Posts de Novembro, 2008

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A história de uma catástrofe

30 Novembro 2008

Um texto emotivo, daqueles que arrepiam a gente logo no início, abriu a Reportagem Especial da Zero Hora de hoje. Essa carga de emoção pode prejudicar a cobertura jornalística, mas nesse caso não tem muito como fugir dela. É claro, deve-se falar das causas, das conseqüências, do passado, do futuro. Mas a abertura vai inevitavelmente ser carregada de emoção: no fechamento da edição já eram 109 mortes. Ele intercala diversas histórias de vítimas, de desabrigados, o que dá esse caráter mais sentimental, mas que confunde um pouco até que conheçamos melhor os personagens. A vantagem é que o texto faz com que insistamos na leitura. É como em um romance: no fim, já sabemos quem é quem e fica fácil de entendermos. O texto é atraente e fácil. E repito, comovente. No alto das duas primeiras páginas aparece uma espécie de uma retrospectiva dia a dia das mortes confirmadas. Parece meio mórbido – e de fato é -, mas como tratar uma situação assim?

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A matéria é a maior de todas – realmente grande para os padrões jornalísticos atuais -, e quem a assina é Carlos Etchichury e Itamar Melo. Eles dão uma idéia muito clara de como evoluiu a coisa ao longo do tempo. Entrevistam uma profissional da Defesa Civil e não só colocaram o seu relato dos acontecimentos, mas também contaram um pouco de sua história e de como ela foi afetada pela tragédia. Termina-se de ler com uma visão muito clara e estarrecedora do que aconteceu por lá. Nós sentimos a tragédia. Terminamos tristes.

imagem31A segunda matéria também é grande, embora não tanto quanto a primeira. Ela não é assinada, mas não é difícil descobrir que é a continuação do texto anterior. É como se a história fosse escrita em capítulos. Ali, o capítulo final, sabemos como terminou a história dos nossos personagens. O título chama muito para a leitura: “Acabou, Chico. Todos morreram”. Dessa vez, as histórias já conhecidas pelo leitor são intercaladas com as versões oficiais dos fatos. A visita de Lula ao estado aparece nesse texto. O tom ainda é de uma tristeza profunda e, mesmo com esses fatores teoricamente mais frios, o texto continua extremamente humano.

Ao sabermos da vida de algumas pessoas, a tragédia não é mais um número. Saber que uma criança de quatro anos morreu comove, mas saber que a menina Ester, de quatro anos, que ia para o colégio ano que vem, que brincava com o irmão, morreu, dá uma idéia muito maior de que cada um dos mortos e desabrigados têm – ou tinham – uma vida.

Para quebrar um pouco esse clima tão pesado deixado pelas duas primeiras matérias, a terceira trata de aspectos um pouco mais técnicos. É mais próxima porque trata do Rio Grande do Sul, mas é mais distante porque fala de planejamento e números, e não de pessoas. Ainda assim, esses dados também são importantes, e muito. No caso, a idéia foi boa: mostrar de que forma uma tragédia desse nível teria atingido o nosso estado, avaliar se estamos preparados para isso. Ela responde os anseios dos leitores que se preocupam com uma possível ocorrência na porta de sua casa, que atinja a sua família. Marcelo Gonzatto assina esse texto, que é mais curto, mas cumpre o seu papel. O que faltou nesse mesmo tipo de abordagem foi uma avaliação da situação de Santa Catarina. Essa é uma fallula-scha grave – não da matéria, mas de toda a Reportagem Especial -, que prejudica bastante o resto do trabalho. Faltou avaliar como estava preparado o estado, suas estratégias de prevenção, o mapeamento de suas áreas de risco etc. É claro que uma catástrofe natural não é culpa de ninguém, mas a forma de ação quando se prevê a chegada da catástrofe e depois que ela já veio é muito importante para evitar uma tragédia maior. E saber como estava a situação lá faz com que possamos atribuir a responsabilidade a quem lhe é de direito.

O mais perto que se chegou disso foi na matéria “Defesa Civil confirma 109 mortes”, mas ainda assim faltou bastante para uma abordagem realmente ampla e eficiente. Esse texto dá uma geral do que a Defesa Civil está fazendo, mas não chega nem perto de mostrar as reais condições do órgão e as condições do estado em termos de prevenção, planos de ação, resgates, alojamentos.

A matéria seguinte, um texto curtinho, “Chuva no início do sábado” não diz nada. A idéia era só mostrar como anda o tempo por lá agora, mas nem nisso foi satisfatório. O box que acompanha o texto não tem muito a ver com o texto em si. Explica o que são os desabamentos, como acontecem, como evitá-los e o que se pode fazer se eles estão por vir. É um mini-guia, não muito necessário para os leitores da Zero Hora, mas que satisfaz as pessoas que têm medo de que a tragédia possa chegar por essas paragens. Em seguida, um texto menor ainda, de serviço, sobre um hospital que voltou a funcionar. Nada a destacar jornalisticamente.

