Posts de Março, 2009

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Direto do Congresso Nacional, Danilo Gentili

30 Março 2009

untitledA cobertura feita pela imprensa brasileira no Congresso Nacional limita-se, quase sem exceções, ao factual. Limita-se a votações de leis que o povo não entende, a mudanças nas regras que na verdade não mudam nada.

Há, porém, um paladino implacável na busca por desmascarar realmente a cara-de-pau de nossos congressistas: Danilo Gentili. Em perguntas rápidas, aparentemente banais, aparantemente meramente humorísticas, o repórter do CQC que transformou-se em setorista do Congresso escancara o tamanho do problema.

A falta de conhecimento geral, em alguns programas, e a falta de ética, em outros, aparece em perguntas atrevidas e diferentes do tradicional politiquês de nossos telejornais. É claro que o papel destes é indispensável, mas não é completo.

cara20de20pau_netNo programa de hoje, por exemplo, Danilo perguntou para o ex-presidente o que qualquer eleitor levemente esclarecido gostaria de perguntar. Primeiro, se Collor pretende voltar à presidência do país. Após a negativa de Fernandinho, Danilo arrematou: “Então não preciso esconder o dinheiro que está na minha poupança?”. O repórter também entrevistou outros políticos sobre a “renovação” do Congresso Nacional, que segue contando com os dinossauros de sempre – Renan Calheiros, Sarney… – e sobre a eterna posição situacionista desse último.

São questionamentos importantes – apesar da aparência banal – que, por ter o viés humorístico, o CQC ganha o direito de fazer, coisa que os telejornais tradicionais não conseguem e não fariam nem que pudessem. É o jornalismo cumprindo sua função de retratar com honestidade e clareza os fatos, os contextos e seus personagens.

Postado por Alexandre Haubrich

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Debate de uma só alternativa

28 Março 2009

No dia 24 último, o blog A Carapuça fez um post sobre a situação dos presídios do Rio Grande do Sul. Até aí nenhuma novidade, os presídios têm sido discutidos há tempos pela nossa imprensa. E qualquer criança de cinco anos já sabe que os presos estão vivendo de forma subumana, que os presídios estão superlotados, que não há condições de continuar assim. Continua não sendo novidade. O que eles falaram e que não se diz por aí é justamente a respeito do que se diz por aí.

Explico melhor. A RBS, que se sabe estar fazendo um grande esforço para melhorar – ou impedir que caia mais – a imagem da governadora Yeda, tem criticado muito a situação dos presídios. Não faz sentido, certo? Pois é aí que entra A Carapuça na história. No dia 24, o blog disse que a RBS estava fazendo essa campanha contra os presídios pra depois lançar a ideia da privatização do nosso sistema carcerário e todo mundo achar a oitava maravilha do mundo. Repara bem, isso foi no dia 24. Eis que dia 27 de março, a última sexta-feira, as páginas 4 e 5 de Zero Hora diziam o seguinte:

privatizacao

Coincidência? Quando o aviso vem antes de a coisa acontecer, não dá pra dizer que a gente está inventando coisa, certo? Pois é, dessa vez o aviso veio antes da coisa. Não digo que a matéria seja ruim ou muito tendenciosa. Não tinha nem por quê. O tendencioso da coisa veio antes, já há bastante tempo. Não precisam falar em uma matéria abertamente a favor da privatização porque a mentalidade dos leitores e espectadores já está sendo trabalhada, moldada através de diversas subjetividades, pouco a pouco. Assim fica mais eficiente, mas não menos grave, não menos manipulador.

A RBS está nitidamente conduzindo a opinião pública. Primeiro incentiva a discussão sobre um assunto realmente insustentável. E depois propõe uma solução. O problema é justamente esse: propõe UMA solução, quando se sabe que existem várias alternativas. Entre elas fazer o papel do jornalista, ficalizar o governo, pressionar para que ele solucione o caos que é sua responsabilidade. Mas Zero Hora prefere tirar a responsabilidade de cima do governo, e aí está a maldade. Não te deixes iludir, essa não está sendo uma discussão saudável do jeito que vai. Tu estás sendo manipulado (a).

