Posts de Maio, 2009

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Deixe que a RBS pense por você

29 Maio 2009

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Começou hoje mais uma campanha que busca aparentar ter grande relevância social promovida pelo Grupo RBS. Depois de violência no trânsito (comentada já aqui), o tema agora é a “pedra do capeta”, como define o indefectível Alexandre Mota, ou simplesmente o “crack”, como prefere a pretensamente equilibrada diretoria do maior grupo de comunicação da região Sul.

Pois bem, o que move uma campanha como essa, qual o interesse do grupo? Se alguém ainda está em dúvida de que é apenas uma grande ação de publicidade travestida de bom-mocismo, lembre em que patamar a ação “Violência no trânsito: isso tem que ter fim” obteve sucesso. O único sucesso foi conseguir alta publicidade da marca, já que a RBS nem ao menos se deu ao trabalho de pesquisar e divulgar dados que comprovassem de que maneira a campanha ajudou realmente a melhorar o trânsito. Quanto a pesquisas sobre a popularidade de seus veículos, estas são feitas rotineiramente.

“Ok”, você diria, “mas essa gente faria sua campanha do mesmo jeito, e é bom que torre esse dinheiro pelo menos fazendo alguma coisa socialmente positiva”. Mas não é bem por aí… A campanha, segundo seus coordenadores, demorou seis meses para ficar pronta. E  isso se deve apenas a um motivo: o grande desafio que é montar uma enorme ação como essa de maneira superficial e vazia. E eles conseguiram através da falta de aprofundamento, incitando a emoção mais fácil de ser criada no ser humano: o medo. “Crack, nem pensar”… pensar aqui é um risco, deixe que a RBS pense por você.

Mas é possível que você pense: “mas esse é um blog sobre jornalismo, o que uma campanha publicitária está fazendo aqui então?” Em primeiro lugar, esta empresa concentra grande parte das vagas para jornalistas – então veja onde nossos colegas estão se metendo. Em segundo lugar, porém mais importante: essas ações  feitas com este viés autoritário e c-2anti-racional são tão poderosas que colocam as redações de jornalismo numa posição de meras vassalas.

Exagero? Não. Ontem a edição inteira do Jornal do Almoço se deu toda em torno desta campanha – e não foi do tema, foi em torno da campanha mesmo. Da mesma forma, este foi o destaque da capa da Zero Hora de hoje – será que não tinha nenhum fato mais importante do que o lançamento de mais uma ação publicitária do grupo? Além disso, este foi o tema do editorial, todos as fotos dos colunistas tem agora camisetas onde se lê “Crack, nem pensar”, por aí vai…

E depois eles aparecem na propaganda da televisão dizendo “a gente só não pode criar um fato”. Pois é, hoje criaram mais um.

*imagens do site www.cracknempensar.com.br

Postado por Ale Lucchese

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Urbano, no Multishow, e a convergência de mídias

28 Maio 2009

A convergência entre mídias é cada vez mais presente no jornalismo brasileiro. Exemplos óbvios, como Marcelo Tas, são, exatamente, óbvios. Mas existem outros menos cotados, e que participam dessa tendência de outra forma. A grande imprensa, de modo geral – exceções à Folha de São Paulo, por exemplo  -, ignora ou, pra dizer o mínimo, ainda não entendeu como abordar a internet. A TV fechada trabalha um pouco melhor essa questão, e o Multishow talvez seja um dos canais que mais fala do tema e que, de várias formas, lida com essa mistura tão nova, desconhecida e, talvez por isso mesmo, saudável.

O Urbano, apresentado por Renata Simões, é um típico misto. As pautas são definidas pela internet, a interação com o público é grande, e geralmente (quase sempre) tratam de temas ligados à web ou às novas tecnologias. No programa de hoje, foram três pautas principais.

ads_urbanoO primeiro bloco tratou de casamentos que usam ferramentas da internet de vários modos. Acompanhamento dos preparativos pelo Twitter e por blogs, vaquinha virtual para o chá de panelas, etc. Interessante, mesmo que não seja nada exatamente investigativo, nada com um grande valor social. Interessante porque mostra tendências de comportamento social. A ideia do programa é exatamente essa e, em muitos casos, é alcançada. Trabalhar tendências possui um valor importante. É o jornalismo com uma postura visionária, como observador interessado e atento.

