Posts de Setembro, 2008

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Blogueiro não é jornalista

29 Setembro 2008

A Revista de Imprensa de setembro traz em sua matéria de capa uma discussão que se faz importante: blogueiro é jornalista?

Para esse blogueiro e jornalista, a resposta é fácil: não. Levanta-se até a possibilidade de os blogs substituirem as chamadas “mídias tradicionais” como transmissores de informação. Na minha humilde opinião, isso seria o caos. Há que se ter responsabilidade, precisão, uma ética própria da profissão, como no caso do jornalismo  – se esta ética é ou não seguida, é outra história.

O blogueiro é uma outra coisa, ainda não definida, talvez por ser um fenômeno tão recente. Talvez nem venha a ser nada definido precisamente, talvez continue sendo sempre um pouco de tudo, uma mistura, um fenômeno híbrido que englobe vários tipos de manifestações, incluindo aí iniciativas jornalísticas, caso desse blog – jornalismo de opinião, aqui.

A credibilidade, ou ao menos a pretensa credibilidade, é fundamental. Saber quem está falando dá a possibilidade de ler/ouvir/ver criticamente o material jornalístico – mesmo que quase ninguém faça isso.

Poderíamos entrar, a partir daí, na discussão sobre o diploma, mas tema de tal magnitude merece posts exclusivos, e eles virão a qualquer momento. Encerro este rápido post, um pequeno comentário sobre um assunto tão importante, com uma frase de Lucídio Castelo Branco, um dos importantes jornalistas políticos da história do Rio Grande do Sul: “o jornalismo é uma técnica”.

* O jornal Extra de ontem, domingo, teve parte de sua edição forçada a não circular por homens armados que compraram a força 30 mil exemplares no centro de distribuição. A edição trazia como manchete “Deputados em campanha mentem para garantir salário de R$ 13 mil”. Hoje, a distribuição do Extra foi feita sob escolta. Mais detalhes, AQUI.

Postado por Alexandre Haubrich

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O assunto do momento

27 Setembro 2008

O assunto já é velho, considerando que já têm outras edições circulando por aí, mas vou falar das revistas semanais da semana passada. Não há dúvida de que o assunto proncipal foi a crise econômica que abalou o mundo. Ou melhor, até há. Das quatro principais revistas semanais do Brasil, apenas três dedicaram a capa ao assunto.

A que ficou de fora foi a IstoÉ (edição não-apresentada no site), que já teve seus anos bons quando foi fundada por Mino Carta. Agora, tem pouco compromisso com a notícia e, conseqüentemente, com o leitor. Prova disso é a edição dessa semana, que praticamente ignora a pauta do momento, dedicando sua capa ao stress.

Com relação às outras três, é nítida a diferença de abordagem entre elas. A Época (edição não-disponível no site) traz na capa a chamada para 12 dicas de especialistas para lidar com a crise. Olhando apenas para a capa, nota-se que seu público alvo são os empresários. Uma abordagem capitalista, em suma.

A Carta Capital traz uma matéria sobre a crise explicando o que está acontecendo, contextualizando. Em economês, admita-se. Mas detenhamo-nos à capa. Fica claro que a abordagem vai ser de uma crise séria, mostrando as conseqüências disso para o mundo. Ou seja, o que mais interessa à maioria das pessoas, como deveria ser sempre. Aquele papo de interesse público no lugar de interesse do público. Uma diferença sutil, mas importante.

Por último, a revista que não é revista. O panfleto Veja traz uma defesa do governo americano. Em tempos em que todo o Brasil sabe que o governo Bush é um desastre e que a se critica a forma com que ele lidou com a crise, a Veja diz na capa que foi ele que salvou o mundo de um colapso. Já não é novidade a forma com que o panfleto trata o tema: mentindo e manipulando.

Mas trouxe o assunto à tona por causa da capa da Carta Capital dessa semana. Uma crítica explícita à Veja, e com toda a razão. Mostra o outro lado da moeda, o lado que a Veja ignorou. No lugar do “Eu salvei você” ao lado do Tio Sam apontando o dedo na direção do leitor da edição da Editora Abril na semana passada, a mesma imagem, com a mesma fonte dizendo “Ele não salva ninguém” na Carta. Uma grande sacada, um tapa na cara da concorrente.