Postado por Cris Rodrigues

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Sobre o processo Bernardi X Ungaretti

26 Março 2009

Aviso aos ingênuos: a história do apelido “Fotonaldo” que aqui aparecia é obviamente falsa. Uma “cascata”, no jargão ungaretiano. Não existem cachoeiras no reto e liso pampa argentino, assim como a coincidência entre a inexistente cascata e a palavra “cascata” (gíria para mentira) que acontece na história é boa demais para ser verdadeira. Acabei recebendo emails de gente que não entendeu a piada, então resolvi explicá-la aqui, tirando toda a sua graça, obviamente. Pelo menos fica comprovado que o Monstro Sist está conseguindo terminar com qualquer resquício de humor e imaginação que restava em meus colegas. A anedota foi excluída do post. Meu silêncio imaginativo é meu protesto contra o mau humor.

post atualizado em 28/03, às 08:27hs

Nesta segunda-feira o professor universitário Wladymir Ungaretti retirou o conteúdo do site e blog Ponto de Vista em decorrência do processo movido contra ele pelo fotógrafo Ronaldo Bernardi. Funcionário da RBS, Bernardi acredita que as críticas publicadas no blog e na revista digital de Ungaretti a respeito de seu trabalho no jornal Zero Hora são ofensivas e destrutivas, assim como o apelido “Fotonaldo“, título carinhoso que WU emprestava a Bernardi. A “Justiça” determinou que Ungaretti se calasse a respeito do assunto, ou seja, apagasse de seu blog todas as referências ao nome e ao trabalho de Ronaldo Bernardi. Ungaretti acatou esta determinação provisória retirando não apenas os conteúdos relacionados ao fotógrafo, como também exclui todo o material do Ponto de Vista, transformando seu silêncio em eloquente protesto.

O assunto é de fundamental importância pois demonstra como estamos longe de uma sonhada liberdade de imprensa e cada vez mais próximos da absoluta intolerância a opiniões divergentes dos donos do campinho. Jornalismo B vem até aqui trazer algumas coisas que você deve levar em consideração quando for discutir o assunto pelas mesas e balcões dos botecos malcheirosos e mal-afamados que você anda frequentando:

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Nada está perdido

Ungaretti está “tranquilo”, como ele mesmo define seu estado de espírito. E está mesmo. Apesar de ter aparentemente perdido a parada tendo de acatar a determinação legal provisória, de ter de retirar de seu veículo de comunicação as menções a Bernardi, o advogado do homem-do-chapéu-panamá já está recorrendo. A novela está no início e poderá se estender por anos. Além disso, fora do tribunal, nesta vidinha real que todo mundo vive, todos sabem da injustiça do fato. E todos estão manifestando os seus vereditos a favor de WU. Leiam alguns deles aqui:

Observatório de Imprensa

O Dilúvio

Dialógico

A Carapuça

Celeuma

Terça-feira

Cantofabule

…e ainda tem muitos outros….

Sobre a ofensiva de Ungaretti

É importante deixar claro que não há nenhuma ofensa pessoal ao fotógrafo no blog de WU. Nenhuma. Absolutamente nenhuma. Todas são referências ao trabalho de Bernardi, e todas levam em conta o fato de Bernardi ser apenas uma peça neste imenso quebra-cabeça sem controle que é a mídia corporativa de hoje.

Sempre em frente

WU pode ser visto diariamente fazendo o que sabe fazer: ensinando, aprendendo, conhecendo, fotografando e entrevistando gente. Em resumo – reportando o mundo que lhe cerca. Apesar de ter tirado seu blog e sua revista do ar, ele está aí mais ativo do que nunca. E estamos todos ansiosos para ver o que virá.

A verdadeira verdade mentira sobre o apelido Fotonaldo

Se quiserem ler o manifesto ao jornalismo ficcional me mandem um email ou me liguem.

O mais preocupante

Creio que dessa historia toda, a coisa mais preocupante não é o insulto à liberdade de imprensa que este processo representa. O que realmente me assusta é a falta de senso de humor em relação a esse maldito apelido. Porque até então já tinha visto falta de senso de humor, mas não a ponto de justificar um processo. É que estamos nos aproximando de um estado de intolerância e sufocamento tão grande que o simples fato de rir e fazer rir já representa um ato imperdoavelmente libertador aos olhos controladores do Leviatã.

Postado por Ale Lucchese

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Um post de silêncio

24 Março 2009

A todos os blogueiros que nos acompanham, pedimos um post de silêncio pela morte do jornalismo.

www.pontodevista.jor/blog

censura

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Aquecimento global no Fantástico

22 Março 2009

saopauloAs cidades foram o assunto abordado pelo primeiro programa da série Vozes do Clima, que estreou hoje no Fantástico e que vai tratar do aquecimento global, com apresentação do ator Marcos Palmeira. Deu pra ver claramente que o enfoque vai girar em torno da responsabilidade de cada um, o que é interessante porque coloca-nos todos dentro do problema, como de fato estamos. Hoje foi só o primeiro programa, que poderíamos considerar introdutório, mas já apresentou alguns problemas importantes.

