Posts de Fevereiro, 2009

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É nóis na crise!

28 Fevereiro 2009

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O Segundo Caderno da ZH de hoje traz uma matéria a respeito do pianista Sérgio Mendes e seu disco, no qual interpreta obras de Debussy. Très chic. Mas era um texto quadradinho, meio burocrático, parecia um texto assim… assim… assim de agência de notícia. Não, não tinha o tom de proximidade com o leitor, nem uma certa leveza e humor que vem caracterizando os textos do Segundo Caderno. “Não, isso não é o Segundo Caderno”, pensei. E não era, era um artigo assinado por um tal de Folhapress. Mais para frente, um tal AG assinava um outro artigo. Mas o que está acontecendo? Cadê os repórteres? Por que trocá-los por material de agência de notícias?

Não é só Segundo Caderno, nem só a Zero Hora. As matérias de agência estão alcançando protagonismo cada vez maior em todos os veículos do estado, despersonalizando nossos jornais – “entidades que tem alma”, como diria o mestre paranormal Geraldo Canali. Despersonalizar um jornal é macular sua alma. Ou seja, estamos começando nosso fim. E por quê?

Há duas hipóteses: ou nossos jornalistas estão de férias, ou está faltando gente pra fazer matérias e é mais barato comprá-las prontas. Eu ficaria com a segunda, por um motivo bem simples: hoje encontrei um camarada que trabalha num dos maiores veículos de comunicação da nossa província. Daqui a dois meses o contrato de trabalho dele vai vencer. Ele não será efetivado, e ninguém entrará em seu lugar. A vaga vai ser simplesmente fechada. Fechada. Quanto menos gente na folha de pagamento melhor. Sim, é a tão esperada crise chegando. Atenção suicidas, agora é a hora de vocês subirem na ponte.

Mas pensem pelo lado bom: já que futuros jornalistas vão ficar inevitavelmente sem emprego pelos próximos anos, quem sabe eles então venham trabalhar aqui no Jornalismo B ou em outra mídia alternativa. Se não é para ganhar nada, que pelo menos ganhem nada fazendo o que gostam, não é mesmo?

*É uma vergonha sem tamanho a biblioteca da Comunicação Social da UFRGS não ter NENHUM livro do jornalista mais importante do século XX, sir Hunter Thompson. Lamentável. Do Pedro Bial tem dois livros, com sete exemplares no total. Do Hunter não tem absolutamente nenhum. Esse dado demonstra com precisão que tipo de formação as escolas jornalismo do país buscam oferecer aos seus estudantes.

Postado por Ale Lucchese

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Só polícia e esporte

26 Fevereiro 2009

rbs-tvO RBS Notícias de hoje deu uma nota pelada (a apresentadora leu a notícia sem mostrar nenhuma imagem) sobre o Caso Detran, uma matéria sobre a morte do ex-assessor do governo do estado Marcelo Cavalcante, uma reportagem sobre vendas casadas serem a maior causa de procuras ao Procon, matérias de esporte e de polícia. E assim acontece na maioria das edições.

Ao contrário do que possa parecer, as notícias ao meu ver mais importantes, aquelas duas de política (sendo que uma foi apenas uma nota pelada), ficaram lá do meio pro fim do jornal. As duas apresentadoras (Cristina Vieira e Cristina Ranzolin) abriram com mortes, assaltos, crimes. No segundo bloco, o Procon, a nota pelada e o caso Marcelo Cavalcante. Para finalizar, o Grêmio na Libertadores, o Inter no Gauchão, tudo nessa ordem.

rbs-nÉ só dar uma espiada no site do programa. Os destaques são:  O depoimento de uma jovem presa no Litoral Norte desvendou a morte de um representante comercial no Vale do Sinos; Homem sob efeito de crack foi preso após balear a filha e a esposa em Viamão; O Grêmio abusou das chances de gol perdidas e não passou de um empate na estreia da Libertadores” (grifos do site).

Fico imaginando que jornal seria se fosse impresso. Grita: Diário Gaúcho, talvez com um toque a mais (bem de leve) de política e um a menos de sexo. Polícia e esporte dominam o telejornal. E interesse do público me parece um motivo muito fraco para justificar essa fórmula. Se assim fosse, o Jornal Nacional não seria tão assistido, e o público no Rio Grande do Sul não é inferior ao do resto do país. O que falta é responsabilidade social, como, de um modo geral, em todo o grupo RBS se deixa a desejar. O nível é realmente baixo, o telejornal parece aqueles “espreme que sai sangue”. Ninguém avisou, mas essa fórmula já está ultrapassada, e é possível fazer um jornalismo melhor. Basta querer.