Para finalizar, a Zero Hora publicou um infográfico (para deslizamentoacessar a versão online, é preciso clicar no link do multimídia no fim do texto, que abre um pdf) explicando passo a passo o que aconteceu em Santa Catarina. Ali estão os aspectos ambientais, um mapa com o número de vítimas em cada cidade, o nível das águas, um mini-calendário dos acontecimentos e a situação das rodovias. Tudo bem resumido e bem didático.

A cobertura teve algumas falhas bem importantes. Destaco a falta de avaliação da situação dos governos e da capacidade de cada cidade e do estado como um todo de lidar com uma catástrofe. Tudo bem que uma tragédia desse porte nunca acontecera por lá, mas até onde eles estavam preparados para ir? Ainda assim, os dois primeiros textos – disparado os melhores – salvaram a cobertura pela sua grande qualidade. Eles foram trabalhados com cuidado, nota-se. E funcionam muito bem no seu propósito, que é o de mostrar claramente o que está acontecendo em Santa Catarina a partir de algumas histórias-exemplo.

Postado por Cris Rodrigues

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Aproveitando a fila

28 Novembro 2008

ca200811282000, 2001, 2003, e 2007. E agora 2008. Mais uma vez o Diário Gaúcho insiste na questão de compra e venda de lugares nas filas de postos de saúde. E dessa vez ainda põe na capa “Repórter do Diário Gaúcho comprovou a falcatrua em posto do Bairro Sarandi”. É, convenhamos, pode até ser falcatrua, mas o que será que leva um indivíduo se sentar à meia-noite na frente de um posto pra ganhar 15 pilas no dia seguinte? Tá, eu sei que é o dinheiro, mas, porra, não caberia perguntar ao insone porque ele faz esse trabalho tão agradável para ganhar tão pouco? Sei lá, não tem um papo de que jornalismo tem que abordar vários lados de uma questão e coisa e tal? Parece que tinha uma vez, ah, sei lá também…

Mas então, o que nossa intrépida repórter fez foi parar o carro, comprar a bunda que iria ficar ali sentada por ela e voltar no outro dia pra ver se o cara tinha mesmo segurado o lugar. Não conversou com ele: fechou o negócio, pagou e foi pra redação escrever a matéria. Eu não entendo porque todo marginal tem que ser tratado como um bandido, um rato podre. Esses dias aí um grupo de universitários amigos meus entrevistou o Gay Talese. O cara disse, entre outras coisas, que falta humanidade no jornalismo. Sim, Mr. Talese, tratar uma pessoa como ser humano, tentar captar a subjetividade dela, ou simplesmente conversar, não parece nada demais, e, ao mesmo tempo, é o que menos se vê. Nem culpo a repórter, que ganhou capa e ainda deve ter dado tempo de escrever a matéria e sair pra almoçar cedo, bom pra ela. Mas essa estrutura viciada…

Quase tão irritante quanto a falta de humanidade é a seguinte frase: “Apontada como uma das saídas para acabar com os aproveitadores, a informatização dos postos ainda não tem data para sair do papel”. A máquina novamente como solução de tudo, não poderia ser diferente no meio de tanta humanidade. Mas o ponto central é o seguinte: a máquina não vai acabar com os “aproveitadores”, filha querida, eles irão “aproveitar” em outro lugar. Seja por vício, por falta do que fazer, por falta de trabalho, por insônia, ou apenas por vontade de gerar manchetes aos jornalistas, o problema dos “aproveitadores” não acaba no fim da fila. E eu duvido que você não saiba disso.

E o jornal ainda coloca miniaturas de suas antigas matérias sobre o assunto para ilustrar a matéria. Dá impressão de que eles prestam um imenso serviço de vigilância dos assuntos da cidade… Na boa, que pastiche. Hoje é sexta-feira, vamos parar de falar de Diário Gaúcho e tomar uma gelada que a noite tá quente. Pare agora de ler esse blog, seu infeliz, e vamos todos pra rua abrir nossos corações. Hasta!

Postado por Ale Lucchese

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Informação como arma contra o racismo

26 Novembro 2008

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Treze anos depois de realizar uma pesquisa abrangente sobre o racismo no Brasil, o Datafolha repetiu a dose. A nova pesquisa, a comparação com a anterior, e as análises referentes, renderam um caderno especial da Folha de São Paulo no último domingo.

