Jornal Nacional, 22 de maio de 2008. Reportagem sobre Corpus Christi. Jornal Nacional, 6 de junho de 2007. Reportagem sobre Corpus Christi. Mais de três minutos. Tapetes de serragem, missas, choros. Qual dos dois é esse? Se o telespectador desavisado visse hoje, sem querer, a edição do ano passado, acharia sem dúvidas que se trata de uma matéria atual. Assim é nesse feriado, na Páscoa, no Natal e em qualquer data religiosa e relativamente neutra na opinião pública. Reportagens sempre iguais. Nada de criatividade.
Entrevistas com fiéis construindo o tapete colorido, o nome do padre que celebra a missa, pessoas chorando de emoção, a hóstia. Em qualquer ano, esses mesmos itens são encontrados, sempre. Todos os anos, a novidade da rotina se repete. A cada data comemorativa, se fala na estética, nas demonstrações dos fiéis e se peca em informação. Quem não sabe o que significa Corpus Christi pode passar o dia inteiro em frente à TV assistindo telejornais e vai continuar não sabendo. Vai ver tapetes de sal de todo o Brasil, mas não vai entender por que eles são feitos, além da explicação óbvia de que é representação de fé.
Um país católico como o Brasil pede que se fale sobre as datas mais importantes do calendário religioso e, de um modo geral, se contenta com a mesmice que se mantém ao longo dos anos. Mesmo sem a importância de um evento político, Corpus Christi merece destaque pela importância de um evento religioso e, portanto, cultural, representativo de grande parcela do povo. Mas merece uma cobertura criativa e completa, como não vem sendo desde que eu lembro de assistir telejornais.
Para quem não decifrou a charada, o vídeo aí de cima é da edição do ano passado.
Postado por Cris Rodrigues

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