Postado por Cris Rodrigues

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Assunto urgente, reportagem de qualidade

25 Setembro 2008

Entre domingo e quarta-feira dessa semana que está encerrando-se, a Zero Hora publicou uma série de reportagens sobre a Fazenda da Esperança, local de tratamento gratuito para dependentes químicos, com sedes por todo o Brasil e até no exterior (reportagens de domingo AQUI; de segunda-feira AQUI; de terça AQUI e de quarta AQUI). O repórter Nilson Mariano passou 21 dias lá, tendo se identificado como repórter e participando de todas as atividades dos internos. Escreveu, então, uma série de quatro reportagens contando histórias de internos de todos os tipos, violentados pela droga que é o assunto do momento no Brasil: o crack.

Vindo de Nilson Mariano, não se poderia esperar outra coisa que não um texto brilhante. E é exatamente o que temos. O texto é envolvente, faz as histórias correrem por nossos olhos e por nossas veias, não há como dispersar-se. Em nenhum momento se perde o fio da meada, as informações estão todas perfeitamente conectadas, há um seqüencia lógica clara e atrativa ao leitor.

As fotos também são extremamente expressivas – algumas do próprio Mariano, outras de Daniel Marenco. O projeto gráfico colabora com tudo isso, e dá ritmo e leveza às reportagens. As histórias são muito interessantes, e fazem um retrato cru, sem preconceitos ou julgamentos, dos problemas que o crack causa em pessoas das mais diversas classes sociais. Além disso, ainda estão lá cartas de viciados que pedem ajuda a Fazenda da Esperança e o diário do repórter, com impressões mais pessoais e pequenos causos de sua estadia lá.

Informação de qualidade e de extrema importância trabalhada com um texto claro e bonito. Grandes reportagens, definitivamente.

Postado por Alexandre Haubrich

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É fan-tás-ti-co!

23 Setembro 2008

Temos de convir. A idéia de uma revista eletrônica semanal é fantástica, com o perdão do trocadilho. Ainda mais no fim do domingo, finzinho da semana, início de uma nova. A linguagem da revista é mais leve que a do jornal, muito propício para o último momento de descanso antes de voltar à rotina.

Mas, e sempre tem um mas, a principal revista eletrônica do Brasil, o Fantástico, é extremamente mal-executada. Houve época em que era bom, tinha umas coisas diferentes, que não se via em nenhum outro lugar. Até aquelas imagens de bichinhos microscópicos ampliadas para o tamanho da telinha tinham o seu valor. O texto era bom, prendia. Já era, de certa forma, uma espécie de uma revista, mas ainda não tinha se assumido como tal. Interessante notar que o formato servia quando não se tinha noção dele.

Hoje as coisas mudaram. Já faz alguns anos que o Fantástico se anuncia como uma revista, mas está mais para uma de entretenimento do que para as informativas. O perfil dos apresentadores, que era para ser leve, ficou fraco. Confundiram leveza com falta de qualidade. Não precisa ser sisudo para apresentar uma revista eletrônica, mas o mínimo que se espera é que seja bom. E não se pode falar isso do Zeca Camargo e da Patrícia Poeta, como já não dava nos tempos da Glória Maria. A cara do programa mudou também. Os apresentadores andam pelo cenário, movimentam uma tela de computador interativa apenas com um toque. Inovações interessantes, pena que não sustentem um programa sem conteúdo.

O Fantástico investiu, ao longo de sua história, uma grana alta nas suas reportagens. Já faz um tempo que mandou o Zeca Camargo para uma volta ao mundo. Um belo exemplo do espírito do programa. O Zeca conseguiu não trazer nada de interessante de um passeio por países exóticos, diferentes, desconhecidos, com grande potencial. Assim é com tudo ali. Se fica no óbvio, no raso. Mesmo as boas idéias são desperdiçadas. Tem dinheiro para comprar um programa americano, se compra o pior – caso das histórias de adolescentes com problemas familiares. Muita grana, muita tecnologia, algumas boas idéias e uma péssima execução.

