Posts de Janeiro, 2008

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Uma boa noite e até março

12 Janeiro 2008

Caros leitores,

Janeiro é um mês complicado, fevereiro mais ainda. Não apenas os leitores estão de férias, mas nós também. Portanto, viajaremos. E, infelizmente, para lugares onde a tecnologia ainda é incipiente. Ou seja, o blog ficará desatualizado por um mês e meio. Mas, quando março der seus primeiros passos, voltaremos. Se tudo der certo, com ainda mais vontade de fazer um Jornalismo Brabo e Benevolente, um Jornalismo de Beirada, um Jornalismo crítico, um Jornalismo B.

Agradecemos a todos os que permaneceram assíduos na leitura dos nossos posts, aos que passam por aqui de vez em quando, aos que estão conhecendo. Esses primeiros meses nos encheram de satisfação, ainda mais quando podemos contar com o retorno dos que prestigiam o nosso trabalho.

Muito obrigado e até mais.

Postado por Os Editores

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Placar 10 a 0

9 Janeiro 2008

O assunto já foi abordado neste blog, mas pretendo agora apresentar uma outra visão, uma visão de leitor assíduo e grande fã, da Revista Placar.

A Placar surfutebol.jpggiu em 1970, e desde lá passou por muitas fases. Começou mensal, passou a semanal, voltou a mensal e seguiu nesse vai e vem. O investimento da Editora Abril na revista também oscilou muito, de acordo com o lucro ou prejuízo apresentado e, principalmente, com certos interesses editoriais. Juca Kfouri, um dos grandes jornalistas esportivos brasileiros, teria saído da revista em razão dos reclames dos Civita em relação a certas matérias investigativas que apontavam focos de corrupção no futebol brasileiro.

Atualmente, a Placar não tem, realmente, trazido à tona casos mais escusos. O último escândalo do futebol nacional, por exemplo, o caso Edilson Pereira de Carvalho, não foi desvendado na Placar, como a mesma revista fez em 1982 denunciando a máfia das loterias.

Ainda assim, para o apaixonado por futebol, é o mais completo, interessante e informativofutebol-0001-800.jpg veículo de que se dispõe no país. Curiosidades, análises, debates, novidades. Tudo está na Placar, apresentado através de textos brilhantes e fotos belíssimas. A sessão “Perfis”, por exemplo, consegue apresentar faces desconhecidas de jogadores conhecidos. Mostra ao torcedor quem é realmente o seu ídolo, o torna pessoal, humano. A “Bola de Prata” é acompanhada de perto pelos craques e pelos espectadores, já que é a forma de premiação mais justa e clara para os melhores do Campeonato Brasileiro – repórteres assistem a todas as partidas e dão notas a todos os jogadores. E por aí vai.

Comandada pelo ótimo Sérgio Xavier Filho, a Placar segue de vento em popa, mesmo sob o comando teto-de-vidro dos Civita.

Postado por Alexandre Haubrich

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Um outro lado

7 Janeiro 2008

Venho hoje com o propósito de encerrar o assunto. Mesmo me propondo a não falar mais a respeito, os fatos se fizeram imperiosos e eu tive que fazer justiça. Nesse tempo todo de Chávez aqui no blog, não veio nenhuma crítica positiva. Sempre vimos os defeitos e os aspectos negativos da cobertura da imprensa – que são muitos, principalmente nesse tema específico, não se pode negar – e raramente o lado bom que ainda existe, mesjc.jpgmo que diminuído. Ele acaba ficando em segundo plano, até porque é bem menor. Mas ele existe, sim, e a prova é a entrevista publicada pelo Jornal do Comércio no último dia 03.

A jornalista venezuelana Marisela Capriles Vergara, formada pela Fabico, em Porto Alegre, apresenta uma visão diferente da que estamos acostumados. Ela defende o governo chavista, mas nota-se claramente que é uma outra forma de tratar o assunto. Da crítica cega e cruel a que estamos acostumados – caso da Veja, por exemplo – para um retrato de hugo_chavez.jpgolhos abertos, que enxerga muitos lados positivos – talvez, até, nem todos existam, afinal, é ainda só uma visão -, mas vê muitas coisas que deram errado. Apesar do filtro chavista, que a impede de ver o todo, tenta a tal imparcialidade que todos deveriam buscar. Consegue, com isso, mais credibilidade, e fortalece a imagem positiva da Venezuela de Hugo Chávez.

