Posts de Março, 2008

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Vazia, pra variar

31 Março 2008

Mais uma daquelas matérias parciais da Zero Hora foi publicada ontem. Essa, sobre a “floresta” de eucaliptos na Metade Sul, assunto sobre o qual o jornal já se posicionou claramente há algum tempo.

Pois bedigitalizar0005.jpgm, nas páginas 26 a 28 a idéia era traçar um perfil dos investimentodigitalizar0006.jpgs da área no Pampa gaúcho (a primeira página da matéria aqui). Foi feito. Um lado dos muitos que envolvem a questão foi mostrado. Os outros, não. Apesar de defender a plantação das árvores no estado, os repórteres Eduardo Lorea, Marina Lopes, Rafael Varela e Rodrigo Santos não conversaram com ninguém da Stora Enso, da Aracruz ou da Votorantim Celulose e Papel (VCP). Não preciso nem falar sobre os ecologistas e pesquisadores sérios. Praticamente os únicos entrevistados foram alguns agricultores da região, e a matéria fica focada no perfil deles.

Ou seja, além de parcial, a matéria é vazia. Não sustenta os argumentos, pois não tem fontes suficientes.

Dissertando sobre como a plantação de eucaliptos movimenta a economia da região, a ZH esqueceu de mencionar alguns pontos importantes. Ao optar por entrevistar, do meio científico, apenas um professor da Ufrgs, da Administração e não da Ecologia, fechou os olhos para outros efeitos do processo. Não é citado, em nenhum momento, como isso vai melhorar a vida dos pequenos produtores, como vai ser feita a distribuição de renda, como vai melhorar a vida dos moradores no futuro. O motivo é simples, segundo os ecologistas, nada disso vai acontecer. Mas lendo a matéria, eu não sei disso. Só se fala em números absolutos, de PIB ou de crescimento da região, que se sabe que são parciais.

Ao mesmo tempo, a agressão à natureza nem é lembrada. Nem as questões mais diretas, como o alto consumo de água das plantações, nem as menos comentadas, como o limite do uso da terra no Sudoeste do estado, onde está se instalando a Stora Enso, que não agüenta muito tempo esse tipo de plantação. Ou seja, mesmo os números absolutos de crescimento são finitos. Mas ninguém fala disso na reportagem.

Não se fala também nas irregularidades da empresa. Aliás, não se fala em nada. Como já foi dito, foram três páginas vazias, inúteis do ponto de vista informativo. Mas úteis para os interesses do jornal e das grandes empresas, pois ajuda a ludibriar os leitores menos atentos aos detalhes.

Postado por Cris Rodrigues

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Tiro no pé

29 Março 2008

dedo3.jpgA “revista” VEJA foi condenada, na última semana, a pagar uma indenização de R$ 150 mil ao ex-secretário-geral da presidência do governo FHC, Eduardo Jorge. A VEJA ainda deverá dedicar o assunto de capa a Eduardo, e publicar mais 20 páginas editoriais de retratação.

O ex-secretário foi acusado de participação no esquema que levou à prisão o juiz Lalau, mas nada ficou provado contra ele. Acusado pela imprensa, resolveu agora ir à forra. Já ganhou ações contra os jornais O Globo, Folha de Sãodedo11.jpg Paulo e Correio Braziliense, além da revista Isto É.

Este é um caso em que fica clara a precipitação da imprensa, problema cada vez mais recorrete. No afã de dar um “furo” em um jornalismo cada vez mais carente de “furos”, compram gato por lebre e publicam qualquer coisa. Qualquer denúnicia casual vira fato concreto nas mãos de veículos ou profissionais que não se dão ao trabalho de checar a veracidade das informdedo21.jpgações, e esquecem-se que, ao apontar alguém como criminoso, estão atingindo a honra desta pessoa e a privando de defesa pública.