O segundo bloco foi o ponto fraco do programa de hoje. Uma reportagem meio bestinha sobre etiqueta e novas tecnologias: celular, email, internet, Twitter. Aquela coisa de o que fazer e o que não fazer. Regras de etiqueta sempre são idiotizantes e construtoras de padrões que, no fim das contas, não servem para nada. A matéria não conseguiu fugir dessa regra que, claro, pode ter suas exceções.

Por fim, uma matéria sobre empresas que usam as redes de relacionamento (Twitter, Orkut, Facebook, My Space, etc) como formas de trabalho, de divulgação da empresa e de seus produtos ou serviços.  Reportagem útil, que apresenta iniciativas relativamente novas e que realmente, combinadas com outras ações, podem funcionar.

digital_hubO fato de Renata Simões demonstrar conhecimento dos assuntos de que trata torna as matérias mais interessantes, mais completas e mais ágeis, além de passar confiança ao telespectador. É uma das vantagens dos canais fechados, que acabam tendo apresentadores e repórteres mais por dentro dos assuntos que tratam.

Mesmo que boa parte das pautas seja pop demais, na minha opinião – e pop em um sentido ruim, meio bobinhas, perfumaria – o Urbano tem seu valor. A interação tão bem feita entre as mídias é, talvez, seu grande mérito, junto com outros que citei ao longo do post.

É uma pena que tão poucas pessoas tenham acesso a esse tipo de informação. Seria uma parte fundamental de uma inclusão digital verdadeira. O grande erro de termos que pagar para ter acesso a emissoras de televisão  é absurdamente excludente. Mas isso já é assunto para outro post.

*Não esquecemos, em momento algum, a censura em que está colocado o blog Ponto de Vista, de Wladimyr Ungaretti. Repudiamos os processantes e repudiamos o juiz que determinou que, enquanto o processo é julgado, o conteúdo referido seja retirado do ar. O blog segue sob censura e a universidade da qual Ungaretti é professor segue sem tomar posição, mesmo que um conteúdo de alto teor didático seja arbitraria e ditatorialmente – a boa e velha Ditamídia – censurado.

Postado por Alexandre Haubrich

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Sobre o diploma – post IV

27 Maio 2009
Antes de começar o post em si, tenho que falar que estou na mesma que o meu colega Ale Lucchese. Não sei ainda exatamente o que pensar sobre o diploma, embora minha análise hoje pareça contrária a que se exija diploma para exercer o Jornalismo. Na verdade faço hoje uma divagação sobre um ponto específico da questão. É uma tentativa de chegar mais perto de uma resposta definitiva, apenas isso. Então vamos a ele…

diplomaVi uma vez uma jornalista de grande qualidade, que realiza um trabalho excepcional com moradores de rua para que eles tenham acesso a meios de comunicação, defender a obrigatoriedade do diploma de jornalista. Ok, muitos já sabem que me refiro à Rosina Duarte, que coordena os trabalhos do Boca de Rua, jornal realizado por pessoas sem formação, inclusive escolar, mas orientadas por jornalistas formados. Achei interessante essa posição, bem diferente do que eu imaginava. Seu argumento foi de que há uma ética jornalística que deve ser preservada e que o diploma é importante por isso.