Foram 12 páginas dedicadas ao assunto, com uma quantidade enorme de informação. Aí o primeiro mérito do caderno: a diagramação conseguiu organizar quadros, textos e fotos de forma a deixar tudo atraente e claro. E a edição conseguiu organizar os diversos itens da pesquisa, dando importância a todos – inclusive um banal, já chegaremos lá.

A primeira página é um apanhado do que foi constatado a partir das pesquisas, e parte da pergunta mais geral feita aos entrevistados: “você se considera branco, pardo ou preto?” Aí outro mérito: a Folha foge, em todas as matérias, do senso comum, burro, tão usado quando se fala de racismo e um dos principais causadores desses problema. Usa a palavra “preto” sem medo, como usa negro, como usa branco. O cuidado para se tratar de uma questão delicada como a racial geralmente leva a atitudes tão racistas quanto as condenadas. Não foi o caso deste caderno.

A concordância com frases racistas, como “As únicas coisas que os negros sabem fazer bem são música e esporte”, caiu. A análise disso é feita na página três, em matéria da sucursal do Rio de Janeiro, parceira da redação paulista na montagem de todo o caderno. Como nas outras reportagens, são ouvidos diversos especialistas das mais variadas procedências, outro grande acerto o grande número e a grande variedade de fontes, aliás. Mostra que a preguiça, tão presente no jornalismo brasileiro, não tomou parte no caderno especial.

A seguir, matérias sobre a qualidade de vida dos negros em relação aos brancos, sobre a educação, o trabalho, a forma como as diferentes raças são representadas na televisão, posições de “negros ricos” sobre o preconceito no Brasil e, por fim, o que eu disse antes ser banal: que cores a população acha que têm 11 celebridades, como Romário, Lula, FHC e Taís Araújo. OK, é banal ao menos aparentemente. Na verdade, também tem sua importância, também é sinal de determinados conceitos e preconceitos. É só conferir os resultados. Essa é a única matéria na qual vi problemas no texto, e apenas em sua abertura, chamando a sociedade de dautônica e, assim, emitindo a própria repórter – Laura Capriglione – seu próprio (pré) conceito sobre as cores dos famosos.

O confronto de dados do Datafolha com de outros institutos deu ainda mais força às análises, e mostrou que a Folha não se importou apenas em vender seu peixe ao dedicar um caderno tão grande ao assunto. Realmente percebeu sua importância e como pode, como jornal, como imprensa, ajudar a recriar a sociedade.

Os textos sóbrios, a grande quantidade de fontes, a ausência de juízos de valor, o despir-se de cuidados burros, a diagramação, a abrangência, as análises completas. Todas essas são qualidades que gritam no caderno especial Racismo. Uma qualidade, porém, é mais importante do que qualquer uma dessas – sem as quais esta principal não apareceria, é bom dizer. Com tudo isso, a Folha de São Paulo presta um serviço importantíssimo à sociedade brasileira. A discussão, o debate incessante e completo, a abordagem de tabus, tudo isso faz com que esses mesmos tabus caiam. Só a informação à exaustão pode vencer o preconceito – no caso específico, racial. E esse caderno da Folha como sua pesquisa deram mais um passo nesse rumo.

Postado por Alexandre Haubrich

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Grandes perfis

24 Novembro 2008

digitalizar0016São treze perfis distribuídos em 287 páginas. Todos os personagens viveram no século passado. Mas não só num pedacinho do século. Eles viveram o século 20, no sentido mais profundo do termo. Viveram intensamente. Todos eles são famosos, nenhum é brasileiro. O autor, sim, esse é.

Saudades do século 20 é um livro de perfis escrito por Ruy Castro, um cara que prefere muito mais as biografias. Cada perfil tem uma média de umas 20 páginas. Alguém um dia disse que o perfil tem que ser curto, que senão não se lê até o final, que um perfil não é uma biografia, que não precisa contar a história toda.

Nesse livro, Ruy Castro conta a história toda da vida da pessoa. Resumidamente, porque Billie Holiday ou Hdigitalizar0017umphrey Bogart não cabem em 20 páginas. Mas conta do nascimento, um pouco da infância, início da carreira, auge, sucesso, fracasso, tudo, até a morte. Apresenta dados de forma bem humorada, leve, que prende. Depois de ler o perfil da Billie Holiday, o primeiro do livro, dá vontade de sair correndo a uma loja de CD’s e mandar baixar todos os dela. Sabe aquele jornalismo que estimula a querer saber mais, que dá vontade de conhecer?