Postado por Cris Rodrigues

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Dois pesos e duas medidas

24 Fevereiro 2009

pedro-lucianaO Carnaval não deixa muito espaço pro Jornalismo nos nossos jornais. Qualquer coisa que aconteça hoje no mundo perde para escolas de samba, mulatas, festas. Até o caso PSOL esfriou aqui pelo Rio Grande do Sul. E é dele mesmo que eu quero falar. Dele e da cobertura da Zero Hora.

Não foi em uma edição apenas do jornal. Todas as vezes que a Zero Hora citou as denúncias do PSOL ao governo do estado, foi com uma referência explícita à falta de provas, sempre destacada no título. E assim foi na ZH, na Folha, no Estadão. “Sem provas, PSOL acusa governo Yeda” e por aí vai.

Ok, jornalista tem que questionar mesmo, tem que exigir as provas, não pode acusar ninguém de nada de forma leviana. O que choca é que isso só é feito quando interessa, há uma política de dois pesos e duas medidas. Na mesma semana, por exemplo, dia 20 de fevereiro, a Zero Hora entrevistou o líder do PSDB na Câmara, José Aníbal, e estampou o título “Tarso conspira contra Yeda”. Fiquei procurando onde dizia que não havia provas, onde se questionava com que base o deputado dizia isso, mas não encontrei nem uma coisa nem outra.

Agora imagina se fosse alguns anos atrás, quando o governador do estado ainda era o petista Olívio Dutra, se as denúncias fossem feitas pelo antigo PFL. É só um exercício de imaginação, que fique claro. Mas a perseguição política era tão grande naquela época que eu sou capaz de apostar que Olívio já seria estampado como culpado, desde o primeiro dia. Está certo, são apenas suposições e não estou trabalhando com fatos concretos do Jornalismo, mas não tenho dúvida de que seria assim. É o que se pode constatar a partir de uma simples análise do tratamento dado a diferentes setores políticos e sociais aqui no estado. Um exemplo concreto a comparar seria o caso do mensalão do governo federal, quando a mídia, inclusive a gaúcha, não questionou as acusações do deputado Roberto Jefferson quando ele as fez. A política de dois pesos e duas medidas é realmente preponderante, e ficou bem clara nesse último caso da política gaúcha.

Postado por Cris Rodrigues

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Donos da Mídia escancara problema do uso político da informação

22 Fevereiro 2009

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O site Donos da Mídia deveria ser assunto em todos os meios de comunicação do país. Não o é por motivos os mais óbvios, mas sobre os quais pouco se reflete. Pouco se reflete exatamente porque projetos como o Donos da Mídia não são mais divulgados pela grande imprensa. O círculo é vicioso, viciado e viciante, e sair dele é um desafio dantesco.

O Donos da Mídia é uma iniciativa de pesquisadores de algumas universidades brasileiras – não consegui identificar quais, sei apenas que o coordenador, James Görgem, é ligado a UFRGS. É um projeto experimental, cujos participantes buscam forma de manter permanentemente. Através de dados coletados em diversas – muitas mesmo – fontes, o site traça um mapa completo de quem controla a mídia brasileira. Não faz juízos de valor, não julga ninguém nem nenhuma atitude, apenas conta quem é quem no jornalismo brasileiro.

As formas de consulta são as mais variadas. Pode-se tomar por base os grandes grupos, os empresários, as redes. Pode-se ver as ramificações regionais – em seus galhos mais dispersos -, os políticos donos de empresas de comunicação, pode-se pesquisar a partir de determinado tipo de mídia – TV’s abertas, fechadas, rádios, rádios comunitárias, jornais… -, pode-se entender todas as ligações, as mais estreitas e as mais escusaoligopolios, entre conglomerados. E cada veículo citado no site possui sua ficha técnica, com informações mais específicas.

O site é completo, uma fonte de pesquisa fundamental para quem deseja informar-se sobre como a mídia se distribui no Brasil, e fundamental para quem quer entender um pouco como funcionam os grupos e como certas leis são descumpridas. A discussão sobre a concessão das emissoras de TV, por exemplo, é abafada antes que qualquer espirro espirre. Qualquer debate sobre imprensa é barrado desesperadamente antes de chegar aos ouvidos ou olhos da sociedade.

O Donos da Mídia escancara, sem precisar gritar, o fato sabido de que a Constituição é descumprida pelos oligopólios da comunicação e de que o jornalismo é usado para interesses cada vez mais escusos e cada vez mais normais. É um alerta, que a mídia insiste em ignorar, mas para o qual a sociedade tem o dever e o direito de abrir os olhos e a boca.