Pois bem, agora parto para duas análises a respeito, uma mais empírica e outra mais filosófica, ou como quiserem chamar. A questão prática é a que Roberto Mesquita colocou em um comentário do primeiro post sobre o assunto: a formação em ética nas nossas faculdades é pífia. No meu caso, nula. Tive um professor de Direito e Ética – era o nome da única disciplina a tratar do assunto – que não era lá muito experimentado na profissão. Seu método de trabalho era o seguinte: devíamos frequentar umas duas aulas – a primeira e a última do semestre -, não precisava muito mais que isso, pois ele não faria chamada. Quem quisesse ir em todas, podia ir, ele estaria lá. Confesso que não faço parte da turma – de umas três pessoas – que estava todas as semanas na sala de aula esperando ouvi-lo falar, mas nas poucas aulas que fui pude detestar meu professor. Ele passava todo o tempo louvando a revista Veja, na minha opinião a mais antiética que temos no Brasil. Devíamos entregar um trabalho – absolutamente livre, podia ser qualquer coisa, de qualquer tamanho – no fim do semestre. Passamos todos com A.

A outra questão que eu levanto é sobre a ética jornalística em si. O que é? Segundo Cláudio Abramo, “não existe uma ética específica do jornalista: sua ética é a mesma do cidadão”. Fui procurar o trabalho que fiz ainda no primeiro semestre, para a disciplina de Sociologia da Comunicação (que deixou de ser obrigatória com a reforma curricular do curso na UFRGS). Lá eu disse que a discussão sobre ética na comunicação é necessária e deve abranger toda a população. Parece óbvio, mas então para que uma formação específica, se é um problema da sociedade como um todo? Todos têm direito a participar da discussão sobre a qualidade da informação, que aparece como um sinônimo de ética e é o que define o jornalismo. Visto por outro ângulo, a ética é a busca da verdade, que provavelmente não será absoluta, já que qualquer relato é um discurso e, como tal, é inevitavelmente ideológico.

Não discordo da Rosina de que é a formação ética a que realmente importa. Não é a técnica, que se aprende rapidamente em qualquer empresa ou em um curso rápido. A formação crítica e eticamente responsável é o que diferencia um bom de um mau jornalista, generalizando bastante. Mas é preciso avaliar se essa ética é aprendida nos cursos de jornalismo, se é aprendida em algum curso qualquer ou se não tem a ver com moral, com formação cultural e social. Nesse ponto, concordo com a Clarice Esperança, em seu comentário no outro post. O jornalista Clóvis de Barros Filho defende que a premissa fundamental para a existência de ética na comunicação é a verdade. Mas mentir não é imoral e antiético em qualquer situação? É mesmo preciso uma formação superior para aprender a falar a verdade? Será esse o cerne da questão ou estou sendo simplista?

Postado por Cris Rodrigues

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Na tradição

26 Maio 2009

Tenho ouvido falar muito a respeito de jornalismo gonzo ultimamente. GonzoNão poderia ser diferente, afinal minha monografia é sobre o assunto. Mas tenho certeza que não é só por isso. Vejo nas páginas da Trip a tentativa de transformar o “excepcional” Arthur Veríssimo em “o repórter gonzo” da revista; vejo muitos blogueiros tomando Hunter S. Thompson – criador do estilo – como influência, numa tentativa desesperada de conseguir se comunicar em primeira pessoa de uma maneira intensa o suficiente para não lembrar o estilo “querido diário”; e vejo até revistas bem caretinhas tocarem de longe a maneira gonzo de narrar, como me apontou o colega de blog Haubrich aqui.

Algumas destas iniciativas são mais honestas que outras, mas não vou discutir uma por uma, pelo menos não agora. Agora, o que vale a pena fazer é chamar a atenção para a coisa mais realmente gonzo publicada ultimamente: isso aqui. O texto é de Rodrigo Álvares, que foi cobrir a reunião do G20 pelo blog Nova Corja, e saiu impresso na Rolling Stone desse mês.

Nesse artigo, de infelizmente apenas uma página, temos a característica principal de um jornalista gonzo: a presença em cena. Presença. Vou repetir mais uma vez: presença. Estar presente, profundamente e unicamente presente, como um zen-budista em seu zazen, só estar, se sentir e se fazer presente. E não se enganem, não é uma presença no texto, não é o caso de usar vinte e três mil vezes a primeira pessoa do singular. É estar presente nos acontecimentos, sentir para onde tudo vai e extrair dali o suco.