Ruy Castro faz isso, mesmo que alguns – até ele mesmo, pasmem – duvidem que isso seja realmente jornalismo. Mas é. Ele faz uma pesquisa grande, estuda, ouve, vê, lê tudo a respeito da pessoa. Não entrevista, porque só perfila quem já morreu. É uma questão de distanciamento, de não ter digitalizar0018problema com fonte nem com o personagem durante o trabalho. Isso não impede a realização de um bom trabalho. Em quase todos os perfis, há controvérsias, opiniões contrárias, algumas fontes acham que foi assim, outras acham que foi assado, e não se pode comprovar qual a versão verdadeira, em muitos casos. Está certo que o autor deixa claro o que ele acha que foi verdade, e nos convence disso.

Não é um livro-reportagem, mas é um livro de jornalismo. Foi lançado já há muitos anos, mas chegou às minhas mãos recentemente, e não tem idade. Justamente por falar de pessoas que já morreram, pessoas que fizeram história, não pessoas que fizeram fatos. São personalidades de importância inquestionável, o texto é bom, a leitura vale a qualquer momento.

Postado por Cris Rodrigues

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Subjetividades na cobertura da greve

22 Novembro 2008

sala_aulaÉ foda esse lance de falar em subjetividades em jornalismo. Sempre vai ter aquele cara que não bota muita fé na gente pronto pra dizer que é tudo mania de perseguição, que nada está ali, e que não posso provar coisa nenhuma. E realmente não posso: a comunicação é bela demais pra caber num esquema. Mas isso não quer dizer, de maneira alguma, que não se pode construir textos sobre alguma coisa objetiva querendo provar ao leitor outra coisa bem diferente. E é isso que venho enxergando em Zero Hora em relação à greve dos professores nos últimos dias.

Sexta-feira, 21 de novembro, capa: “Alunos de escolas públicas garantem liderança gaúcha no exame do Ensino Médio”. Matéria: “Ensino público leva RS ao topo”. O texto é a respeito dos exames do Enem e dos bons resultados aqui da terrinha. Com toda a paz de espírito, não consigo deixar de estranhar tamanha euforia na capa do jornal, ainda mais num momento de paralisação das aulas. “Liderança”, “RS ao topo”, nehuma palavra sobre a greve deflagrada no dia 14. Enfim, será que estão tentando me vender que tudo está uma maravilha aqui? Ou então que tudo anda bem e que, se alguém quer confusão, é por outros motivos – talvez políticos, quem sabe?

Sábado, 22 de novembro, capa: “Conflito entre magistério e Piratini chega ao 500 dia de greve desde 1979″. Matéria: “Cpers X Piratini: 500 dias de greve em 29 anos”. Texto fala de um conflito que já existe, em tese, há décadas, não compara com outros estados para demonstrar se há exagero ou não, e não há nenhuma interpretação sobre o que está acontecendo agora, neste exato momento. Quer dizer então que este não é um problema do governo Yeda Crusius? Olha, se um extra-terreste lesse a matéria, diria que não, que o Sindicato do Trabalhadores em Educação (Cpers-Sindicato) vive e viverá sempre em conflito com o Estado.

Na mesma matéria de sábado, há vários depoimentos afirmando no fundo a mesma coisa: que paralisação não resolve, só desestrutura e prejudica os estudantes. Não vou me dar o trabalho de transcrever todas elas. O que resolve então? Um “papel mais atuante de toda a sociedade”, diz um subtítulo. Sim, concordo, isso resolveria todos os problemas de todos os governos. Mas não serve pra dizer que uma paralisação não é um meio legítimo de luta enquanto essa tão sonhada democracia participativa não vem habitar a terra. Ou serve? Sei lá, discutam melhor isso, não joguem uma coisa em cima da outra desse jeito.

*Pra quem gosta de me xingar e tals, por favor, não se acanhe, o espaço dos comentários também é pra isso. Mas gostaria de esclarecer que não sou a favor nem contra essa greve, e que não faço a mínima idéia do que acontece ali nas internas. Só não gosto de jornal fingindo que não dá pitaco em assunto, quando na verdade dá, e muito. Dêem pitaco numa boa, sejam parciais numa relax, mas sejam sinceros e claros. Macaquear a realidade pra vender isenção quando se está atolado até a alma de opinião: isso sim é jogo sujo.

Postado por Ale Lucchese

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As boas vindas

20 Novembro 2008

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Sabe que a vida é feita de traições. E tua companheira pode estar muito mais tua companheira. Pode estar feliz, com o coração batendo mais forte ainda do teu lado. Ou ainda pode estar se transformando em uma folha cada vez mais em branco, impassível, distante. Não interessa se ela está mais doce ou amarga, leve ou desastrada: uma hora você vai sacar que tem outra pessoa na história. E você pode quebrar os pratos, fazer vista grossa e continuar numa boa, estabelecer um acordo de amores paralelos mútuos, ou até vibrar com alegria pois acha poético ver a pessoa que ama dando para os outros como um pássaro que voa livre… cada um encara como quer e como pode.