É um problema muito recorrente em dois setores de nossa imprensa, principalmente: polícia e política. Não há como saber se é o caso de Eduardo Jorge ou se a Justiça simplesmente errou, mas o fato é que reputações são jogadas na lama, vidas pessoais são destruídas todos os dias pela nossa imprensa sem que haja qualquer certeza sobre as acusações publicadas.
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A checagem séria e responsável e o fim da prepotência de querer se colocar no lugar da Jusitiça, são lições as quais já deveria ter-se aprendido há um bom tempo, pois quando a imprensa aponta um dedo, é como se apontasse uma arma: a sociedade aponta junto.

*Alguém acredita realmente nessa nova “denúncia” da VEJA sobre o tal dossiê, ou banco de dados, justo no momento em que a Dilma começa a aparecer definitivamente como postulante ao Planalto?

Postado por Alexandre Haubrich

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Cadê?

27 Março 2008

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O Paulo Henrique Amorim escrevia um blog. Um dia, entrou na internet e descobriu que seu blog não existia mais. O cenário é quase esse. O iG, provedor do blog, enviou uma notificação ao jornalista depois de já ter tirado o Conversa Afiada do ar. O fato de não ter respeitado os termos do contrato, como o aviso prévio de 60 dias, é só um agravante.

Em um ato de censura, o iG cancelou o acesso da equipe de PHA ao portal e lacrou seu computador. Não se sabe ao certo o motivo da rescisão do contrato. Especula-se um desentendimento entre Paulo Henrique e o diretor-presidente do iG, Caio Túlio Costa. Não importa. Seus direitos não foram respeitados, nem os nossos, de livre acesso à informação.

O fato é que não é a primeira vez que isso acontece com o jornalista, como ele mesmo afirma em seu novo domínio (www.paulohenriqueamorim.com.br). Por que será que ele incomoda tanto?

Colegas já se manifestaram em solidariedade. Mino Carta, por exemplo, que também tinha um blog do iG, já não tem mais. Encerrou sua participação assim que soube do acontecido.

Apesar da censura, Paulo Henrique continua seu trabalho. Seu novo site foi ao ar menos de nove horas depois de o primeiro ter saído. E assim o jornalismo crítico e responsável pode continuar existindo. “Essa é a virtude da internet: último reduto do jornalismo independente”, nas suas próprias palavras.

Postado por Cris Rodrigues

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Um bom jornalismo, custe o que custar

25 Março 2008

Teve seu segundo programa na noite de ontem o Custe o Que Custar (CQC), liderado pela grande Marcelo Tas, na TV Bandeirantes.

Os problemas do tamanho imenso do programa e das câmeras que deixam o telespectador tonto são suplantados brilhantemente por alguns quadros extraordinários no que se refere à sua qualidade jornalística e humorística. Vou ater-me a um: o Proteste Já!

O repórter Rafinha Bastos vai a fundo em problemas aparentemente insolúveis das cidades brasileiras, buscando soluções e perguntando sem medo para os (ir)responsáveis por que atitudes simples não são tomadas para resolver problemas graves que prejudicam milhares de pessoas.

No primeiro programa, o alvo foi o esgoto de São Paulo. Ontem, a dificuldade de acesso de deficientes físicos ao sistema de metrô da Capital Paulista.

Mais do que eu possa explicar, o vídeo fala por si. O que digo simplesmente é que isso é o melhor jornalismo. Ainda que humorístico, um jornalismo mais sério e que trata os problemas da população com mais seriedade do que qualquer telejornal tradicional. Audácia, coragem e inteligência são os principais elementos que compõem esse quadro.

Assistam. Serão 12 minutos muito bem empregados, eu garanto – o segundo programa ainda não está disponível, então vão aí as duas partes do Proteste Já! de estréia.

