A cobertura dos Jogos Olímpicos de Pequim tem sido como a de qualquer outra Olmpíada. Com uma pequena grande diferença. De quatro em quatro anos, é mais ou menos a mesma coisa: modalidades bizarras, a preparação dos atletas, os pré-olímpicos. E as cidades, a cultura do país-sede, a expectativa da população. É exatamente esse último ponto que tem sido tratado pela grande imprensa brasileira – e mundial – de forma nova.
Muito pouco da cultura chinesa, da riquíssima história do enorme país. Só se fala – em matéria de reportagens “extra-esportivas” – em ditadura, falta de liberdade de expressão, repressão, descumprimento de direitos humanos. E a China não é só isso. Tem isso, sim, mas não apenas. E mesmo nessas questões, os grandes veículos esquecem-se de mostrar o lado – pasmém – da China.
Deve haver um cuidado para que as questões ideológicas não contaminem o noticiário olímpico – principalmente quando o assunto foge da questão esportiva. Parece que tudo na China é ruim, tudo é repressão e tristeza. É isso. A China tem sido mostrada apenas como um lugar triste, tenebroso.
É claro que o meio político dos países-sede de qualquer Jogos Olímpicos deve ser tratado na imprensa, mas não da forma como tem ocorrido. Aliás, discutiu-se esse tipo de coisa em Atlanta, Sydney ou Atenas? Mesmo alguns jornalistas bem intencionados têm caído na conversa de boa parte da grande imprensa e pintado este quadro negro da China sem mostrar suas luzes.
Com o início dos Jogos na próxima semana, a cobertura vai intensificar-se. Torçamos, enquanto torcemos por nossos atletas, para que essa Olimpíada não seja mais uma a servir a interesses políticos, como acontece quase sempre desde Berlim-36. Nem interesses do governo chinês, nem nenhum outro, seja lá qual for.
* No próximo post, novidade no Jornalismo B.
Postado por Alexandre Haubrich


















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