Não interessa tua reação. Interessa que ela vai deixar pistas, e você vai sacar isso uma hora. É claro que algumas pistas são mais elementares que outras. E, esta semana, nossos jornais resolveram escancarar aos leitores suas relações extra-conjugais. Acontece que, como explica o terapeuta conjugal Lendro Marshall, o muro entre o setor comercial e as redações há muito vem desaparecendo, “permitindo que a lógica do mercado transite com naturalidade entre as notícias, os jornais e o jornalismo”. O compromisso já não é mais contigo – caro leitor – ou com você – famigerada notícia -, e sim com a máquina de calcular.

Em um artigo do Marshall que já li faz algum tempo, acho que era justamente “A queda do muro”, o jovem senhor avisava que existem vários tipos de publicidade ou de esquemas publicitários nos jornais. Além da tradicional matéria paga, que às vezes entra na negociação como um brinde, os jornais estão cheios de manobras para encher sua caixinha. Uma delas é dar as boas-vindas a grandes empreendimentos que possam possam render grossas verbas publicitárias.

Por isso não é de estranhar que, de todos os jornais de grande circulação de Porto Alegre, apenas um deles não deu capa para a inauguração do BarraShoppingSul. Pra quem ainda não adivinhou, foi o Diário Gaúcho, direcionado a camadas da população com menor poder aquisitivo. De resto, as chamadas são realmente de boas vindas (tudo com grifo nosso):

ZH: Capital festeja novo shopping

Correio do Povo: Hoje, a festa é do consumidor

O Sul: Novo shopping em Porto Alegre abre hoje

Jornal do Comércio: Porto Alegre ganha o mais moderno shopping da região sul

Mais curiosidades: Jornal do Comércio ainda preparou um caderno especial com oito páginas a respeito do empreendimento. ZH publicou a chamada logo acima de um anúncio de capa do shopping.

*Só pra deixar bem claro: não tenho nada contra relações extra-conjugais. Este post é apenas um exercício de observação, com intuito de demonstrar alguns pontos onde é mais fácil constatar que nem tudo que aparece nos jornais lá está porque é de interesse do leitor ou da sociedade. Basta ter os olhos livres e o coração tranquilo, está tudo aí, é só olhar.

Postado por Ale Lucchese

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Nada de crise, só euforia

18 Novembro 2008

yeda_zoiudaComemoração. É esse o tom da matéria da Zero Hora de hoje – página 6 – sobre a antecipação do 13º salário para o funcionalismo estadual. Não comemoração pelo fato em si, mas pela conquista do maravilhoso governo do Estado. O clima de euforia já vem no título: “Yeda pagará 13º integral e antecipado”. Só falta um “eba” em seguida. Já na capa a coisa aparece: a matéria é manchete, e logo ao lado vem uma foto grande de fogos de artifício, abaixo de um título pequeno se referindo à inauguração do shopping. Em uma olhada rápida, a leitura que se faz é de que há o pagamento antecipado e há festa. Apenas isso.

“O anúncio do 13º com recursos do Tesouro é resultado da conquista do déficit zero ainda este ano. Significa que o Estado fechará o ano com receitas e despesas equilibradas. O governo calculava chegar ao equilíbrio nas contas apenas no ano que vem, mas o comportamento da receita e a redução das despesas ao longo do ano permitirão ao Executivo fechar o fosso antes do planejado.” Olha como a Yeda é competente! É o que falta dizer explicitamente, mas está lá nas entrelinhas.

Em nenhum momento o repórter Leandro Fontoura lembra na matéria que o equilíbrio econômico do estado passou pela negação do aumento aos professores – que estão em greve, por sinal, de tão satisfeitos – e pelo aumento do salário da governadora. A greve do magistério aparece em uma frase, bem camuflada, já que a frase seguinte muda radicalmente de assunto: “O anúncio coincidiu com o primeiro dia da greve do magistério. A governadora reuniu integrantes da base aliada e do governo e parte da cúpula nacional do PSDB para comemorar a conquista”.

A governadora Yeda Crusius e o senador Arthur Virgílio, do mesmo partido, são as fontes principais. Bem no fim do texto – sabendo que a maioria dos leitores não chega ao fim do texto – está uma declaração curta do deputado Raul Pont, do PT. O repórter, aliás, explicou o que Pont queria dizer, mas escolheu uma citação difícil de entender para fechar o texto. Alguém aí ficaria muito preocupado com a situação do governo se lesse que “a população não está sendo brindada com uma virtude do governo, mas com um tremendo equívoco, cuja resultado será um enorme passivo social”?