Postado por Alexandre Haubrich

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Mulher x Política

23 Março 2008

Apesar de as candidaturas não estarem oficializadas, todos já sabemos que a esquerda terá três redigitalizar0002.jpgpresentantes mulheres na disputa da prefeitura de Porto Alegre esse ano. A Zero Hora também, e decidiu investir no tema. Hoje, nas páginas 6 e 8, ela publicou uma espécie de perfil coletivo de Luciana Genro (PSOL), Manuela D’Ávila (PC do B) e Maria do Rosário (PT), diagramada em roxo, rosa e laranja. Esta disputa é, sim, um quadro inusitado e que merece destaque. Mas do ponto de vista político. Explico.

Com um título que remete a um cenário de ficção (“Três mulheres e nenhum segredo”), como se a disputa não fosse real, Fábio Schaffner e Klécio Santos mostram, na primeira – e pequena, já que as fotos das candidatas ocupam quase toda a página – parte da matéria, as semelhanças e as rivalidades das três. Ali nenhuma passagem merece grandes ressalvas.

O grande problema vem em seguida, na página 8, essa toda de texto. Aí o perfil. Primeiro uma introdução com a sua história política para, em seguida, lançar mão do objetivo da matéria: rebaixar as três, valorizando mais sua vaidade e seu lado frágil do que sua militância e seus ideais. Os amores das três, suas dietas, seus cabelos, suas plantas, seus gatos, seus vícios merecem destaque. Trechos como “No início do ano, [Luciana]digitalizar0003.jpg surpreendeu os colegas de plenário com um corte de cabelo mais curto, com os cachos acariciando os ombros. Antes, chegava a ficar oito meses sem podar as melenas, atitude impensável para Manuela, que cede às tesouras a cada 40 dias” mostram o nível a que desceram os jornalistas.

A “reportagem” chega a colocar peso e altura, como em uma conversa de banheiro feminino, ressaltando seu lado mulher e escondendo seu lado política, pensadora, inteligente. Este, aliás, também é depreciado em outra passagem, em que afirmam que Luciana e Rosário nunca se aventuraram pelas páginas de O Capital, de Marx, e que Manuela “tentou, mas confessa que não entendeu”. Ou seja, as três seriam falsas esquerdistas por não terem lido o livro mais comentado e menos lido da história ou seriam apenas burras?

Mais um exemplo de péssimo jornalismo, que distorce a relevância das informações e induz o leitor, de forma implícita e camuflada, a assumir uma posição na disputa política mais importante do município. Vendo sua fragilidade e sua vaidade acima da sua dedicação política, como já hierarquiza o título dessa página (“Vaidade, amor e militância”), com a militância por último, quem votaria em uma das três? Aí está a mensagem que Zero Hora tenta empurrar goela abaixo de seus leitores.

Postado por Cris Rodrigues

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No carnaval da imprensa nacional, Obama é o rei do ye, ye, ye

21 Março 2008

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Há um oba-oba na imprensa brasileira em torno da candidatura de Barack Hussein Obama à presidência dos Estados Unidos – na verdade, ainda uma pré-candidatura. Toda a grande imprensa, por algum motivo, parece clamar pela volta dos democratas ao poder, especificamente com Obama.

Ocorre que, em suas mais recentes edições, Piauí e Le Monde Diplomatique Brasil apresentaram grandes reportagens sobre o candidato, mas com abordagens absolutamente distintas.

Ainda assim, ambas explicam muito bem ao leitor brasileiro o que passa a significar uma eleição norte-americana que tem como candidato um homem com a história de Obama.

O Le Monde apresenta um panorama mais geral das eleições, tomando como gancho o “fenômeno Obama”. É o que têm feito as principais publicações nacionais, mesmo que não com a profundidade e a precisão com que o Le Monde trabalhou, através do repórter Argemiro Fereira. É um bom perfil do político, mostrando como sua história de vida influencia em sua trajetória política.

Por sua vez, a Piauí traz, em infindáveis mas agradabilíssimas nove páginas, um texto excelente de Lariassa Macfarquhar que, através de um enorme número de fontes próximas a Obama, tenta – e até consegue – trazer à tona as profundesas mais profundas do ser humano Barack.

