Estou acompanhando aqui a votação pela manutenção ou revogação da Lei de Imprensa. Quem está fazendo o minuto-a-minuto é a RW Mídias pelo Twitter. E está dando conta do recado – valeu pela dica, Haubrich! Nesse exato momento a RW me avisa que a sessão fará um intervalo. Que sem graça…
Mas não importa, já são seis ministros votando pela extinção da lei. A grande pimenta da sessão é o ministro Joaquim Barbosa, que se materializou quando a maioria dos seus colegas acreditava que ele não daria as caras – parece que alguns até torciam para que ele não viesse. Barbosa esteve essa semana nas bancas, na capa da Carta Capital. Talvez pudesse falar melhor do assunto, mas eu não li a matéria porque a Carta Capital me dá muito sono – é triste não haver nenhuma revista semanal que concorra com ela e com a Veja.
Enfim, já fazem 33 minutos que se deu o intervalo, e nada do minuto-a-minuto avisar que os ministros voltaram. Mas que lei mesmo está sendo votada? Ah sim, a Lei de Imprensa foi criada durante a ditadura militar, e expõe os jornalistas à censura prévia e à apreensão de publicações; assim como, por outro lado, dá garantia à população de coisas importantes como o direito de resposta – aquele que permite que o atingido injustamente pela imprensa se defenda com igual ou maior exposição dentro do próprio veículo que o tratou com leviandade. Alguns ministros defendem a manutenção parcial da Lei, para que não se abra mão de tais grarantias.
Pois olha, quando foi a última vez que vimos direitos de resposta como esse aí em baixo? Se não assistiram, assistam, é histórico:
A verdade é que a Lei de Imprensa já não é mais levada a sério – e ainda bem, não gostaria que o Jornalismo B passasse por censura prévia. O problema é que, sem ela, como um juiz vai se sentir amparado para dar um direito de resposta? Qual será o seu parâmentro? É meio complicado não haver nenhuma regulação direta a respeito de calúnia, difamação e injúria para os meios de comunicação. Agora um veículo de grande circulação pode ser leviano ao tratar de uma figura pública ou até anônima e se sentir seguro pois a Lei não conseguiria atingi-lo? É, seria mais ou menos isso.
Ao mesmo tempo, uma das figuras importantes que discursou a respeito da defesa da manutenção destes dispositivos da Lei é o ministro presidente do STF, senhor Gilmar Mendes, o homem que há cerca de um ou dois meses atrás mandou tirar do ar um programa da TV Câmara. Sim, mandou, por telefone, nada de julgamento, tribunal, meios legais, nada disso: apenas ordenou diretamente.
Então, pessoal, quando vejo uma votação como essa, vejo apenas uma piada e um assunto a mais para escrever aqui no blog. O ministro Gilmar Mendes zomba da Lei ao passar por cima dela, desmoraliza a Constituição, invalida o denominador comum legal de todos os cidadão brasileiros, e apesar disso – ou talvez até por isso mesmo – é presidente do Supremo Tribunal Federal. E é esse homem que sai em defesa da Lei de Imprensa.
Já parei de acompanhar a transmissão, só faltavam três ministros, tudo indica que a Lei será revogada. De qualquer forma, a Constituição agora é apenas um pedaço de papel. Salve-se quem puder. Desculpem o tom alarmista, mas no fundo você sabe que há muita verdade nisso. É hoje que vou fumar aquela bomba. Esqueçam um pouco isso e curtam o feriado.
Postado por Ale Lucchese


Em 2009 completam-se 100 anos da morte do escritor, historiador, sociólogo, engenheiro e repórter Euclides da Cunha. O que pouca gente sabe é que o autor de Os Sertões pretendia fazer com a Amazônia o mesmo que fez com a caatinga. Em 1905, Euclides cruzou o rio Purus, que vai até a Amazônia peruana. Em seguida, começou a escrever um livro – que seria intitulado “Um Paraíso Perdido” – sobre o assunto. Não passou da primeira parte, “À Margem da História”. Morreu em um duelo com o amante de sua mulher.
O repórter e o fotógrafo viajaram junto com integrantes do Projeto Cidadão, do governo federal, que tenta registrar os moradores de regiões afastadas. O primeiro depoimento do documentário é de Padre Paulino, um missionário que há 40 anos sobe e desce o rio levando a religião e remédios aos ribeirinhos. As comparações entre aqueles tempos e os atuais nortearam a conversa. Depois, quem falou foi chefe da expedição, o desembargador Aquilau de Castro Melo. Ele falou sobre a situação do Acre – disse que é o Estado com o maior número de analfabetos no país) e sobre a trajetória de Euclides da Cunha.
Estava eu lendo as atualizações do twitter – um pouco antigas já, tenho entrado pouco na internet – e vi a Soninha dizendo:
mesmo, ligo o rádio e sou comovido por uma enxurrada de raios e trovões. “Peraí, esse aguaceiro todo só pode ser o Bob Dylan, e se é o Bob Dylan a essa hora, só pode ser o programa do
Na última quinta-feira, terminei de ler “Jornalismo e Literatura”, de Antonio Olinto. É um livro de 1954, cuja última edição havia sido em 1968. No fim do ano passado, a JÁ Editores relançou a obra, prestando um ótimo serviço aos estudantes de jornalismo – não apenas aos de faculdade, mas a qualquer um que queira estudar o jornalismo. A JÁ Editores, por sinal, tem feito isso. “Visão do Pampa”, de Rivadávia Severo, por exemplo, foi outro clássico ressuscitado por eles. Mas o assunto desse post não é a JÁ Editores, mas o livro de Antonio Olinto. Então vamos ao assunto que nos traz aqui.
Os deputados estão viajando pelo mundo às nossas custas. Eu sei, todos nós sabemos. Estamos, aliás, cansados de saber. O problema é o que está por trás disso. A imprensa gaúcha tem tratado dos casos de deputados e senadores que representam o nosso estado. Claro, está certo. Aí, vejamos, temos de um lado a passagem que o gabinete da Luciana Genro, do PSOL, cedeu ao delegado Protógenes Queiroz para ele participar de um ato contra a corrupção em Porto Alegre, e, de outro lado, as viagens que a família do Ruy Pauletti, do PSDB, usufruiu às nossas custas. Nos jornais, vemos que temos dois deputados cedendo passagens de sua cota a outrem. A mesma coisa? Parece, mas não é.



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