O verdadeiro jornalista gonzo não tem pauta, tem apenas um lugar pra ir. Foi o caso de Álvares, que foi cobrir o encontrão do G20, e voltou com essa matéria aí publicada, que parece ser sobre os bastidores da imprensa na reunião. No entanto, é essa matéria que passa o clima do encontro, que demonstra suas contradições e sua violência esnobe.

rs_capa_155As complicações que o repórter passa no aeroporto por conta de ir cobrir o evento sem ser remunerado – o que deixa o fiscal altamente desconfiado, a tensão dos policias observada nas ruas, o espanto do coordenador da campanha do então candidato a presidente dos EUA Barack Obama ao descobrir que no Brasil é proibido fazer campanha eleitoral pela internet: tudo isso e muito mais deixa o leitor também presente, cumpre a função de descrever o evento muito mais do que qualquer blábláblá cheio de discursos.

Infelizmente o trabalho não é perfeito, e o maior defeito já foi citado antes: a matéria ocupa apenas uma página. Antigamente, lá pelo anos 1970, as matérias de Thompson na Rolling Stone americana ocupavam oito, dez, às vezes até doze ou mais páginas – e a página já era desse tamanho que você conhece na edição brasileira. Os tempos mudam. Mesmo assim, a versão brasileira da revista publicada hoje consegue fazer umas matérias bem compridas. Talvez fosse o caso de ousar e tentar destinar mais umas páginas a uma cobertura como essa de Álvares.

Consciente ou não de estar levando a frente uma das tradições de jornalismo mais ricas e pouco valorizadas dos dias de hoje, o editor do Nova Corja nos fez lembrar de como fica bonita uma matéria gonzo impressa numa página. Agora é confiar nos sentidos e seguir em frente – e torcer para que alguém tenha culhão para publicar o que foi feito.

*Na mesmo edição da Stone, há a melhor matéria a respeito da exploração de mão-de-obra na produção de cana-de-açucar que já vi em alguma revista. Vale a pena. O texto é do mesmo gênio que já apareceu aqui neste blog.

Postado por Ale Lucchese

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Jornalismo B na Semana Acadêmica da UFRGS

25 Maio 2009

Hoje palestrei na Semana Acadêmica da Faculdade de Comunicação da UFRGS, a Fabico. O post de hoje seria o áudio da palestra, com fotos. Mas, na correria pra começar a palestra, esta mula que vos escreve esqueceu do gravador e de pedir pra alguém fazer as fotos. Então, em vez de no gogó, falarei com os dedos sobre a palestra.

Pra começar: quase 30 pessoas lá, às nove e meia da manhã de uma segunda-feira. Espantoso, para uma faculdade onde vemos diariamente reinar o descaso e o bom e velho pacto de mediocridade. Eu realmente não esperava tanta gente. A maioria recém ingressos, sinal de que é realmente a faculdade quem acomoda as pessoas. Tomara que estes não sigam o caminho tradicional. A iniciativa do DA da comunicação, o DACOM, é mais um esforço, fundamental, para tentar movimentar os ambientes e as pessoas. Pode dar certo.

Com o apoio técnico do Tiago Jucá, da revista O Dilúvio, que fez o acompanhamento da palestra pelo Twitter do Jornalismo B, falei sobre a experiência no blog. Como surgiu, como tornou-se algo sério, a entrada do Ale Lucchese, o porquê de considerarmos importante a discussão sobre a imprensa. Expliquei o processo de trabalho que desenvolvemos por aqui, desde a busca dos assuntos até a produção dos posts.

Lembrei os eventos offline que começamos a produzir e a importância de levar a discussão para novos públicos, fazer com que a sociedade em seus mais diversos setores compreenda que existem pessoas escrevendo as matérias que se lê por aí, que não existem verdades absolutas e que tudo está impregnado – para o bem ou para o mal – de conceitos pessoais, ideologias, motivações as mais diversas.