O Jornal do Comércio, o mesmo que há pouco demitiu – em uma atitude de censura – seus três chargistas por não concordarem com a linha editorial do jornal, claramente elitista e conservadora, agora aparece como uma voz pequena contra todo o resto. Chega a ser difícil identificar quem é quem hoje na imprensa brasileira. A seguir, um trecho do publicado no jornal.

Venezuela em tempos de revolução – JC 03.01.08

Nos últimos anos, a Venezuela tem sido assunto recorrente nas manchetes dos jornais. Grande parte dessa notoriedade se deve as posições políticas e econômicas do seu presidente, Hugo Chávez. Eleito em 2002, ele instaurou a chamada Revolução Bolivariana. O projeto, baseado nas idéias do revolucionário Simon Bolívar, causa polêmica e envolve todos os segmentos da sociedade.

Apesar de ser um dos maiores exportadores de petróleo do mundo, o país, que tem 26 milhões de habitantes e 912.050 km², o equivalente a um nono do Brasil, sofre com a grande desigualdade social. Apenas uma pequena parte da população concentra toda a riqueza nacional.

A jornalista venezuelana Marisela Capriles Vergara, formada pela Faculdade de Comunicação da UFRGS, trabalha na emissora de televisão estatal Telesur (www.telesurtv.net) e há 18 anos acompanha de perto a situação na Venezuela. Ela conversou com o Jornal do Comércio sobre a relação do país com o Brasil, a situação política e o governo do presidente Chávez.

Jornal do Comércio – O jornalista Richard Gott, no livro In the shadow of the liberator: The impact of Hugo Chávez on Venezuela and Latin America, diz que “A Venezuela é um misto, geograficamente, do Brasil com as Ilhas do Caribe”. Quais as semelhanças entre o Brasil e a Venezuela?

Marisela Capriles Vergara – Semelhanças têm muitas, principalmente no fato de serem países do mundo “em desenvolvimento”, que é um eufemismo utilizado pelos acadêmicos para meter tudo no mesmo saco.

Quer dizer, são parecidos nas contradições, nas diferenças enormes entre um bairro e outro das suas cidades, na pobreza que convive com a riqueza, na cor da pele das pessoas, na música, que é fruto de toda a mistura cultural, até naquele “jeitinho” latino, que é a malandragem, o humor. Inclusive, compartilham o destino de serem terras exóticas, com paisagens de cartão postal, riquezas culinárias, artesanato, enfim.

No entanto, é obvio que existem diferenças imensas entre o Brasil e a Venezuela, diferenças que vêm dadas pela história, pelo fator cultural e pelo simples fato do Brasil ter 9 vezes o tamanho da Venezuela. Apesar disso, os venezuelanos se identificam com o Brasil, adoram sua alegria, respeitam o orgulho que os brasileiros sentem por seu país e adoram o futebol brasileiro, a música brasileira.

Sentem o Brasil como irmão latino americano. Também respeitam o Lula, tanto os “chavistas” como os “não – chavistas”, porque ele é visto como sinônimo de moderação e diplomacia eficiente, sem perder o seu norte político e as suas convicções. E isto, a mim, parece-me muito interessante, se pensarmos nas divisões tão grandes no pensamento político dos venezuelanos.

Para ler na íntegra, clique aqui. Não é o site do jornal, já que lá eu não encontrei, mas o blog da autora da entrevista, Paula Bianchi.

Postado por Cris Rodrigues

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Metajornalismo

5 Janeiro 2008

Por que será que a imprensa brasileira não faz auto-crítica? Parece-me que um dos motivos é que ela ultrapassou a idéia de “imprensa” para se tornar, definitivamente, mídia. É claro que falo aqui dos grandes meios midiáticos. Porém, mesmo os pequenos esquecem de olhar para dentro. É muito difícil encontrar blogs, sites, jornais, programas de TV ou de rádio que trabalhem com metajornalismo.

Este que estás a ler é um dos poucos. Apresento ainda mais dois bons exemplos, o tradicional site “Observatório de Imprensa” – mesmo nome do excelente programa da TV Cultura comandado por Alberto Dines, todas as terças-feiras, às 22h40 – e o até há pouco desconhecido por mim “Fazendo Media”.

O primeiro traz bons artigos – ok, alguns são bem ruizinhos – analisando grandes casos e grandes coberturas da mídia brasileira e mundial através da visão de jornalistas e escritores das mais variadas posições e estilos.

