
O Segundo Caderno da ZH de hoje traz uma matéria a respeito do pianista Sérgio Mendes e seu disco, no qual interpreta obras de Debussy. Très chic. Mas era um texto quadradinho, meio burocrático, parecia um texto assim… assim… assim de agência de notícia. Não, não tinha o tom de proximidade com o leitor, nem uma certa leveza e humor que vem caracterizando os textos do Segundo Caderno. “Não, isso não é o Segundo Caderno”, pensei. E não era, era um artigo assinado por um tal de Folhapress. Mais para frente, um tal AG assinava um outro artigo. Mas o que está acontecendo? Cadê os repórteres? Por que trocá-los por material de agência de notícias?
Não é só Segundo Caderno, nem só a Zero Hora. As matérias de agência estão alcançando protagonismo cada vez maior em todos os veículos do estado, despersonalizando nossos jornais – “entidades que tem alma”, como diria o mestre paranormal Geraldo Canali. Despersonalizar um jornal é macular sua alma. Ou seja, estamos começando nosso fim. E por quê?
Há duas hipóteses: ou nossos jornalistas estão de férias, ou está faltando gente pra fazer matérias e é mais barato comprá-las prontas. Eu ficaria com a segunda, por um motivo bem simples: hoje encontrei um camarada que trabalha num dos maiores veículos de comunicação da nossa província. Daqui a dois meses o contrato de trabalho dele vai vencer. Ele não será efetivado, e ninguém entrará em seu lugar. A vaga vai ser simplesmente fechada. Fechada. Quanto menos gente na folha de pagamento melhor. Sim, é a tão esperada crise chegando. Atenção suicidas, agora é a hora de vocês subirem na ponte.
Mas pensem pelo lado bom: já que futuros jornalistas vão ficar inevitavelmente sem emprego pelos próximos anos, quem sabe eles então venham trabalhar aqui no Jornalismo B ou em outra mídia alternativa. Se não é para ganhar nada, que pelo menos ganhem nada fazendo o que gostam, não é mesmo?
*É uma vergonha sem tamanho a biblioteca da Comunicação Social da UFRGS não ter NENHUM livro do jornalista mais importante do século XX, sir Hunter Thompson. Lamentável. Do Pedro Bial tem dois livros, com sete exemplares no total. Do Hunter não tem absolutamente nenhum. Esse dado demonstra com precisão que tipo de formação as escolas jornalismo do país buscam oferecer aos seus estudantes.
Postado por Ale Lucchese


O RBS Notícias de hoje deu uma nota pelada (a apresentadora leu a notícia sem mostrar nenhuma imagem) sobre o Caso Detran, uma matéria sobre a morte do ex-assessor do governo do estado Marcelo Cavalcante, uma reportagem sobre vendas casadas serem a maior causa de procuras ao Procon, matérias de esporte e de polícia. E assim acontece na maioria das edições.
É só dar uma espiada no 
O Carnaval não deixa muito espaço pro Jornalismo nos nossos jornais. Qualquer coisa que aconteça hoje no mundo perde para escolas de samba, mulatas, festas. Até o caso PSOL esfriou aqui pelo Rio Grande do Sul. E é dele mesmo que eu quero falar. Dele e da cobertura da Zero Hora.
s, entre conglomerados. E cada veículo citado no site possui sua ficha técnica, com informações mais específicas.
Personalidade. É disso que quero falar. Não, pensando bem, não é exatamente esse o substantivo que me instiga agora. Talvez, amigo leitor, a palavra certa para esse momento seja humanidade. É, para ser bem sincero, não pode ser outra coisa. A tal palavra só pode ser essa. Deixe-me ver se consigo explicar e me fazer entender.
Pense rápido: revistas brasileiras de jornalismo internacional. Hein? Pois é, é difícil. Le Monde Diplomatique Brasil, revista com origem fora daqui e com a maioria das reportagens produzidas por jornalistas estrangeiros, parece ser a única. Mas não. Temos mais uma, ao menos, e ela é também uma revista de jornalismo esportivo. Jornalismo esportivo internacional. A Trivela.
Um mérito da revista é não se ater aos grandes clubes e os grandes jogadores da Europa. Times pequenos e jogadores desconhecidos também têm espaço, assim como os outros continentes, num esforço de reportagem recompensado por informar com precisão e de forma completa. Às vezes passa do ponto na opinião como, por exemplo, quando estampou na capa “Pede pra sair”, com uma foto do técnico da seleção brasileira, Dunga.
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