Postado por Alexandre Haubrich

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Viva você, Homo sapiens!

20 Fevereiro 2009

Seguindo a proposta da pluralidade de opiniões, outro estudante de jornalismo da UFRGS escreve para o Jornalismo B. Douglas Skrotzky assina o artigo.

piauiPersonalidade. É disso que quero falar. Não, pensando bem, não é exatamente esse o substantivo que me instiga agora. Talvez, amigo leitor, a palavra certa para esse momento seja humanidade. É, para ser bem sincero, não pode ser outra coisa. A tal palavra só pode ser essa. Deixe-me ver se consigo explicar e me fazer entender.

Convidado a deixar aqui um rastro meu nesse pequeno oceano de opiniões fortes, não consigo encontrar, mesmo garimpando bastante, um melhor modo de expor uma idéia que não seja colocando “gente” no meio da história. As pessoas, que encantam, fazem e desfazem o mundo, precisam estar nas narrativas que contamos. São elas que, obviamente, humanizam a narrativa e que, por reflexo, aproximam os leitores, os ouvintes, enfim, as próprias pessoas.

Lendo uma pequena entrevista que meus colegas e eu tivemos a oportunidade de fazer com Gay Talese, apreendi uma coisa que, espero, guarde para a vida toda. Não tenho a revista-fonte agora em mãos, mas, com ajuda da memória, posso reproduzir o que ele disse. Segundo Talese, nós, jornalistas e futuros jornalistas, estamos perdendo a oportunidade de incluir pessoas, a tal gente comum, no discurso. Estamos jogando fora a chance de contar bem nossas histórias. Escrever sobre a crise nos mercados de todo o globo e só de falar de cifras, porcentagens e variação do câmbio não traz o púbico para o texto. Pelo contrário, é um grande repelente. Para o expoente jornalista, nada seria mais eficaz do que contar a história de alguém que, pode crer, sofre na pele os reflexos da crise. Entender o fenômeno pelo cidadão que perdeu o emprego, que teve diminuição na renda ou qualquer outra consequência é, sem dúvida, muito mais marcante. A humanidade, amigo leitor, é o que movimenta e impulsiona o trabalho jornalístico.

Das leituras que me passaram pelas mãos essa semana, preciso destacar uma. A edição 29 da Revista Piaui não deixou a peteca cair e, na humilde opinião de quem aqui escreve, continua acertando a mão no trabalho. Para começo de conversa, a revista é grande, com textos maiores que a maioria e menos óbvios. Confesso que tenho alguma simpatia pelo jornalismo um pouco mais literário, mas não é por isso que aponto aqui a publicação. O que mais me chamou a atenção é a quantidade de perfis que compõem a revista. Destaque especial para a matéria “Dois para lá, dois para cá”, de Marcos Sá Corrêa. Traduz exatamente o que eu tentava dizer nos parágrafos anteriores. Conta, simplesmente, a vida de um homem comum. Na verdade, fala da trajetória de um garçom que trabalha no gabinete do prefeito do Rio que, nas horas vagas, também dá aulas de dança. Está ali a transição do governo César Maia para o seu sucessor no comando da capital fluminense, Eduardo Paes, vista sob o prisma de um cidadão carioca que, digamos, muita coisa viu e continua vendo. Uma idéia bastante simples, mas muito bem realizada e criativa. Quem tiver a oportunidade de dar uma rápida espiada pela revista, eu indico a matéria.

Para terminar, além de agradecer aos queridos amigos que tocam firmemente o blog, uma mensagem: é hora de corrermos atrás. Chega de preguiça. Basta de frieza. Vamos em busca das pessoas, do tal “povo”, que, “ele” sim,  tem grandes histórias para nos contar. É dessa água, abundante e incrivelmente diversa, que temos que beber. Não sei… para mim, essa é a saída.

Artigo do colaborador Douglas Skrotzky

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Dai-me Novo Jornalismo

18 Fevereiro 2009

“‘Você sabe o que vai te acontecer?’ A voz vinha direto da noite amazônica, meticulosamente vestida de calças pretas, camisa branca e gravata preta. Olhando ao redor, vendo a floresta espaçar-se em céu, uma lua maciça georreferenciando nossos passos em direção à única fonte de luz emanando na Terra naquela hora, só conseguia pensar que o que tivesse que acontecer já tinha começado a acontecer fazia algum tempo. E era forte o suficiente para ter me levado até ali(…)”

Tive convulsões, me debati, quebrei alguns móveis, dei nove cambalhotas, cocei inenterrupetamente o sovaco por três horas, e passo enxugando duas lágrimas marotas desde o momento em que me deparei com essas linhas acima: alguém não apenas as escreveu, como também conseguiu publicá-las. E numa revista de circulação nacional.Eia!  Arriba! Dá-lhe! É nóis!

