Mais uma daquelas matérias parciais da Zero Hora foi publicada ontem. Essa, sobre a “floresta” de eucaliptos na Metade Sul, assunto sobre o qual o jornal já se posicionou claramente há algum tempo.
Pois be
m, nas páginas 26 a 28 a idéia era traçar um perfil dos investimento
s da área no Pampa gaúcho (a primeira página da matéria aqui). Foi feito. Um lado dos muitos que envolvem a questão foi mostrado. Os outros, não. Apesar de defender a plantação das árvores no estado, os repórteres Eduardo Lorea, Marina Lopes, Rafael Varela e Rodrigo Santos não conversaram com ninguém da Stora Enso, da Aracruz ou da Votorantim Celulose e Papel (VCP). Não preciso nem falar sobre os ecologistas e pesquisadores sérios. Praticamente os únicos entrevistados foram alguns agricultores da região, e a matéria fica focada no perfil deles.
Ou seja, além de parcial, a matéria é vazia. Não sustenta os argumentos, pois não tem fontes suficientes.
Dissertando sobre como a plantação de eucaliptos movimenta a economia da região, a ZH esqueceu de mencionar alguns pontos importantes. Ao optar por entrevistar, do meio científico, apenas um professor da Ufrgs, da Administração e não da Ecologia, fechou os olhos para outros efeitos do processo. Não é citado, em nenhum momento, como isso vai melhorar a vida dos pequenos produtores, como vai ser feita a distribuição de renda, como vai melhorar a vida dos moradores no futuro. O motivo é simples, segundo os ecologistas, nada disso vai acontecer. Mas lendo a matéria, eu não sei disso. Só se fala em números absolutos, de PIB ou de crescimento da região, que se sabe que são parciais.
Ao mesmo tempo, a agressão à natureza nem é lembrada. Nem as questões mais diretas, como o alto consumo de água das plantações, nem as menos comentadas, como o limite do uso da terra no Sudoeste do estado, onde está se instalando a Stora Enso, que não agüenta muito tempo esse tipo de plantação. Ou seja, mesmo os números absolutos de crescimento são finitos. Mas ninguém fala disso na reportagem.
Não se fala também nas irregularidades da empresa. Aliás, não se fala em nada. Como já foi dito, foram três páginas vazias, inúteis do ponto de vista informativo. Mas úteis para os interesses do jornal e das grandes empresas, pois ajuda a ludibriar os leitores menos atentos aos detalhes.
Postado por Cris Rodrigues






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