* A Folha fez uma entrevista bem bacana com o Danilo Gentili, do CQC. Para ler, é só clicar aqui.

Postado por Cris Rodrigues

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Entrevista com Carlos Eduardo Lins da Silva

21 Setembro 2008

Carlos Eduardo Lins da Silva cumpre atualmente a penosa função de criticar o jornal em que trabalha. É ombudsman da Folha de São Paulo. Por dois meses, o jornalista comandou o programa Roda Viva, da TV Cultura. Carlos Eduardo também já ocupou, dentro da Folha, as funções de repórter, editor, secretário de redação, diretor-adjunto de redação e correspondente em Washington. Por email, concedeu ao Jornalismo B a seguinte entrevista:

 

Jornalismo B – Qual a função do jornalismo, para ti?

Carlos Eduardo Lins da Silva – Informar com a máxima isenção possível ao público os assuntos de interesse coletivo; iluminar com textos inteligentes e pesquisa aprofundada os temas relevantes de políticas pública.

Jornalismo B – A imprensa brasileira atual cumpre essa função?

Carlos – Em alguns casos, sim, relativamente bem.

Jornalismo b – Onde (mídia, veículo e Estado) se faz o melhor e pior jornalismo do Brasil?

Carlos – Em São Paulo e Rio o melhor. Prefiro não citar veículos específicos.

Jornalismo B – A imprensa é capaz de refletir sobre seus problemas?

Carlos – A brasileira, não tem feito isso bem.

Jornalismo B – Qual a importância do espaço do ombudsman, considerando-se que a maior parte dos jornais brasileiros não possui esse cargo?

Carlos – É pequena, mas julgo importante.

Jornalismo B – Até que ponto as opiniões do ombudsman são lidas e ouvidas pela redação? Elas realmente fazem diferença no dia-a-dia ou é uma análise voltada para o público leitor?

Carlos – Não tenho como avaliar com precisão porque não participo das decisões da Redação. De longe, no meu caso, estou satisfeito por enquanto com a receptividade que julgo estar tendo.

Jornalismo B – Tu comandasses o Roda Viva por algum tempo. Como vês a qualidade dos programas jornalísticos da TV brasileira?

Carlos – Acho que é fraca.

Jornalismo B – Quais os efeitos da compra do Estadão pela Globo no mercado jornalístico de São Paulo?

Carlos – Não sei se ela vai ocorrer. Se ocorrer, terá efeitos grandes, creio, pela enorme concentração que haverá nas Organizações Globo.

Jornalismo B – Qual o futuro do jornalismo brasileiro?

Carlos – Só esperando para ver.

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Em defesa da Amazônia

19 Setembro 2008

Na última terça-feira, o Profissão Repórter (AQUI e AQUI) engajou-se na campanha maciça que a Rede Globo tem feito em defesa da Amazônia. A equipe comandada por Caco Barcelos produziu uma reportagem fabulosa, que mostra com precisão o tamanho do problema.

Por terra e ar, as equipes de reportagem percorreram 1800 km de estradas, retratando os diversos lados da questão. Entrevistas com um agricultor, com moradores assustados pelos incêndios, com ambientalistas. Aliás, os ambientalistas acompanharam os repórteres na viagem. Parece problemático, induz determinada visão, o jornalista e o telespectador acabam influenciados em demasia por determinada visão. Correta, é claro, mas uma visão, ainda assim. O que me parece – e isso não passa de um palpite – é que, com a dificuldade de acesso e de movimentação do local, acompanhar os ativistas foi uma solução prática.

O programa foi todo entremeado por necessárias explicações sobre a legislação. Dados estatísticos também estiveram presentes, na medida certa. A comparação com reportagem feita por Caco em 1988 foi outro ponto criativo e interessante para demonstrar o quanto a devastação tem sido criminosa.

Caco Barcelos entrevistou um ruralista. Sua experiência e competência indiscutíveis saltam aos olhos nesses poucos segundos. Consegue fazer as perguntas exatas, precisas, corajosas, sem irritar o entrevistado, sem desrespeitá-lo.