O clima é de euforia o texto inteiro. A cada linha, a subjetividade está presente. Quando se termina a leitura, a sensação que fica é de vitória pelas conquistas do governo. Uma visão completamente parcial e equivocada que Leandro Fontoura quis passar. Fica nítido também, pelas palavras utilizadas, pelo excesso de euforia, que nada do que ele disse ali foi sem querer, que esse clima bom não foi por acaso. Ele se deu conta do que ele estava dizendo desde o início. Mais do que isso: ele fez de propósito, ele valoriza o governo do Estado intencionalmente, criando um clima positivo em torno de um governo com índices baixíssimos de aprovação. Será que a Zero Hora ainda acha possível reverter esse quadro até 2010?

Postado por Cris Rodrigues

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A melhor jornalista do Fantástico não é jornalista

16 Novembro 2008

central-da-periferiaPra variar, o quadro da Regina Casé – que não é formada em jornalismo – põe todo o resto do programa no chinelo. É divertido, dinâmico, criativo, colorido, jovial. Mas isso tudo só enriquece o verdadeiro motivo de ele ser tão bom. O Central da Periferia, agora na sua versão Lan House (o programa de hoje AQUI), trata justamente da periferia. E não é de uma forma estigmatizada, preconceituosa ou com aquele cuidado exagerado e falso para não tratar mal, sacou? É natural, simplesmente.

De repente é a identificação com seu público, a naturalidade da Regina Casé. De onde vem a fórmula eu não sei, mas ela vem tratando de um assunto importantíssimo e bem ignorado: a inclusão digital. Metade dos acessos à internet no Brasil vem de lan houses. Procura de emprego, interação com pessoas diferentes, integração com o resto do mundo. É vitrine para quem faz trabalho autônomo, leva oportunidades para as favelas, que têm milhões de pessoas no Brasil, uma parcela enorme da população. Mas isso tudo não é tratado na imprensa. Nunca.

A gente assiste TV e pega as indicações de links para sites e entra na internet em seguida. É fácil, automático. Agora as periferias. O pessoal tem TV em casa, recebe as mesmas indicações de links na internet. Mas muito poucos têm computador. Regina Casé mostra o universo dessas pessoas nessa série da Central da Periferia sobre lan houses. São 90 mil as existentes no Brasil. Aprendi no programa de hoje. Pra se ter uma idéia da importância do tema.

E não são entrevistados especialistas sobre o assunto, vendo a situação de longe. As fontes são os donos de lan houses, os lan-housefreqüentadores, os que tiveram a vida mudada por elas. Os dados oficiais estão lá, na boca da Regina Casé, mas aparecem com naturalidade, só para contextualizar o universo da periferia. Porque é ela que é importante. Ela que é o foco. Um foco raro, como já dito aqui. Raro por falta de interesse, porque merece espaço, pois faz parte da constituição do nosso país. Aliás, é grande parte dele.

Postado por Cris Rodrigues

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Sobre o Estaleiro Só

14 Novembro 2008

cp_pontal1Há semanas o projeto para “revitalização” do Pontal do Estaleiro Só vem povoando as páginas dos jornais de grande circulação de Porto Alegre. No centro da discussão, uma empresa comprou uma área municipal por um preço bastante doce, já que o Plano Diretor não possibilitava ali grandes empreendimentos. Terreno adquirido, bastava que a legislação mudasse para que o pedaço de terra virasse um incrível tesouro. Foi o que aconteceu nesta quarta-feira, quando a Câmara de Vereadores aprovou o projeto. Ao redor, fica a preocupação com o impacto ambiental da empreitada e a possibilidade de que este tipo de manobra se transforme no padrão de ocupação da orla do Guaíba.

Polêmica instaurada, não há dúvida de que as vedetes da discussão nos últimos dias foram Zero Hora (ZH)  e Correio do Povo (CP). Os dois tomaram lado na questão de maneira apaixonada, ainda que ZH seja uma virgem atrapalhada e envergonhada de expor seus sentimentos publicamente. Mesmo assim, foi uma lufada de vida na pasmaceira editorial da cidade, havia finalmente vida ali – era preciso sempre acender um cigarro e virar dois martelinhos para acalmar a ansiedade antes de folhear os dois jornais.

O Correio do Povo não só deu matéria de capa nestas quarta e quinta-feiras como sempre designava a questão como “o projeto dos espigões” (“Câmara vota projeto dos Espigões”, dia 12/11, e “Câmara aprova projeto dos espigões”, em 13/11). Na capa do dia 12 há ainda um box convidando o leitor a apreciar seu editorial: “leia editorial na pg. 4: ‘…os vereadores terão a oportunidade de mostrar se estão ou não em consonância com a vontade popular e quais os interesses que defendem…”. Iça! É briga!