Já o segundo site traz artigos e matérias também publicadas em um jornal impresso mensalmente, de mesmo nome do site. São abordados todos os temas, através de editorias bem definidas – Política, Dia-a-Dia, Cultura, Educação, Movimentos Sociais, Internacional e Esportes. Ainda conta com correspondentes em Madri e Lisboa.

O “Obsrvatório” e o “Fazendo Média” são bons exemplos de como se pode discutir o papel e a atuação da mídia com qualidade e seriedade. O metajornalismo é a única forma de melhorar a imprensa brasileira, tão despedaçada e com a manutenção deixada de lado há muito tempo. O jornalismo virou uma prática mecânica, e esse é o principal motivo da falta de qualidade reinante. A crítica e o debate são fundamentais para reverter essa lógica.

Postado por Alexandre Haubrich

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Aqui Agora

3 Janeiro 2008

Aqui e agora. Quem não se lembra dessas palavras pronunciadas com uma voz cantada e assustadora? Pois o mais famoso programa de “jornalismo” policial pode estar de volta (veja aqui). Dois pilotos já foram feitos e reprovados pelo ainda chefão do SBT e ex-camelô, Sílvio Santos. A idéia era estrear o programa ainda em janeiro, mas os planos foram adiados com a não-aprovação dos pilotos.

O Aqui Agora era um programa popular voltado para acidentes graves e alguma coisa de fofoca, que fez sucesso no SBT na década de 90. Tipo um espreme-que-sai-sangue. Foi criado em 1991 e existiu até 97. Além do popular Gil Gomes, nomes hoje respeitadoaquiagora.jpgs já passaram pelo telejornal, como César Tralli, um dos principais profissionais do Jornal Nacional.

O interesse por ressucitar uma programação desse nível mostra uma atitude desesperada da emissora que vem despencando e perdendo posições no índice de audiência nos últimos tempos. O SBT já não sabe mais o que fazer, então reedita seus programas de sucesso, mesmo que seu conteúdo seja um fracasso jornalístico. Não existe exemplo melhor para apelação e sensacionalismo que o Aqui Agora, que atrai as pessoas justamente por mostrar as tragédias na hora em que acontecem.

Ainda não se sabe quem vai ficar encarregado pelo programa. Se fala no jornalista José Luiz Datena, que comandou o também policial Cidade Alerta, no mesmo estilo de Aqui Agora, mas ele ainda tem contrato com a Band. O horário mais provável é o fim da tarde, cerca de 18h.

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Extra 1: E o canal conhecido pela sua credibilidade no Jornalismo, que parece viver do Jornalismo, acaba de contratar Daniela Cicarelli. Espero que a Band não planeje colocá-la para apresentar um telejornal.

Extra 2: A revista Exame de 31 de dezembro apresenta, na seção Produtos, as tendências para 2008. São louis vuittons, armanis, tiffanys e produtos tecnológicos. O “Celular de grife” é apresentado como “o exemplo típico de um produto de massa com embalagem de luxo”. Depois de dissertar sobre as características do produto, explica que é vendido na Europa por mil euros. Tudo bem que a Exame representa uma elite e tal, mas não sabia que os conceitos eram tão distorcidos. Um celular de mil euros é um produto de massa? Alguém, por favor, puxa essa burguesia pra realidade, que o “Jornalismo” de hoje só faz empurrá-los cada vez mais para o alto.

Postado por Cris Rodrigues

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Informe Carta Petrobrás

1 Janeiro 2008

A revista Carta Capital tem dedicado, nos últimos tempos, uma boa parte de suas páginas a um Informe Comercial da Petrobrás.

Até aí tudo bem, até porque esta é uma das formas mais eficientes de publicidade impressa, e porque a Pertrobrás, na condição de principal estatal do Brasil, faz bem em investir em cultura, patrocinando publicações de qualidade como esta.

petrobras.jpgO problema é a identificação destas páginas (14 na última edição) como Informe Comercial. Elas se misturam às reportagens, utilizando-se da mesma fonte e do mesmo formato gráfico do restante da revista. Está ali aquela peça publicitária travestida de jornalismo, o que não me parece nada honesto.

O “Informe Petrobrás” mostra, nesta edição, a expansão da empresa no exterior, além de projetar futuros investimentos. São informações relevantes, sem dúvida, mas que deveriam estar em um espaço mais bem definido como publicidade, de forma a não confundir o leitor. Como material jornalístico, afinal, o Informe deixa muito a desejar, exatamente por não trazer resultados de investigação ou contrapontos à idéia central – propagandear a empresa.

Postado por Alexandre Haubrich