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O futuro está no aprofundamento

22 Abril 2008

Ao final de todos os posts desse blog, duas perguntas fundamentais devem ser feitas: qual o jornalismo que temos hoje? e qual o futuro do jornalismo brasileiro?

Especificando um pouco mais essa questão, quero perguntar agora: qual o futuro do jornalismo impresso? Pois a entrevista concedida pelo novo ombudsman da Folha de São Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, à própria folha apresenta algumas alternativas e colabora para esse debate, mesmo que não traga muitas coisas exatamente novas. Outras questões são discutidas na entrevista, e não concordo com algumas das posições do jornalista, mas o mote principal da matéria é o que fazer para salvar os jornais.

Mesmo com a ascendência das vendas e da publicidade nos veículos impressos, Carlos se preocupa, e tem razões de sobra para isso. Tudo indica que logo haverá uma forte retração no setor, com a difusão da internet no país, o que ainda não ocorreu. Aí, como ele defende, a solução pode estar em tornar os jornais mais analíticos, aprofundando mais o que é tratado, sem que se preocupe em tratar tudo. Deixar essa parte para a Internet, assim como a velocidade. Tornar-se um meio de leitura realmente edificante, apresentando os pormenores das situações, não apenas o factual.

Exatamente como o entrevistado afirma, temos exemplos históricos de que um meio nunca subsitui o outro, desde que este outro adapte-se e crie novo público. O rádio reposicionou-se para sobreviver à televisão, e conseguiu, assim como o teatro em relação ao cinema e o próprio cinema em relação mais uma vez à TV. Se os donos dos jornais se antenarem, sobreviverão também.

Existem diversas outras opiniões a respeito do futuro do jornalismo impresso no mundo e no Brasil. Compartilho da idéia de Carlos Eduardo: a salvação está no aprofundamento. Não há como disputar em velocidade ou quantidade de conteúdo com a internet. O diferencial tem de ser a qualidade da informação.

Postado por Alexandre Haubrich

3 comentários

  1. Essas medidas com certeza melhorarão bastante o nível do jornalismo impresso no Brasil. Na minha opinião, os jornais brasileiros se limitam apenas a divulgar os fatos, sem fazer uma análise mais detalhada do ocorrido. Percebe-se mesmo a diferença ao comparar matérias de periódicos americanos e europeus, no entanto, nesses países a Internet já se difundiu muito mais do que em terras brasileiras.

    Abraço


  2. Por falar em ombudsman, recomendo a leitura da última crítica do Mário Magalhães, no dia 6 de abril.

    A permanência do Magalhães no cargo foi condicionada ao fim da circulação da crítica interna diária na internet. A única crítica veiculada pela Folha a partir de agora vai ser a de domingo.

    Ele não aceitou, foi embora. E num trecho da coluna, escreve: “A tendência mundial é de expansão da transparência das organizações jornalísticas. A novidade da Folha aparece na contramão”.


  3. [...] a solução é migrar mesmo para a Internet. Esse blogueiro que vos fala continua sustentando que o aprofundamento pode salvar a mídia impressa, e que um meio não suplanta o outro, mas faz com que mude em alguns [...]



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