JB

Em seguida, citei exemplos. Esmiucei mais três posts nossos. Um de outubro de 2008, sobre a cobertura fotográfica da Zero Hora na Marcha dos Sem; outro de abril desse ano, comparando a matéria de ZH sobre um encontro de Lula com prefeitos, em fevereiro, com outra reportagem do mesmo jornal, só que sobre um encontro de Yeda Crusius com prefeitos gaúchos; e um post que analisou a cobertura da mídia brasileira na renúncia do ex-presidente cubano Fidel Castro.

Creio que consegui passar um pouco dessa experiência e, depois de falar mais um pouco sobre a importância de se criar na sociedade uma visão crítica da imprensa e de procurar demonstrar como devemos tomar esse espaço dos blogs antes que as grandes empresas de comunicação o façam, espero ter estimulado quem ouviu a palestra a buscar algo novo, a tentar encontrar maneiras de se fazer jornalismo de qualidade com honestidade.

Perguntas e comentários sobre o Correio do Povo, a Folha de São Paulo, a questão dos comentários no blog e a possibilidade de anúncios, foram feitos e, dentro do possível, respondidos.

Pude ainda falar um pouco sobre o processo sofrido pelo professor Wladymir Ungaretti, sobre a questão da credibilidade dos blogs, e explicar que, mesmo que não tenhamos qualquer posição político-partidária, o Jornalismo B tem lado.

Espero que tenham gostado e que, de alguma forma, minha fala tenha sido ou seja futuramente proveitosa. Para mim, foi importante. Pude perceber mais claramente algumas de nossas falhas e alguns de nossos méritos. Além do que, ver gente interessada e ter a oportunidade de falar em nome do Jornalismo B para estudantes de comunicação é o tipo da coisa que vai exatamente de encontro ao nosso objetivo, e é extremamente satisfatório e estimulante. Mais uma vez citando o Lucchese, “aplausos, acabou”.

Postado por Alexandre Haubrich

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Não muito interessante

22 Maio 2009

Assinei a Superinteressante por muitos anos. Não sei se eu era muito nova e tinha problemas de discernimento ou se antes ela era melhor mesmo. Encerrei a assinatura em 2005. Já não faz tanto tempo, mas nessa época já fazia um tempinho que eu estava insatisfeita com o que era feito ali. Esse foi o ano que eu entrei na faculdade, e ainda mantive a revista por alguns meses, até finalmente decidir trocá-la pela Carta Capital – no que acho que fiz um bom negócio.

super dietasO fato é que agora decidi tirar a prova dos nove e comprei a edição de maio. O mês já está acabando, a edição de junho já deve estar quase saindo, mas não é essa edição em si que importa, mas o tipo de Jornalismo que é feito na revista, e esse não muda de mês a mês. Ela tem méritos, sim. O principal é o de traduzir um conhecimento científico para uma linguagem de mais fácil compreensão. Isso teoricamente é muito bom, pois leva determinado tipo de informação a quem não teria acesso a ele de outra forma. Democratiza o acesso a essa informação.

O problema é a informação em si. É importante ficar claro que o que a Super faz – ou deveria fazer – é Jornalismo, não ciência. Então o repórter não pode escolher um método científico não-comprovado e decidir que ele é o mais legal e dizer isso para os leitores como se já fosse unanimidade no mundo científico. Defende teorias sem nenhuma base.

Vou usar a edição de maio como exemplo pra facilitar. A matéria de capa é sobre dietas. Seu objetivo aparente é desmistificar aqueles mitos todos que envolvem o tema e que fazem surgir dezenas de publicações que não emagrecem ninguém, mas engordam o bolso de editoras e autores. Visto dessa forma, parece bacana, a ideia é levar uma informação mais aprofundada sobre o tema. Mas o fato é que a revista só desmistifica esses mitos todos para valorizar o mito que ela escolheu ser o melhor: o de que não importa o tipo de comida ingerida, para emagrecer o importante é contar o número de calorias. Não importa se a pessoa come um brigadeiro ou uma maçã. É uma pesquisa de Harvard, é fato, mas não é, definitivamente, uma unanimidade. Além disso, é contraditória, quer mostrar que emagrecer é quase impossível, que as pessoas não precisam se preocupar com isso, ao mesmo tempo em que exalta o resultado de um corpo esbelto. Em suma, tenta dizer o que o leitor quer ler, mas se contradiz o tempo todo.