Mas não concluam por aí que a cobertura do CP seja só fígado e rins. Há um trabalho esmerado de reportagem, pesquisa e considerações de diversos pontos de vista da questão. Mas também há provocação e vigilância do poder público. Em duas palavras: há jornalismo.

No CP as opiniões estão claras, bem delimitadas pelos editoriais e engrossadas pelos articulistas. Já de zh_pontalZero Hora, infelizmente não podemos dizer que haja a mesma honestidade. Arriscaria dizer que haja até jogo sujo. Quarta-feira (12/11), a manchete diz “Mais uma chance para votar o Estaleiro”. Olha só, editor, “mais uma chance” era o que eu me imaginava pedindo pras gatinhas nos meus sonhos sentimentais juvenis. Uma ponta de esperança, mais uma chance de ser feliz, mais uma chance de dar certo: nunca esperava mais uma chance de levar uma guampa ou de quebrar a cara. “É positivo, sim”, diria o poeta. Além disso, a matéria não cita o fato de que a cidade privatizou a área por um preço bem menor do que deveria se o Plano Diretor não fosse levado em consideração – não, contribuinte, você não vai ser ressarcido. Um box com uma bela imagem ainda convida o leitor a entrar em zerohora.com para ver “como poderia ficar o local”.

Aprovado o projeto, ZH mancheteia “Câmara muda futuro da área do Estaleiro”. Não há nenhuma imagem dos manifestantes contrários à aprovação, e a reportagem nem ao menos cita o fato de que muitos ficaram fora do plenário por horas, com direito a momentos de tensão. Ainda há uma retranca “Projeto terá novos obstáculos”. Cuidado mais uma vez com as palavras, brother editor. Obstáculos são coisas a serem superadas, o senhor gostaria de que os leitores ficassem pensando que tudo isso deve ser superado e o projeto deva sair do papel de uma vez? Não temos nada que ver com suas vontades, mas as expresse de maneira honesta, clara, e em editorial na mesmíssima edição em que isso foi publicado.

Desistam de bancar os imparciais. A gente sabe que não é assim, e que nunca poderá ser. Assumir pontos de vista, virtudes e limitações é um belo exercício humanizador. Quem sabe vocês ainda nos supreendam com um pouco de humanidade. E, aí sim, com um bom trabalho.

*resumo dos outros jornais: Jornal do Comércio e O Sul: cobertura burocrática e preguiçosa, com alguns artigos de opinião mais contundentes. Diário Gaúcho: dois quadros bastante simples, mas ilustrativos.

Postado por Ale Lucchese

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As revistas brasileiras e Obama (parte 2)

12 Novembro 2008

As quatro revistas semanais de maior circulação no Brasil fizeram uma ampla cobertura da vitória do candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama. Pela importância do fato, essa é a continuação de nosso último post, quando iniciei a análise dessa cobertura, falando sobre as capas, os editoriais e o material fotográfico de cada uma. Agora vamos, pois, às reportagens em si, aos textos.

cartaMesmo não dando a devida importância ao fato, a Carta Capital teve um dos textos mais completos, mais aprofundados. A reportagem principal, de Antonio Luiz M. C. Costa, traz um texto simples e limpo, de fácil compreensão, fazendo um panorama geral do assunto, abordando com profundidade e calma – em contraposição ao oba-obama geral – diversos aspectos: história dos partidos e do racismo e como essas histórias levaram à eleição de Obama, o que vai acontecer a partir de agora na América Latina, na economia, as idéias principais do presidente eleito, as diferenças dele para McCain e para o atual presidente – chamado de “Júnior” pela reportagem -, a atitude de Obama frente à fundamental questão ambiental. No meio dessas páginas, há um enorme quadro, atirado e perdido ali, com um trecho de um livro sobre os Estados Unidos, mais uma prova do interesse não tão grande da revista no assunto do momento.

Em seguida, uma matéria de Luiz Carlos Azenha faz um bom apanhado do que deve ser a política externa do governo Obama. O único problema aí são título (“Os novos eleitores”) e subtítulo (“Como os jovens e a internet animaram a disputa e levaram Obama à vitória”), que prometem um assunto totalmente diferente. Em artigo, Gianni Carta conta resumida mas claramente a repercussão na Europa. Já sob outra cartola (“Raça”), José Vicente compara a questão do racismo no Brasil e nos EUA, sem citar Obama uma vez sequer – fora no título. Por fim, uma pequena explicação sobre o holograma que a CNN usou para a cobertura das eleições.

epocaA matéria principal de Época foi escrita por Paulo Moreira Leite. Um texto inteligente e sóbrio, focado basicamente na economia e em como Barack Obama pode tentar resolver a crise financeira que abala o mundo. Deixa de lado o simbolismo da vitória de Obama e parte de cara para questões práticas. Nas duas páginas seguintes, a revista apresenta um perfil meio bobinho do novo presidente norte-americano, com dados rápidos e inúteis, como a altura e o corte de cabelo do rapaz. Perfumaria, diria o filósofo. Um artigo de Fareed Zakaria fala, de forma genérica, sobre a possibilidade de Obama ser uma inovação, sem mostrar exatamente onde. O que há de mais importante nesse artigo, porém, está dito de forma rápida em seu final: a busca do presidente pela não-polarização entre democratas e republicanos.