O trecho é de uma matéria de Maurício Monteiro Filho, na qual ele conta como foi a primeira vez que chapou o coco com o Santo Daime – venerável chá agora candidato a patrimônio cultural brasileiro -, e foi publicada na revista Rolling Stone. O tal Monteiro, de quem infelizmente ainda não tinha ouvido falar, não é apenas hábil em fotografar instantes decisivos com palavras. Na matéria citada, o repórter demonstra uma das características mais raras e mais estupidamente poderosas que um jornalista pode almejar ter: sabe se posicionar na cena, sacar seu papel na matéria, seu lugar como uma das forças também atuante naquele cenário. E transparece tudo isso ao leitor.

Sim, empolga ver isso. Esses dias aí fiquei lendo o livro do Tom Wolfe sobre o Novo Jornalismo – aquele Radical Chique e o Novo Jornalismo… Pois é, é meio triste, chega até a beirar a depressão, mas a gente constata que pouca gente aqui tentou ou quis entender o recado. O que impera aqui é o texto frio, a falta de pesquisa, a intolerância à subjetividade. E à criatividade.

Há uns dois anos atrás, dois colegas meus de graduação fizeram uma grande reportagem sobre o Santo Daime. Eles emborcaram cada qual o seu copo do chá e voltaram para nos contar como foi essa viagem e muitas outras coisas que envolviam esse mundo ayahusqueiro. O trabalho virou destaque e por isso foi enviado pela orientadora a um ilustre senhor que ganhava seu pão em um meio de comunicação de massa e que, por ali trabalhar, era chamado de jornalista. A intenção era que ele desse um parecer a respeito do trabalho. O tal “jornalista” não apenas desdenhou a reportagem, mas também a qualificou como uma desculpa para dois jovens irresponsáveis se aventurarem a provar um psicotrópico.

Sorte que os dois “aventureiros” tinham personalidade e segurança em si próprios suficientes para não se abalarem com a conversa. E agora, vendo essas páginas brilhando aqui na minha mão, percebo mais uma vez o quanto podemos confiar em Tom Wolfe e em todos esses outros grandes. Porque é preciso participar de tudo com toda nossa dimensão humana para esgotarmos por inteiro uma grande pauta. Porque é preciso contar essa história com toda essa dimensão humana. Porque toda nossa dimensão humana não cabe nas peguntas o que? quem? quando? onde? como? e por quê?

Postado por Ale Lucchese

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Uma dica sobre o que semeia livros

16 Fevereiro 2009

Esse é mais um artigo de um colaborador do Jornalismo B, Ismael Cardoso, estudante de jornalsismo da UFRGS. Segue a tentativa de tornar ainda mais plural o debate estabelecido por aqui.

Acho que a maioria faz assim: lê um release, troca uma palavrinha aqui, outra ali, e pronto: tá lá, publicada e assinada, uma crítica a uma exposição ou a um filme novo. Ou então lê a orelha de um livro e sai fazendo pergunta pro escritor e, num passe de mágica, uma entrevista de página inteira.

É o que eu consigo concluir pelo que eu ando lendo nos suplementos diários de cultura e variedades aqui no sul do mundo. Parece que falta vontade, falta análise, falta trabalho duro. Falta suar tinta por um texto bacana e que ajude o leitor entender um novo fenômeno cultural ou pensar no que há por trás do CD que chegou fresquinho nas prateleiras.

Mas há exceções. E eu acho que esses nomes que se destacam devem ser lembrados. Esse post vai mais como uma dica: vale a pena prestar atenção quando se deparar com um texto assinado por Carlos André Moreira, repórter do Segundo Caderno da Zero Hora e editor do blog Mundo Livro.

Dono de um texto despretensioso e agradável de ler, dá pra sacar que ele realmente sabe do que está falando. Das vezes que eu esbarrei com ele por aí, estava sempre com um inseparável livro nas mãos. E aberto e sendo lido, importante dizer.

Pra quem curte listas, crítica ou boas sacadas, vale a pena dar uma olhada no blog de vez em quando.

Artigo do colaborador Ismael Cardoso

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Falha nossa

15 Fevereiro 2009

Caros leitores

Ontem, dia 14 de fevereiro, deixamos de postar por problemas editoriais. Foi nossa primeira falha desse tipo em quase um ano e meio de Jornalismo B, e faremos o possível para que não aconteça novamente.