O tema era cidades, como já foi dito. A ideia era mostrar como o aquecimento global afeta as cidades e se as nossas grandes metrópoles estão preparadas para lidar com seus efeitos. Primeiro problema: só falou de São Paulo. Sim, é a cidade que mais polui, a que tem mais gente, a que tem mais problemas justamente por ter mais gente. Mas não é a única grande cidade brasileira, e nenhuma outra foi sequer citada.

Em segundo lugar, foi dito nas chamadas do Fantástico que se falaria sobre como a forma com que lidamos com o meio em que vivemos afetam o meio ambiente e as consequências que isso traz. Marcos Palmeira passou muito por cima por esse enfoque, a meu ver o principal. Apenas no início do quadro se falou nas enchentes, mas praticamente não esclareceu a responsabilidade que temos sobre as mudanças no clima das cidades, que causam tantas tragédias, como a que vimos em Santa Catarina. A crítica que fizemos na época foi justamente que a imprensa tratou a enchente que matou milhares de pessoas apenas como uma tragédia natural, e não explicou que são as mudanças ambientais causadas pela nossa interferência que estão gerando esses problemas.

Por último, uma dificuldade típica da televisão, em que tudo tem que acontecer rapidamente, em pouco tempo e pouco espaço. O quadro passou por diversos temas de forma desconexa, prejudicando a absorção do conteúdo. No fim, não se abordou direito nenhuma das partes e o programa ficou meio sem sentido.

Sei que é apenas o primeiro quadro de uma série (que o site não diz quantos quadros vai ter). Talvez esses problemas venham da ânsia de mostrar tudo logo, talvez as coisas melhorem, assim espero. Os entrevistados de hoje eram bons e a fórmula era interessante, ágil, que permitia uma grande quantidade de informação em pouco tempo, devido a uma edição inteligente. Ficamos na torcida para 6466arvoreque a equipe se ache no meio de tanta informação e selecione para o telespectador as informações mais importantes e conscientes, mostrando aquilo que ninguém mostra quando fala no assunto: por que estão acontecendo mudanças no clima, como isso deve evoluir e o que se deve fazer para colaborar. Sem esquecer, é claro, de apontar as responsabilidades de quem as tem.

Postado por Cris Rodrigues

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Gilmar Mendes tira do ar programa de tevê

20 Março 2009

Você assisiu ao programa Comitê de Imprensa (TV Câmara) do último dia 11 de março? Não?! Pois nem vai assistir: o programa foi censurado a pedido do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

Sim, censurado. Segundo a carta aberta ao jornalista do Brasil de autoria do jornalista Leandro Fortes (Carta Capital), Gilmar Mendes teria telefonado ao presidente da Câmara dos Deputados pedindo que se retirasse o programa imediatamente da grade de programação da tevê e também do seu endereço na internet. E não é que ele foi mesmo retirado imediatamente…

A tal carta aberta neste momento já está varando a internet (leia aqui) em milhares de endereços. Nela Leandro explica que o Comitê de Imprensa daquela semana discutia tão somente a matéria publicada na revista Veja a respeito de supostas “revelações” contidas no notebook de Protógenes Queiroz apreendido por policiais federais na Operação Satiagraha. Convidado a participar do Programa, assim como o também repórter Jailton de Carvalho (O Globo), Leandro teria mencionado durante a gravação o fato de estar sendo processado por Gilmar Mendes em virtude de algumas denúncias apresentadas na Carta Capital.

Não sei bem se foi por isso ou pelo conjunto da obra que seu Gilmar resolveu mandar tirar o programa do ar. E o pior é que naquele horário só dava pra assistir a Caminho das Índias… Mas, veja bem, o pior disso tudo é ver que ele foi acatado. Como bem pontua Leandro Fortes em sua carta, a TV Câmara parece ser fomada por jornalistas. Será que somos todos umas cadelas que se encolhem ao som de qualquer grito que vem de cima? Sim, parece que somos.

*O programa ainda pode ser visto no YouTube. É só clicar aqui.

