Fórum Social Mundial ou Fórum Econômico de Davos? Como dividir a atenção de um jornal sobre um evento e outro? Qual seria o mais relevante, que necessitaria de maior atenção de seus repórteres? Nenhum dos dois, responderia o diário Zero Hora. E mais, acrescentaria: “o único evento realmente importante no momento é, sem sombra de dúvida, o Planeta Atlântida“.
Sim, sem dúvida. O Planeta Atlântida, mesmo uma semana antes de começar, já ocupou três vezes mais espaço nas páginas de Zero Hora do que qualquer um dos dois Fóruns que estavam acontecendo nesta semana. Além disso, ocupa quatro vezes a capa. Um verdadeiro fenômeno jornalístico esse Planeta. Sim, eu me dei o trabalho de medir os espaços ocupados pelas matérias dos três eventos, desde a véspera do Fórum Social Mundial (26/01) até seu término (01/02). Confira você mesmo o resumo:
Fórum Social Mundial: 3.145 cm2 e zero menções na capa principal
Fórum Econômico de Davos: 3.348 cm2 e uma menção na capa principal
Planeta Atlântida: 9.175 cm2 e quatro menções na capa principal
Estão discriminadas todos as áreas por evento dia por dia na ZH aí embaixo. É claro que não contei a área de publicidade do Planeta, apenas as matérias pretensamente jornalísticas relacionadas ao evento. Se contasse, bom, precisaria de mais uns dois dias pra fazer os cálculos.
Fórum Social Mundial
- Segunda-feira, 26/01/09
245 cm2 (p.08 caderno principal)
- Terça-feira, 27/01
733 cm2 (p.10, 14 e 20 do caderno principal)
- Quarta-feira, 28/01
631 cm2 (p.12 e 15 do caderno principal)
- Sexta-feira, 30/01
513 cm2 (p. 21 do caderno principal)
- Sábado, 30/01
582 cm2 (p. 10 e 14 do caderno principal)
- Domingo (01/02)
441 cm2 (p.12 do caderno principal)
Ao todo 3.145 cm2 e zero menções na capa principal
Fórum Econômico de Davos
- Segunda-feira, 26/01/09
118 cm2 (p.16 caderno principal)
- Terça-feira, 27/01
697 cm2 (p. 14 e 20 do caderno principal)
- Quarta-feira, 28/01
2098 cm2 (p.04, 05 e 15 do caderno principal)
+ menção na capa principal
- Sexta-feira, 30/01
nenhum cm2 (p. 21 do caderno principal)
- Sábado, 30/01
nenhum cm2 (p. 10 e 14 do caderno principal)
- Domingo (01/02)
441 cm2 (p.12 do caderno principal)
Ao todo 3.348 cm3 e uma menção na capa principal
Planeta Atlântida
- Segunda-feira, 26/01/09
231 cm2 (Guia Hagah)
- Terça-feira, 27/01
nenhum cm2
- Quarta-feira, 28/01
925 cm2 (capa do Segundo Caderno)
+ menção na capa principal
- Sexta-feira, 30/01
702 cm2 (capa do caderno Kzuka)
2105 cm2 (p. 04, 05 e 07 do Caderno Kzuka)
+menção na capa principal
- Sábado, 30/01
926 cm2 (capa do Segundo Caderno)
1383 cm2 (p.04, 05 e contracapa do Segundo Caderno)
+ menção na capa principal
- Domingo (01/02)
972 cm2 (capa Donna ZH)
1077 cm2 (p. 04 e 05 do caderno Donna ZH)
854 cm2 (capa do caderno TV+SHOW)
+menção na capa principal
Ao todo 9.175 cm3 e quatro menções na capa principal
O leitor mais atento deve ter percebido que as áreas de quinta-feira não entraram nos meus cálculos. Isso se deve a um motivo bem simples: eu perdi o exemplar deste dia. Mas, pode ter certeza, caro leitor, isso infelizmente não muda nada.
Postado por Ale Lucchese


mais de uma associação de recicladores e do órgão da prefeitura responsável pelo assunto. Traz, ainda, o que a prefeitura pretende fazer para resolver o problema, ou ao menos para diminuir os efeitos da crise.

O cara tem sido um sopro de vida nas páginas cada vez mais viciadas de Zero Hora, e é por isso que já viemos há algum tempo acompanhando os passos de Gabriel Brust (
Pensei em escrever hoje uma comparação entre os principais jornais do Brasil na cobertura da posse do Obama. Mas olho pra eles e vejo algumas diferenças na foto, algum tom de manchete mais pra cá, um lead mais pra lá. Mas fora isso está tudo muito igual. Então decidi falar um pouquinho de outra coisa que me chamou a atenção.
manchetes de todos os grandes jornais brasileiros. Não há como negar, isso representa que pra Globo a audiência é de fato o único fator a orientar a sua grade de programação, a ponto de ela não poder sacrificar um capítulo de uma novela em um único dia. Infelizmente, é com esse tipo de Jornalismo que temos que lidar no Brasil hoje, porque esse não é um privilégio da Globo (está lá na Zero Hora: Globo, Band, SBT e Record passam flashes da posse e fazem a cobertura apenas nos jornais). Esse é o Jornalismo com o qual lidamos e o qual temos que transformar, para podermos fazer alguma coisa de útil pelas pessoas. Afinal, a função social de cada profissão deve vir em primeiro lugar. Especialmente em uma profissão tão enraizadamente social como essa.
Hoje a globo.com publicou
mesmo jeito. Foi o caso do CQC ao se encantar com o discursinho do candidato a prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes, que prometia mudar sua agenda e dar a primeira entrevista depois de eleito aos rapazes de Marcelo Tas. Não deu. Bem feito.
A imprensa brasileira mais uma vez está se manifestando sobre um caso polêmico, criando uma opinião, forçando a barra. Agora o alvo da vez é o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o italiano Cesare Battisti, condenado na Itália a prisão perpétua.
A revista britânica The Economist publica todo fim de ano uma edição de perspectivas para o ano seguinte, The World in …. No ano passado, ela decidiu publicar uma versão brasileira e, segundo o editorial da revista que chegou às minhas mãos, foi a The Economist que escolheu a Carta Capital como parceira. O resultado é O Mundo em 2009, que começou a ser vendido no Sudeste em dezembro, mas chegou às paragens gaúchas esse mês (não encontrei link para nenhuma das versões).
migrações para as cidades e para o estado. Não se fala em um crescimento desenfreado das cidades-polo, que atraem a maioria dos jovens migrantes. Não se fala do prejuízo para a agricultura nem se comenta que a migração do campo para a cidade aconteceu de forma muito intensa no século passado e agora esse fenômeno se repete. Faltou uma abordagem mais ampla, que fugisse apenas de histórias e previsse o que essa migração descontrolada pode acarretar. Faltou, enfim, uma análise do acontecimento, como geralmente acontece nos jornais diários. As reportagens especiais, como essa, deveriam ser o espaço onde os jornalistas se permitissem fazer um aprofundamento maior dos temas. Infelizmente, não foi o que aconteceu.
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