Sei que o assunto chega aqui atrasado, e sei que dizem por aí que jornalismo é momento. O caso é que erramos não tendo feito esse post antes, mas não tenho compromisso com o erro e voltarei atrás. Faça, pois, de conta, que as Olimpíadas de Pequim terminaram ontem.
Quase todos concordam que a participação do esporte brasileiro ficou muito aquém do que deveria – não digo do esperado, porque esperava-se isso aí mesmo. Agora, aquém do esperado esteve a transmissão dos Jogos na TV aberta daqui. A única modalidade que teve as imagens geradas por uma televisão brasileira, o vôlei de praia pela Rede Globo, mostrou que técnica nós temos. Mas os narradores e comentaristas…
A cobertura esportiva nesse sentido foi terrível. Não vou ficar aqui enumerando os problemas do Galvão Bueno, todos sabemos. Mas a ignorância de todos os narradores de TV aberta sobre praticamente todos os esportes foi de arrepiar. Mesmo Cléber Machado, excelente narrador de futebol, demonstrou não ter-se preparado suficientemente. Luciano do Valle, Silvio Luiz e Álvaro José deram show de desconhecimento. Nivaldo Prieto até que se saiu bem, foi o único. Luiz Roberto, outro global, outro reconhecidamente limitado, especialmente graças a sua mania de imitar Galvão.
As pérolas foram muitas. Cléber reclamando das regras do boxe olímpico em vez de narrar a luta, Sílvio meio que secando o time de handebol, Galvão torcendo mais pelo Michael Phelps do que jamais torceu por algum atleta brasileira. Mas nada superou as indisposições de Álvaro José, que o fizeram arrotar – sim, arrotar – pelo menos duas vezes em transmissões de provas da natação.
Entre os papelões da vez estão também as tentativas da Globo de dar a entender que seus narradores realmente estavam lá – com exceção da estrela maior, não estavam – e de simular transmissões ao vivo quando as provas já tinham sido transmitidas pela Band. Ou Galvão perguntando, sem saber que ouvia-se sua voz, o que a Band estava passando naquele momento.
Sobre os comentaristas, as duas emissoras investiram em ex-atletas, em sua maioria, o que coloca novamente a discussão sobre diploma para esse pessoal. Para mim, o problema nem é esse papelzinho, mas a falta de vocação de alguns desses ex-atletas para a comunicação, o que tornou toscas algumas transmissões.
É claro que teve muita coisa boa também. O próprio Galvão Bueno falou bonito ao criticar, por diversas vezes, a falta de estrutura para o esporte olímpico brasileiro. Entre as reportagens, só para não deixar passar o registro, fomos premiados com maravilhas feitas por Ernesto Paglia, só para citar um exemplo.
Fica a expectativa do que acontecerá daqui a quatro anos, quando a Rede Record terá os direitos exclusivos sobre as Olimpíadas de Londres. Que faça melhor, os telescpectadores sem TV a cabo agradecem.
Postado por Alexandre Haubrich





Já foi tratada aqui no blog a série da Zero Hora sobre o
sso acontece.
as o que falta mesmo é uma discussão maior sobre o consumo da droga. Uma coisa mais ampla, que fugisse do lugar comum. Na mesma entrevista com o “traficante”, ele sugere que a “bala” deveria ser liberada. Segundo o cara, álcool e cigarro são mais danosos que ela. Essa afirmação poderia ser o mote para debater sobre o que é mais importante nessa história. Será que talvez fosse mais interessante liberar seu uso com algumas restrições? Seria mais seguro? O que dá a entender é que de fato o comprimido não é grande causador de mortes ou dependência. Tem prejuízos, sim, como o cigarro, talvez. Talvez, porque eu não sou médica e não posso atestar. E não descobri ali nenhuma informação mais concreta que pudesse tirar essas dúvidas, ninguém mais abalizado para falar sobre o assunto. Os repórteres deviam ter ido para a rave de coração aberto, para simplesmente ver o que acontece, e não com aquele olhar inquisidor, que procura o criminoso para denunciar o crime. Como acontece, aliás, quase sempre. Uma discussão mais ampla e menos preconceituosa seria mais útil para a sociedade.
José Carlos Amaral Kfouri, o Juca Kfouri, é uma das grandes estrelas do jornalismo esportivo brasileiro, e nos concedeu, por email, a entrevista que segue. Curta, por causa da falta de tempo que assola a todos, mas com conteúdo. Com passagens marcantes pelas revistas Placar e Playboy e por emissoras como a Globo, o SBT e a ESPN Brasil, Juca também esteve por alguns anos no diário Lance!. Atualmente, é colunista da Folha de São Paulo e possui o Blog do Juca.







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