Postado por Ale Lucchese

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Photo Magazine

18 Março 2009

ed24_pqRevistas direcionadas a públicos segmentados são sempre meio suspeitas: inúmeras vezes são meros caça-níqueis de publicidade, verdadeiros catálogos de produtos e serviços permeados por matérias desleixadas e muitas vezes encomendadas por anunciantes. Não, definitivamente esse não é o caso da revista Photo Magazine: quase cem páginas dedicadas à fotografia em texto e imagens que encontrei perambulando pelas bancas de Porto Alegre.

E que texto e que imagens! A edição que anda circulando agora – a revista é bimensal – tem como tema a fotografia em preto e branco. É bonito de ver a coesão entre as pautas: uma matéria especial sobre o assunto que contextualiza e arrisca interpretar a longevidade do P&B, um perfil de Cartier-Bresson, uma entrevista exclusiva com um fotógrafo de arte internacional que trabalha com P&B (Philippe Mougin), um panorama da vida e da obra de um gigante do fotojornalismo brasileiro (José Medeiros), etc, etc, etc… Há um equilíbrio de espaço e de tempo, uma vontade de abarcar a história e ao mesmo tempo trazer referências novas, um olhar no umbigo e outro lá longe. E há êxito nisso tudo.

A revista conta com uma ou outra matéria mais técnica, abordando o tema de maneira a ajudar o fotógrafo se sentir mais à vontade no mundo preto e branco. De resto, Photo Magazine pode jose_medeirosinteressar qualquer curioso que nem fotografa, mas que gosta do assunto e acha que ele ajuda a nos tirar da cegueira cotidiana que nos rodeia. Além disso, a diagramação valoriza as imagens e os textos são de profissionais das lentes do naipe de, por exemplo, Flávio Damm – quero advertir que apenas os fotógrafos escrevem melhor que os grandes escritores.ed_viggiani

Enfim, termino aqui essa (sincera) babação de ovo, mas não sem antes revelar que Photo Magazine é editada em Balneário Camboriú: sim, colega jornalista, é possível trabalhar num lugar legal, e ainda morar na praia…

*Fotos de José Medeiros e Ed Viggiani

Postado por Ale Lucchese

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Silêncio consciente e intencional

16 Março 2009

Está sendo votado agora, na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, o projeto do Pontal do Estaleiro. Mas peraí, tu sabes exatamente o que está em votação? Desde dezembro o assunto anda meio sumido, não tinha sido votado e ido para o prefeito? Ele não tinha decidido alguma coisa? Então o que estão votando hoje? Dá uma olhada na Zero Hora, deve ter a explicação. Em Política não está, em Geral também não, não é Reportagem Especial. Opa, digitalizar0001cadê? Com exceção de uma mísera notinha da Rosane de Oliveira num canto da Página 10 (que diz “O projeto Pontal do Estaleiro deverá ser votado hoje pelos vereadores de Porto Alegre”), não há UMA LINHA! E mais: digitei “Pontal do Estaleiro” no Google. Com ou sem escrever “Zero Hora” ao lado, a primeira referência que aparece é a uma matéria do jornal, de 12 de novembro de 2008! E nada mais recente.

É isso mesmo, e definitivamente não se trata de um esquecimento ou um equívoco. A política da Zero Hora com relação a esse tipo de assunto é bastante clara. No caso específico do Pontal do Estaleiro, podemos identificar: a questão envolve movimentos sociais de um lado, contrários ao projeto; e construção civil do outro, incluindo o Sinduscon, muito dinheiro, representantes da elite e poder. Fica fácil, a Zero Hora sempre se coloca ao lado do poder.

Posso parecer radical demais, mas acho até que estou sendo bastante razoável diante da importância do que está acontecendo. Não se trata apenas de uma matéria, mas da construção de uma subjetividade voltada sempre para quem tem dinheiro, contra o povo. Desde dezembro, quando os movimentos sociais se acalmaram, digamos assim, a Zero Hora se calou diante do assunto. Com exceção de uma ou outra nota aqui e ali, sem maior destaque, não se falou mais no assunto. O papel de fiscalizador do poder do jornalismo, um dos pilares fundamentais da profissão, não é exercido há muito tempo no Brasil. Não falando no assunto, fica mais fácil de se votar o que quer que seja, sem pressão popular, atendendo mais facilmente aos interesses da elite dominante.