É claro que o programa não foi perfeito. Faltaram propostas de como solucionar o problema – a apresentação de um trecho de uma entrevista do ministro do Meio Ambiente é o único momento que se aproxima disso – e faltaram explicações sobre o que o desmatamento causa – há apenas uma rápida mensão ao fato de o Brasil ser o quarto maior emissor de carbono do mundo.

Agora, o grande mérito do Profissão Repórter apresentado nesta terça-feira, além da própria escolha do tema: as imagens. Tanto por terra quanto pelo céu, as imagens de destruição dizem mais do que qualquer fala que possa ser produzida. Clarões imensos na mata, fumaça em abundância no céu, árvores caídas… Enfim, uma quantidade incrível de imagens que berraram aos nossos olhos que a questão não é brincadeira, que a situação do momento é desoladora e que a discussão do assunto é fundamental.

Postado por Alexandre Haubrich

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Para não esquecer

17 Setembro 2008

Li boa parte da Veja 40 anos nos ônibus de Porto Alegre. Meus vizinhos de assento chegavam a se assombrar com as minhas expressões de espanto e de indignação. Como em qualquer outra edição, essa especial de setembro contém absurdos enormes (a coisa é tão forte que, ao copiar a imagem do site, o fundo branco ficou preto). Tem coisas tão gritantes que não precisam nem de comentário. Sobre algumas fica até difícil dizer alguma coisa, fica entalado na garganta, parece que não sai nada, de tão óbvio que é o ridículo daquilo tudo. Cabe só citar, me parece improvável que os leitores não pensem o mesmo que eu (os grifos são meus):

Sobre o papa: “João Paulo II não teve medo de enfrentar – e ajudar a vencer – o comunismo na Europa. Não teve medo de enfrentar – e vencer – a Teologia da Libertação na América Latina”.

Sobre Margaret Thatcher e Ronald Reagan: “Ambos deixaram a casa em ordem em seus respectivos países – mas o seu maior legado é sentido, hoje, fora dos Estados Unidos e da Inglaterra. Está na liberdade que se respira em Berlim, Praga ou Budapeste”.

Sobre a queda do muro de Berlim: “Imaginava-se que o pesadelo comunista estaria definitivamente encerrado, mas ele resiste em grotões como Coréia do Norte e Cuba, além de contar com uma sobrevida exclusivamente política no autoritarismo chinês. Como não poderia deixar de ser, o velho monstro ainda mostra sua renitência no cemitério de idéias chamado América Latina, em especial no ’socialismo bolivariano’ que Hugo Chávez quer implantar na Venezuela. Parafraseando o pai da besta, Karl Marx, é a história repetindo-se como farsa”. (Em um texto de poucas linhas sobre a queda do muro de Berlim – e jornalistas sabem o trabalho que dá resumir histórias tão compridas em tão pouco espaço -, a Veja conseguiu falar mal do Chávez!)

Sobre a oposição à ditadura: “Quando Veja foi lançada, o país estava prestes a entrar na fase mais cruenta do regime militar – e os que pegavam em armas contra ele desejavam tão-somente implantar outra ditadura. (Essa foi repetida à exaustão, em diversas páginas, de diversas formas, uma pior que a outra.)

E mais: “Um punhado de universitários, intelectuais e ex-militantes esquerdistas dividiu-se, então, em organizações terroristas. Os mais agressivos iam a Cuba para tomar aulas de guerrilha e voltavam ao Brasil para disseminar o ‘conhecimento’. Essa turma tinha como referências nativas as figuras de Carlos Marighella, antigo comunista baiano que achava razoável seqüestrar pessoas em nome de suas aspirações políticas (assim como os radicais das Farc colombianas), e Carlos Lamarca, um capitão do exército que desertou, assassinou um companheiro de armas, roubou fuzis do arsenal de sua força e passou a assaltar bancos. (…) Recentemente, as famílias de ambos receberam dinheiro público, a título de indenização, por decisão da Comissão de Anistia do governo. Uma particularidade do terrorismo à brasileira. (Na legenda da foto, Marighella é “terrorista”, e Lamarca, “assassino”.)