Depois, uma reportagem de Murilo Amaral, de Brasília, sobre o que muda para o Brasil, explicando com clareza e sem (muitos) preconceitos as posições de Obama que afetam diretamente nosso país. Digo que não há muitos preconceitos porque segue a idéia chata e birrenta de, sempre que possível, alfinetar o presidente venezuelano Hugo Chávez, mesmo que para isso seja necessário forçar a barra. Um artigo de Ricardo Amaral fecha a cobertura da Época, comemorando o significado simbólico da eleição e confrontando o novo presidente com o que este terá de enfrentar para não tornar-se uma grande decepção.

vejaDecepção, aliás, é a palavra de ordem da Veja. Por incrível que possa parecer, há ainda alguns pequenos pedaços de jornalismo por lá. O problema é que todas as matérias, em seus finais, parecem dizer “mas esqueça, ele não vai cumprir nada disso”. Até esse momento, porém, Veja ganha por ser quem mais dedicou páginas ao assunto (26) e por bons textos, como o que André Petry escreve fazendo um pequeno resumo do fenômeno Obama: quem é?, como foi eleito?, e agora?. O que aparece em todas as revistas, estranhamente, e conduz toda essa matéria, são comparações com ex-presidentes norte-americanos. Fora o final, feito da maneira recém comentada aqui, o único problema dessa reportagem é uma comparação extremamente forçada com Lula, o que não podia faltar na boa e velha Veja. A segunda matéria é da Associated Press (AP), e conta a história da luta racial nos EUA, resumidamente e através de alguns poucos personagens, como Malcom X e Martin Luther King, deixando de lado a parte da escravidão e da população em geral.

Há ainda um artigo de Hélio Santos, presidente do Instituto Brasileiro de Diversidade, alguém interessante para comentar um momento como esse. Uma matéria de Jaime Klintowitz, em seguida, põe panos quentes durante todo o texto, “mostrando” como vai ser difícil para Obama cumprir suas promessas. Mais uma matéria da AP, agora sobre as comemorações pelo mundo, é só festa até o último parágrafo, quando acontece o que já comentamos. Depois vem uma reportagem de Otávio Cabral, sobre as relações com o Brasil, sem dizer nada de objetivo, apenas acenando com a possibilidade de boas relações, para no final, novamente, dar uma ducha de água fria no leitor. Por fim, um texto inútil – para quem? – e confuso sobre a alternância de poder nos EUA, mostrando como é legal mudar de partido no poder e preparando o terreno para a eleição brasileira que se avizinha, e um pequeno comentário sobre o holograma da CNN, já falado na matéria da Carta Capital.

istoeA IstoÉ, após as excelentes fotos que abrem sua cobertura, apresenta uma reportagem de Denize Bacoccina, organizada bem linearmente – o que a torna um tanto maçante -, começando com a política interna, indo para as guerras, a América Latina, e finalizando com o Brasil, sem emitir juízos de valor. A coluna de Leonardo Attuch fala da possibilidade de Obama ser assassinado, comparando-o com outros presidentes que passaram por isso. Perfumaria pura, baboseira pura. Apenas no fim de seu texto, Attuch conta ver esperanças na eleição do democrata, e aí sim a coluna ganha interesse. Encerrando, um ótimo perfil de Obama, em três páginas, usando como fio condutor ex-presidentes dos EUA.

Foi isso o que as revistas deram sobre a vitória de Barack Obama. A cobertura, apesar de grande, deixou a desejar. Pecou pela falta de criatividade, apesar dos ótimos textos. A Carta não deu tanta importância ao fato como as outras, mas trouxe bons textos, a Veja fez uma ampla cobertura, apesar da questão das duchas de água fria. IstoÉ e Época capricharam nas fotos.  Focos diferentes, dentro da mesma esfera, sobrou espaço e faltou criatividade. Ainda assim, essa cobertura ficará marcada na história.

* Caso alguém se interesse pelo quadro comparativo que eu fiz das quatro revistas, confrontando capas, editoriais, fotos e reportagens, mande email para alexandre.haubrich@gmail.com .

Postado por Alexandre Haubrich