As duas reportagens são extremamente bem resolvidas, bem checadas e com ótimos textos. Entretanto, há uma questão importante a ser resolvida: quem é Obama? O entusiasmado messias de multidões, ou o “doutoral” intelectual impassível e frio? O “fato novo” ou o democrata com um lado republicano? O oba (ma)-oba (ma) continua, mas a imprensa brasileira parece confusa na tarefa de definir um perfil mais claro do personagem que ela mesma está criando ou, no mínimo, alimentando.

Postado por Alexandre Haubrich

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Distorção e falta de informação

19 Março 2008

Não pudemos ler na imprensa testemunhos da ocupação das mulheres da Via Campesina à fazenda Tarumã, em Rosário do Sul, na semana da comemoração do Dia Internacional da Mulher. Jornalistas foram impedidos pela Brigada Militar de cobrir a manifestação. Alguns tiveram equipamentos apreendidos e uma repórter foi retirada do local.

Fugindo do mérito da ocupação dos 2.075 hectares da finlandesa Stora Enso, o cerne da questão gira em torno da liberdade de informação. A 11km do fato, fica impossível descrever com fidedignidade o que está acontecendo. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS divulgou denúncia do impedimento do exercício do jornalismo, sobre o qual pretende recorrer à Federação de Periodistas da América Latina e Caribe. A medida não foi justificada pela polícia.

Apesar disso, a mesma dita imprensa calou sobre a atitude da equipe do Coronel Mendes. A matéria da Zero Hora sequer cita a atitude da Brigada com relação aos jornalistas. Menos que na Folha de S.Paulo, lá do centro do país, que publicou míseras duas linhas sobre o ocorrido. Em ambas, assim como na grande maioria da grande imprensa, a ênfase foi dada à suposta confusão que teria marcado a tal invasão – embora na Zero Hora isso fique mais evidente -, mesmo com o repórter impedido de ver de perto o tumulto que descreve. Mais uma vez, fica evidente uma distorção no mérito da questão – pelo menos uma nota sobre a ilegalidade da ação da Brigada Militar ao impedir jornalistas de exercer sua profissão deveria ter sido dada – e a ausência de informações nos nossos maiores jornais.

Postado por Cris Rodrigues

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Sorte e raciocínio rápido

17 Março 2008

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O repórter Roberto Kovalick, correspondente da Globo em Nova York, mostrou na edição desta segunda-feira do Jornal Nacional que possui duas características fundamentais para o bom jornalista: sorte e raciocínio rápido.

Kovalick entrevistava dois amigos de Andréia Schwartz, brasileira que está presa nos Estados Unidos acusada de fazer parte do mesmo esquema de prostituição e tráfico de drogas que acaba de derrubar o governador de Nova York. De repente, não mais do que de repente, toca o celular de um dos rapazes. Não é que era a própria Andréia, que recém conseguira autorização para fazer uma ligação?

Pois Kovalick imediatamente pôs-se a gravar uma entrevista exclusiva com a garota, com questionamentos que tornaram mais próxima de nós a situação vivida por Andréia e suas posições no caso.

Ao contrário da entrevista comentada em nosso último post, as perguntas foram bem formuladas, apesar de feitas no improviso. Isso que, apesar de importante, era um assunto bem menor do que a visita da secretária de Estado norte-americana ao Brasil.

A única crítica é à edição da matéria, que tirou do ar explicações mais claras sobre a questão em si, deixando muito espaço para o furo do repórter e pouco para esclarecimentos mais gerais sobre o caso.

E alguém aí entendeu porque raios a tal da Andréia queria se bater? 