Sobre Gabeira na época da ditadura: “aderiu a uma organização terrorista.

Sobre Gabeira hoje: “é um dos deputados mais atuantes (no bom sentido) do Congresso, um exemplo de conduta impecável.

Sobre Leonel Brizola: “Sob sua administração, alastrou-se a favelização da capital fluminense”.

Sobre Cuba e Venezuela: “Hoje, o regime cubano, moribundo como seu chefe, tem um novo patrono: o petropopulista venezuelano Hugo Chávez”. (Essa chega a ser cruel. O título é “O mau exemplo que veio de Cuba”.)

Como já é de se imaginar, tem muito mais. Peguei só os que me chamaram mais a atenção. Alguns foi muito difícil deixar fora, mas tive que selecionar, sob pena de ficar um texto muito grande. Normalmente eu não leio a Veja, acho que faz mal e não tem necessidade. Mas às vezes é bom dar uma olhada nessas coisas pra não esquecer a que ponto eles podem chegar. A subjetividade já deixou de ser subjetiva. Está tudo ali, bem exposto. Eu ainda não consigo entender como é possível um jornal assim engambelar tanta gente. É impossível não ver.

Postado por Cris Rodrigues

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Quando o atalho acaba em um paredão

15 Setembro 2008

O principal canal de jornalismo do Brasil está preocupado em ser menos “carioca” do que tem sido. Para resolver esse problema, a Globo News resolveu mudar. Mas não pense que vão mudar algo no conteúdo. O que vai acontecer, então? Vão mudar o sotaque. Agora, o principal jornal da emissora, o Em Cima da Hora passará a ser apresentando alternadamente no Rio de Janeiro e em São Paulo, com apresentadores locais. O Entre Aspas, programa de entrevistas, também vai para SP. As informações são do Daniel Castro, colunista do Outro Canal, da Folha de São Paulo.

A Globo News realmente tem muita qualidade, programas excelentes e recursos técnicos fantásticos, além de ótimos profissionais. É onde se faz um dos melhores jornalismos da televisão nacional, sem dúvida. Porém, sempre há um porém. Nesse caso, é exatamente a falta de regionalização das informações. O foco é todo no Sudeste do país.

Por que não fazer, por exemplo, o que faz a Record News (um de seus poucos méritos), ter jornais regionais que sejam transmitidos para todo o país? Falo do Record News Sul, Record News Nordeste, etc. A Globo não teria tanta dificuldade em fazer isso. Já possui estrutura montada nas principais cidades do país. Mas prefere, simplesmente, mudar o sotaque e o local onde dois programas são ancorados. Falta é vontade real de regionalizar, isso está claro e é uma pena. Os telespectadores do restante do país, mesmo com a alta qualidade da Globo News, ficam sem informações mais próximas, vêem pela TV um mundo que não é o delas.

* Folha de São Paulo tem feito uma bela cobertura da questão do fumo e sua proibição, explorando todos os lados da história. Assunto importante, do qual a sociedade tem que ser bem informada para que possa discutí-lo. A Folha está cumprindo brilhantemente seu papel, com a competência de sempre.

Postado por Alexandre Haubrich

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Os 40 anos da (argh!) Veja

13 Setembro 2008

Os quarenta anos da Veja não podiam passar em branco. É uma revista importante? Sem sombra de dúvida. Fundada pelo jornalista Mino Carta – atual editor da Carta Capital -, ela nasceu como uma forma de combate à ditadura. Era 1968, ano do auge da repressão, AI-5 e tudo o mais. Durou quatro décadas, e agora lança um calhamaço de duzentas e noventa e duas páginas para comemorar esse feito.