Esse movimento todo no sentido de ignorar o assunto é decorrente de uma decisão tomada com propriedade, conscientemente, não decorre do fato de haver notícias mais importantes ou o assunto não ser pauta em silenciooutros veículos. Até porque foi pauta do Correio do Povo (segundo o blog POA Vive, pois não tive acesso ao jornal), embora, de um modo geral – e aí saio do âmbito do Pontal do Estaleiro -, todos os veículos se posicionem ao lado de quem tem dinheiro e poder. A voz na imprensa brasileira, e especialmente na gaúcha, costuma ser única, sempre a mesma.

Porque a Zero Hora, repito, ignorou propositadamente. O que é, sim, uma tentativa de desarticular os movimentos sociais, calar o povo e manipulá-lo mais facilmente.

Postado por Cris Rodrigues

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O processo

14 Março 2009

sem-tituloAssunto antigo, mas a autorização pra escrever sobre ele é novinha em folha. Por questões jurídicas, a principal fonte da história preferiu se resguardar, e respeitamos o off. Nessa semana em vias de encerramento, recebi o ok para fazer esse post.

Caso é que o jornalista Wladymir Ungaretti, dono do blog Ponto de Vista, está sendo processado pelo repórter fotográfico da Zero Hora Ronaldo Bernardi. Os motivos do processo são os posts desse blog que chamam Bernardi, sempre usando o apelido “Fotonaldo”, de cascateiro.

Vivemos uma onda incrível de processos. A indústria dos processos se multiplica, não se pode falar um ai sem ser processado. É exatamente por aí esse caso. Ainda mais jornalista processando jornalista. Tenha dó, né. Ronaldo Bernardi deveria responder com trabalho, com fotos realmente de interesse jornalístico. O processo claramente tem o único intuito de fazer calar. É, portanto, autoritário, centralizador de opinião, ditatorial. Admira um jornalista fazendo esse papelão.

A classe dos jornalistas é cada vez menos uma classe, ou, antes, cada vez mais uma classe chapa branca. A união dá-se apenas em torno das grandes empresas de mídia. Em vez de unirem-se (nos unirmos, melhor dizendo) em defesa de um jornalismo mais decente, pra dizer o mínimo, em defesa de uma maior liberdade para os profissionais, a grande defesa da maioria são as empresas onde trabalham e que tripudiam em cima da informação.

O Jornalismo B apóia inapelavelmente a pluralidade de opiniões (desde que respeitosas, fique claro), a contestação e, encarnado nisso tudo, o jornalista de verdade Wladymir Ungaretti.

Postado por Os Editores

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Juremir Machado da Silva

12 Março 2009

Juremir Machado da Silva.

Está aí, nesse parágrafo tão curto, um nome tão grande. Alguém sabe me dizer se o cara é de direita, de esquerda, de centro, do raio que o parta? Pois eu não sei. Pra mim, ele é um Nelson Rodrigues moderno – não tão Nelson Rodrigues, claro -, um Diogo Mainardi honesto: um polemista.

Mas esse post não é sobre o Juremir como um todo, é sobre o Juremir como uma parte. Uma parte diária, uma parte específica, a parte do dia 11 desse mês, dessa quarta-feira que acaba de nos deixar órfãos de um dia.

juremir20machado20da20silva3No Correio do Povo de ontem, o colunista escreveu exatamente sobre o que costumamos escrever aqui. Diz ele que nossa mídia vai-se. Vai-se pra onde? Não sei, e ele parece também não saber. O Juremir Rodr…Machado começa sua coluna com a seguinte frase: “Parece impossível designar o pior do Brasil. Eu não hesito: a mídia.” E daí que é mais de uma frase? É uma ideia só, uns cinco socos na cara, e é o Juremir. É isso. A mídia é o pior do Brasil. Há 40 anos atrás, o Nelson se perguntava quem era o mais cego, se o marido traído ou o marxista brasileiro. Pois hoje o mais cego é o leitor, o ouvinte ou o telespectador, e o pior é a mídia.

O Juremir meteu pau na porcaria do Pontal do Estaleiro, é uma voz dissonante na grande mídia gaúcha.  É uma pena que o Correio esteja tão caindo aos pedaços, muita gente deveria ler esse cara. Incrivelmente algum colunista grande-midiático criticou a imprensa. Só nesse tal desse dia 11, ele bateu na Folha, na ditabranda, bateu no Estadão, bateu na Veja, bateu na Globo! Que isso, minha gente!? Dá-lhe Juremir!

Juremir Machado da Silva.

Está aí, nesse parágrafo tão curto, um nome tão grande.

Postado por Alexandre Haubrich