O layout da revista é interessante, leve, atrai o leitor, dá vontade de ler até o fim – só até descobrirmos os problemas, daí a vontade passa. Além disso, tem infográficos reconhecidos mundo afora, que contribuem para a compreensão de assuntos mais espinhosos. Mas isso não adianta se o objetivo da publicação e os textos que ela imprime não satisfazem.

Há seções sem nenhum sentido, como a “Conexões”, que procura ligar um assunto a outro que não tem nada a ver com ele por meio de manipulação das informações. Tem matérias inúteis – como ensinar como manipular pessoas -, tem matérias completamente vazias, que não dizem absolutamente nada. Aquela seção “E se…”, que discorre sobre uma situação hipótetica sobre determinado assunto no caso de não ter havido algum acontecimento histórico, inventa a história, muda seu rumo, e é também inútil.

super globoNão me lembro exatamente como a revista era antes de sua reformulação, que aconteceu em junho de 2005. Lembro que essa seção “Conexões”, por exemplo, surgiu nessa época. Mas o que eu gostaria mesmo de destacar é que a reformulação da Super “coincidiu” com a capa sobre a Globo. Em junho de 2005, a Globo fez 40 anos. Bem nessa mês, a Super ficou mais bonita, mais atraente, e a capa era o símbolo da emissora mais poderosa do país. Coincidência?

super maconhaIsso tudo sem contar aquelas capas clásssicas da Super. De tempos em tempos, uma folha de maconha estampa a capa. Varia o tom do verde, a cor do fundo, algumas palavras do título. Mas é sempre a mesma coisa, já que o assunto continua sendo tratado da mesma forma e não há novidades expressivas sobre ele. Questionar a existência de Deus é outro de seus esportes preferidos, e aí realmente não tem como haver novidades, tendo em vista que a questão é muito subjetiva. Ainda assim, a Super repete. Repete sempre. Enjoa. Cansa.

Postado por Cris Rodrigues

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Sobre o diploma – post III

21 Maio 2009

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Continuando a série sobre o diploma, a pergunta de hoje é: mas afinal, porque o patronato é contra a exigência de diploma para o exercício do jornalismo?

Uma das coisas mais intrigantes da discussão sobre a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para profissionais da área é ver do mesmo lado veículos alternativos, rádios comunitárias e barões dos grandes meios de comunicação. Acho natural que boa parte dos veículos alternativos não sejam a favor do diploma, pois seu ideal de publicação é justamente o que não está padronizado, tem ojeriza do que está burocratizado – e, para alguns, a universidade representa exatamente essa burocratização. Quanto às rádios comunitárias, muitas delas alegam que este tipo de obrigatoriedade serve apenas para tolher a liberdade de expressão de seus colaboradores e minar a auto-estima das comunidades, tentando fazê-las acreditar que são incapazes de se comunicar sem um jornalista formado.

Ok. Faz muito sentido.  Mas e por que, então, desta vez a grande imprensa está do mesmo lado das rádios comunitárias – que tanto combatem – e dos veículos independentes – dos quais tanto fazem pouco caso? É de estranhar. O argumento central dos editoriais contra o diploma é sempre  a mesma e nobre “defesa da liberdade de imprensa”, como você pode perceber no trecho do editorial de 01 de abril de 2009 colado acima.

Como bem definiu o debochado e geralmente mal-compreendido Paulo Francis, “uma  imprensa livre é, em boa parte, a liberdade dos donos da imprensa que pertecem, direta ou indiretamente, aos núcleos do poder econômico”. Realmente, se os empresários da comunicação estão tão preocupados com a liberdade de expressão, estariam também levantando a bandeira das rádios comunitárias, da democratização dos mídias, etc. Logo, este argumento bem-intencionado - não sei se alguém ainda acreditava – não soa nada verdadeiro.