Mas qual foi exatamente o feito da Veja? A sua primeira capa foi sobre o comunismo. A terceira, sobre resistência na ilegalidade. Em 1969, algumas capas traziam: “sim, temos porões”, “esperanças de mudança”, “a ditadura é para sempre?” e tantas outras formas de contestação ao regime. Mino Carta é citado na carta do editor, que diz, entre outras coisas: “É fundamental que a revista seja independente, isenta, inteligente e responsável. Que não admita pressões de governos e governantes, amigos e inimigos, acionistas e anunciantes. Que busque a objetividade. E que esteja comprometida – sempre – com a liberdade e a verdade”. Acho que eu perdi algum capítulo dessa história. Em 2005, foi capa da revista “Os dólares de Cuba para a campanha de Lula”. A foto era uma nota de dólar com a cara do Fidel. Em seguida, foi provado que aquilo era uma mentira deslavada. E esse foi apenas um dos inúmeros exemplos possíveis.

O compromisso jornalístico com a verdade hoje é praticamente esquecido em função de outros compromissos, que a Carta do Editor condena, inclusive. São compromissos com interesses, que excluem da Veja a isenção, a independência e a responsabilidade. Inteligência talvez até tenha, ou não seria capaz de lograr tantos leitores e continuar a ser a revista mais vendida do Brasil. Uma pena, aliás.

Em 2008, a foto do casal Nardoni, aquele que foi indiciado por ter matado a menina Isabella, foi seguida pela afirmação “Foram eles”. Ou seja, a Veja se coloca no lugar da Justiça e condena, sem nem direito a defesa. Assim funciona a “ética” da Veja dos tempos atuais. É interessante analisar como ela se transformou de uma revista séria, contestadora e inovadora em um panfleto conservador, mentiroso e sujo.

A mesma Carta do Editor cita, no finzinho, em letras grandes, uma afirmação de Victor Civita, aos dez anos de Veja: “O leitor sabe de que lado lutamos ao longo desses agitados, controvertidos mas certamente estimulantes anos de vida. E sabe, também, onde nos encontrará amanhã”. No amanhã de hoje, espero que no museu. Só no museu.

* O SBT passou a Record em audiência no mês de agosto, conforme informa a coluna Ooops, do Uol.

Postado por Cris Rodrigues

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Entrevista com Sérgio Xavier

11 Setembro 2008

Sérgio Xavier Filho já trabalhou no Estado de São Paulo, na Agência Dinheiro Vivo e na IstoÉ, sempre como jornalista de economia. Foi em 1995 que assumiu o posto que o fez reconhecido no país inteiro, e onde permanece até hoje: editor da revista Placar. Por telefone, entre uma reunião e outra, Sérgio concedeu ao Jornalismo B a seguinte entrevista:

Jornalismo B – Qual a função do jornalismo, para ti?

Sérgio Xavier Filho – É uma pergunta difícil porque o jornalismo tem várias funções. Eu considero que a mais óbvia é informar, tentar interpretar o mundo pro leitor, pro ouvinte, pro telespectador. Mas acho que tem outras funções que a gente vai somando e quanto mais a carreira vai caminhando, mais a importância dessas funções vai aumentando. Uma delas é a preocupação que a gente tem que ter em ajudar o leitor, o ouvinte e o telespectador a crescer, a melhorar. Às vezes injetar novas palavras nas conversas, às vezes apresentar temas que nunca foram apresentados a eles. Essa é uma das funções mais importantes. E aí a gente vai entrar num outro aspecto da profissão que é a função do jornalista dentro da empresa jornalística, e aí existe uma função também comercial. Quem trabalha num jornal tem que saber que o jornal dele não pode dar prejuízo, porque se não o dono do jornal, o patrão, simplesmente acaba com o negócio. Então tem essa responsabilidade econômica também do jornalista.

Jornalismo B – A imprensa brasileira tem conseguido cumprir todas essas funções?

Sérgio – De um modo geral, a imprensa brasileira ficou bem mais madura. Ela passou muito tempo em uma queda-de-braço, em uma briga política, resquícios da ditadura, e eu acho que essa função primordial que é informar, interpretar, foi esquecida. O jornalista muitas vezes acaba enxergando só a função política. “Nós precisamos bater no governo, precisamos estimular a democracia”. São assuntos importantes, mas não são únicos. A gente têm às vezes coisas muito mais prosaicas pra fazer. No jornalismo comunitário se falar, por exemplo, do buraco da rua, que é um assunto importantíssimo. A iluminação que não funciona no lugar onde se mora, e por aí vai. Então eu acho que a imprensa, com o distanciamento desse período de exceção, de ditadura, começou a assimilar melhor todo o seu papel. A imprensa está melhor.