Para quem acessou ontem em busca de um novo artigo, pedimos desculpas, e informamos que amanhã, 16 de fevereiro, a frequência volta ao normal, ou seja, com um post a cada dois dias.

Postado por Os Editores

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E na Amazônia…

12 Fevereiro 2009

holycowNão posso nem ouvir falar em Amazônia. Coisa bagaceira. Vértice apatetado de todos os lugares comuns. É claro que todo mundo vai dizer que quer preservar, que é o tal do patrimônio da humanidade, e que é nosso e que sei lá mais o quê. Que papinho…

Pois quem veio me aplicar essa conversa recentemente foi o jornal Zero Hora. No dia 02 de fevereiro, a ZH teve a cara de pau de fazer um editorial com o antídoto para a devastação da floresta: uma combinação de “ocupação com preservação”. Não explicou como isso seria possível, até porque provavelmente não seja possível. Mas isso não seria tão ruim se a própria ZH não traísse a si própria na mesma semana.

No dia 06 de fevereiro, um dia após o planalto ter aprovado que agricultures podem devastar 50% de suas áreas florestais, ao invés dos 20% antes permitidos, ZH publica apenas uma discreta e positiva matéria. Sim, agricultores e pecuristas do Mato Grosso e do Pará podem desmatar mais que o dobro da área que lhes era permitida anteriormente para plantar e engordar gado. E aquele valente ZH do editorial faz uma matéria com o título “Mais agricultura na Amazônia”. Por que não “Menos áreas de preservação na Amazônia”?

A única fonte que aparece na matéria é uma fonte oficial que diz assim: “Aparentemente é uma flexibilização, mas, objetivamente, você ganha mais condições de cumprir a lei”. Em resumo, como ninguém cumpria a lei, a lei mudou. Simples assim. O repórter aceita o argumento e passa adiante.E não procura outra fonte.

É assim, sem o mínimo tesão de ir mais fundo numa das pautas mais importantes deste mês, que  ZH consegue demonstrar que é um jornal igual a qualquer outro: divulga uma política editorial e pratica outra bem diversa.

No entanto, sabe o que é o pior de tudo nessa história? É que talvez ZH tenha sido um dos veículos nacionais que mais dedicou espaço ao assunto. É, meio ambiente parece mesmo ser pauta apenas para editorial e discurso.

* Agradeço à Thais pela precisa sugestão de tema.

** Imagem de Michelle Bates

Postado por Ale Lucchese

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De Trivela

10 Fevereiro 2009

capa final.inddPense rápido: revistas brasileiras de jornalismo internacional. Hein? Pois é, é difícil. Le Monde Diplomatique Brasil, revista com origem fora daqui e com a maioria das reportagens produzidas por jornalistas estrangeiros, parece ser a única. Mas não. Temos mais uma, ao menos, e ela é também uma revista de jornalismo esportivo. Jornalismo esportivo internacional. A Trivela.

Diferente da Placar, já comentada por aqui, a Trivela tem textos geralmente mais sóbrios, assim como suas manchetes, abordagens, fotos e planejamento gráfico. A seriedade pauta a revista, direcionada a um público bem mais seletivo que a Placar. Na verdade, a única semelhança entre as duas é tratarem de futebol. A Trivela trata, prioritariamente, de futebol internacional.

São análises, reportagens aprofundadas e críticas, com muita opinião e muita informação de qualidade. Um meio importante para quem gosta de acompanhar os jogadores brasileiros fora do país e os grandes craques estrangeiros – geralmente quem tem TV por assinatura e, assim, um público mais restrito.

capa dunga.inddUm mérito da revista é não se ater aos grandes clubes e os grandes jogadores da Europa. Times pequenos e jogadores desconhecidos também têm espaço, assim como os outros continentes, num esforço de reportagem recompensado por informar com precisão e de forma completa. Às vezes passa do ponto na opinião como, por exemplo, quando estampou na capa “Pede pra sair”, com uma foto do técnico da seleção brasileira, Dunga.

O site da Trivela também é muito bem organizado, dinâmico, e traz um blog atualizado diariamente com informações recém saídas do forno e comentários sobre o futebol mundial.

Menos famosa que a Placar, com outro tipo de abordagem, mas também de excelente qualidade e precisão, a Trivela é uma das únicas revistas brasileiras de jornalismo internacional. E honra o posto, com bons textos, bons temas, diagramação organizada e bonita e, principalmente, muita informação diferenciada.

Postado por Alexandre Haubrich