e fortalece a imagem positiva da Venezuela de Hugo Chávez.
O Jornal do Comércio, o mesmo que há pouco demitiu – em uma atitude de censura – seus três chargistas por não concordarem com a linha editorial do jornal, claramente elitista e conservadora, agora aparece como uma voz pequena contra todo o resto. Chega a ser difícil identificar quem é quem hoje na imprensa brasileira. A seguir, um trecho do publicado no jornal.
Venezuela em tempos de revolução – JC 03.01.08
Nos últimos anos, a Venezuela tem sido assunto recorrente nas manchetes dos jornais. Grande parte dessa notoriedade se deve as posições políticas e econômicas do seu presidente, Hugo Chávez. Eleito em 2002, ele instaurou a chamada Revolução Bolivariana. O projeto, baseado nas idéias do revolucionário Simon Bolívar, causa polêmica e envolve todos os segmentos da sociedade.
Apesar de ser um dos maiores exportadores de petróleo do mundo, o país, que tem 26 milhões de habitantes e 912.050 km², o equivalente a um nono do Brasil, sofre com a grande desigualdade social. Apenas uma pequena parte da população concentra toda a riqueza nacional.
A jornalista venezuelana Marisela Capriles Vergara, formada pela Faculdade de Comunicação da UFRGS, trabalha na emissora de televisão estatal Telesur (www.telesurtv.net) e há 18 anos acompanha de perto a situação na Venezuela. Ela conversou com o Jornal do Comércio sobre a relação do país com o Brasil, a situação política e o governo do presidente Chávez.
Jornal do Comércio – O jornalista Richard Gott, no livro In the shadow of the liberator: The impact of Hugo Chávez on Venezuela and Latin America, diz que “A Venezuela é um misto, geograficamente, do Brasil com as Ilhas do Caribe”. Quais as semelhanças entre o Brasil e a Venezuela?
Marisela Capriles Vergara – Semelhanças têm muitas, principalmente no fato de serem países do mundo “em desenvolvimento”, que é um eufemismo utilizado pelos acadêmicos para meter tudo no mesmo saco.
Quer dizer, são parecidos nas contradições, nas diferenças enormes entre um bairro e outro das suas cidades, na pobreza que convive com a riqueza, na cor da pele das pessoas, na música, que é fruto de toda a mistura cultural, até naquele “jeitinho” latino, que é a malandragem, o humor. Inclusive, compartilham o destino de serem terras exóticas, com paisagens de cartão postal, riquezas culinárias, artesanato, enfim.
No entanto, é obvio que existem diferenças imensas entre o Brasil e a Venezuela, diferenças que vêm dadas pela história, pelo fator cultural e pelo simples fato do Brasil ter 9 vezes o tamanho da Venezuela. Apesar disso, os venezuelanos se identificam com o Brasil, adoram sua alegria, respeitam o orgulho que os brasileiros sentem por seu país e adoram o futebol brasileiro, a música brasileira.
Sentem o Brasil como irmão latino americano. Também respeitam o Lula, tanto os “chavistas” como os “não – chavistas”, porque ele é visto como sinônimo de moderação e diplomacia eficiente, sem perder o seu norte político e as suas convicções. E isto, a mim, parece-me muito interessante, se pensarmos nas divisões tão grandes no pensamento político dos venezuelanos.
Para ler na íntegra, clique aqui. Não é o site do jornal, já que lá eu não encontrei, mas o blog da autora da entrevista, Paula Bianchi.
Postado por Cris Rodrigues