Jornalismo B – O jornalismo esportivo no Brasil é extremamente voltado para o futebol. Como tu vês isso?

Sérgio – Isso é uma consequência dessa nossa característica mono-esportiva. O futebol aqui é completamente dominante. A imprensa é só uma consequência disso. Não vejo a imprensa como causa.

Jornalismo B – Quais são as diferenças de abordagem entre as diferentes mídias no jornalismo esportivo?

Sérgio – O assunto é geralmente o mesmo. Falando de jornalismo esportivo, é o futebol, são os jogadores, são os jogos. Agora, a gente pega uma mídia nova, nesses últimos anos, que é o celular. Você tem que ser curto. Tem um SMS, uma mensagem curta de cem toques, e tem que informar em cem toques, não pode passar disso. Uma revista tem o dever de aprofundar, de contar a história com mais calma, com fôlego, como se o leitor tivesse um tempo grande para fazer isso. Então tem que aproveitar esse tempo e aprofundar. E assim vai. Cada mídia tem a sua velocidade. É mais velocidade do que qualquer outra coisa.

Jornalismo B – Onde se faz o melhor jornalismo esportivo do país?

Sérgio – O jornalismo gaúcho é bem diferenciado. Temos um nível de redação muito bom e um defeito de origem complicadíssimo, que não é só do jornalismo esportivo, que é o auto-centrismo. O gaúcho é muito auto-centrado. Vê o Brasil e o mundo através do umbigo gaúcho. É difícil virar uma imprensa cosmopolita com esse vício. Agora: sim, eu acho que o jornalismo gaúcho é um dos melhores. O carioca é mais divertido, mais animado. O paulista é um pouco sério demais, sisudo. Estamos falando dos três principais.

Jornalismo B – A Placar tem uma linguagem diferenciada, mais descontraída. O público do jornalismo esportivo impõe essa linguagem diferente?

Sérgio – Sim. A Placar tem essa obrigação de ser revista, de aprofundar mais e, ao mesmo tempo, de entreter mesmo. Essa é uma característica de revista de futebol. Tem que ter bom-humor, tem que ter descontração, tem que ter essa linguagem diferente.

Jornalismo B – A especulação e o factual estão muito presentes no jornalismo esportivo brasileiro. Como fazer diferente e com qualidade?

Sérgio – O importante na especulação é não ser vazia. Tem que ter fonte. Tem que ter gente dizendo pra onde vai. Essa especulação cerebral, que só sai da cabeça do jornalista, é muito ruim. E, ao mesmo tempo, você tem um jornalismo factual muito chato, muito sem graça, que é contar um fato sem interpretar. Encontrar o meio do caminho entre a interpretação e o factual é o caminho mais interessante para o jornalismo esportivo.

Jornalismo B – Estamos vendo uma polêmica grande entre alguns jornalistas esportivos como Jorge Kajuru, Luciano do Valle… Tu vês necessidade de um jornalismo esportivo ter diploma de jornalista?

Sérgio – Não. Não vejo. Acho que é importante um diploma universitário, uma passagem universitária para dar um pouco mais de cultura para todo mundo, mas não esse diploma. E também acho essa uma falsa polêmica, porque por trás dessa discussão sobre o diploma tinha brigas pessoais etc. É mais um péssimo momento do jornalismo em que cronistas, colunistas, começam a achar que são mais importantes que os objetos em questão: futebol, jogador, campo de jogo etc.

Jornalismo B – Qual o futuro do jornalismo?

Sérgio – Acho que o futuro do jornalismo vai ser mais segmentado. A gente vai ter menos gente falando sobre tudo e mais gente com foco nos assuntos que realmente sabe. Estamos vivendo uma explosão dos blogs, em que todo mundo fala sobre tudo. É uma fase que acho que não pode durar muito, porque não é assim que funciona. A gente tem que ter um pouco mais de propriedade sobre o que fala. Para isso, tem que ter conhecimento, estudo, etc.