Postado por Alexandre Haubrich

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Como jogar fora uma entrevista…

15 Março 2008

Quinta-feira, dia 13, o Jornal da Globo teve a oportunidade de fazer uma entrevista exclusiva com a poderosa Condoleezza Rice, secretária de Estado dos Estados Unidos. William Waack foi a Salvador para o encontro. Detrás de enormes olheiras de quem trabalha sem parar, apresentou de lá o jornal.

O início do VT da entrevista é uma tentativa de humanizar a durona secretária, mostrando seu lado sorridente, com a fitinha do Senhor do Bom Fim no pulso. A primeira pergunta foi previsível, dadas as circunstâncias de sua visita ao Brasil, e não podia não ter sido feita.

Em seguida, duas perguntas sobre Chávez. O jornalista parecia que ia pressionar um pouco, dentro do possível, questionando sobre uma certa aversão do presidente George W. Bush pelo venezuelano, que poderia levá-la a uma contradição. Mas Condoleezza já está preparada para estas questões, e deu uma resposta diplomática, que já lhe deve ser corriqueira.

Depois, o assunto do momento: a crise entre Colômbia, Equador e Venezuela, as Farc e a relação dos EUA na história. Um bom mote para a secretária de Estado norte-americana criticar as Farc e a ação de Rafael Correa e Hugo Chávez.

Para completar, uma gentileza. William Wack deu a Condoleezza a oportunidade de descansar e conversar sobre amenidades, ao questioná-la sobre os atributos baianos.

Ao fim de menos de cinco minutos, ficou claro que a entrevista não serviu para nada. Cinco perguntas previsíveis e que não propiciam nenhuma novidade. Cinco perguntas inúteis e uma bela oportunidade jogada fora. Ou, quem sabe, bem aproveitada se a tentativa foi desviar a atenção dos assuntos importantes e alienar o espectador.

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Postado por Cris Rodrigues

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Quem tem medo do Nassif?

13 Março 2008

nassif1.jpgA Caros Amigos, como creio que todos os leitores desse blog já sabem, publicou em sua última edição uma entrevista com o jornalista Luis Nassif, atualmente um blogueiro que resolveu investir suas fichas contra a Veja. Nassif tem publicado em seu blog matérias que pretendem contar, com boa argumentação e checagem real dos fatos, o que transformou a Veja de boas e grandes reportagens na Veja de toscos e risíveis manifestos que beiram o neonazismo.

Como me propus desde o episódio “Manifesto contra Che Guevara”, não vou comentar o mérito da questão Veja, exceto no seguinte aspecto: Nassif credita a agressividade e todas aquelas características já sabidas da “revista” a interesses comerciais. Pois creio ser esse um ledo engano. Não são, como ele afirma, amadores, mas seres desprezíveis a serviço de interesses políticos além, é óbvio, das questões financeiras. Não me parece serem objetivos meramente mercadológicos os visados pela Veja, haja vista os erros apontados pelo próprio Nassif na entrevista e em seu blog.

Enfim, este post deve ser sobre a entrevista em si. Agradabilíssima. Uma entrevista de verdade, com questionamentos de verdade e não levantadas de bola como muito se faz por aí, debatendo com sinceridade os argumentos e os objetivos de Nassif a partir da criação de seu blog, além de traçar um bom paralelo de sua carreira jornalística, esclarecendo aos leitores quem é o homem que decidiu enfrentar a ferocidade da Veja.

O calhamaço de seis páginas de texto corrido tornou-se de leitura fácil, pois o que vemos ali é uma conversa, um bate-papo sobre o sub-jornalismo, a panfletagem, praticada pela dita “revista”.

Parabéns aos entrevistadores José Arbex Jr., Renato Pompeu, Thiago Domenici, Marcos Zibordi, Mylton Severiano e Sérgio de Souza, pelo bom exercício do jornalismo em sua forma mais simples e pura: a entrevista.

E parabéns, é claro, a Luis Nassif, pela coragem e pelo bom exercício do jornalismo em suas principais funções sociais: o debate e o acesso à informação.

Postado por Alexandre Haubrich