Por outro lado, os pró-diploma apontam um motivo mais  pé-no-chão para a posição dos patrões: sem precisar contratar diplomados, eles estariam livres para pagar o salário que quisessem aos seus funcionários, e também seria mais fácil fazer com que esses funcionário produzissem um conteúdo de acordo com a vontade da chefia. Pode fazer sentido, mas não são argumentos que convencem.

Quanto aos salários, o piso do jornalista é pouco mais de mil reais, é possível achatar mais sim, no entanto há um limite – eu por exemplo deixaria a profissão para me dedicar a um táxi ou outra coisa mais divertida e rentável. É possível baixar o salário, mas não a um ponto que seja tão lucrativo que valha a pena pagar um lobby no Congresso, fazer campanha, mobilizar a população, e assim por diante.

Já o caso de que pessoas sem formação universitária seriam mais “manipuláveis”, bom, aí é mais difícil ainda concordar. Nas universidades, muitas pessoas não se importam de reproduzir o pensamento dos patrões da mídia, porque são os mesmos pensamentos seus. Há pessoas sujeitas a esse tipo de trabalho tanto dentro como fora das faculdades de jornalismo – talvez dentro das faculdades existam até mais, pois ali pode ser um ponto de encontro de futuros jornalistas vaidosos – antes que me peçam pra descer do pedestal, realço que usei o verbo “pode”, que indica possibilidade, e não certeza.

A formação universitária está cada vez mais voltada a um ensino tecnicista que forma mão-de-obra em massa para trabalhar na grande imprensa, por que então os patrões estão contra ela, se assim parece mais sua aliada do que rival? Ou há alguma motivação desconhecida para serem contra o diploma, ou a posição dos donos dos grandes veículos de comunicação está realmente equivocada.

*O Lerina publicou em sua Contracapa há uns dias uma frase em que o tremendão Erasmo Carlos revela que adorava curtir uns momentos caseiros com a esposa sob o uso de drogas. A frase faz parte da entrevista da Trip deste mês, que ainda não encontrei nas bancas. Em meio a uma imprensa que demoniza o uso de drogas, vem bem a calhar essa oxigenção. Que o crack virou um problema social, sim; que todas as drogas são um demônio, não. Se quiserem, podemos ir mais a fundo neste assunto outro dia, é só comentar aí. Hasta!

Postado por Ale Lucchese

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A mídia impressa irá acabar?

20 Maio 2009

lobãoFoi essa a questão que norteou o MTV Debate de ontem. O Lobão, apesar de falar demais no comando do programa, deu opiniões bem consistentes e mediou bem a conversa. O Marcelo Tas, do CQC, deu um banho. Os outros convidados eram Marcelo Ghigonetto (jornalista e relações públicas, escreve no Blog da Comunicação), Cláudio Tognolli (jornalista e professor da ECA – USP), Matsuo Oko (diretor de arte da revista My Wave), Luciano Martins (do Observatório da Imprensa), Pablo Miyazawa (editor da Rolling Stone).

Houve algumas situações aparentemente meio contraditórias, interessantes. Tenho uma visão meio estereotipada de algumas coisas, e ela foi se quebrando, o que é muito válido. Para mim, o jornalista tradicional, mais antigo, mais apegado aos valores da profissão, que faz as coisas direito, que escreve para o Observatório da Imprensa, defende o jornal impresso. Não parece óbvio? Luciano Martins não, embora saiba que a leitura no papel é 25% mais confortável. “Não tenho o menor tesão de escrever no papel”, ele disse se referindo ao jornal, porque escreveu livros e faz questão de vê-los impressos. Marcelo Tas é um cara de espírito jovem, tem um programa de TV bem dinâmico, é o campeão de seguidores no twitter, é fonte pra qualquer matéria sobre novas tecnologias de informação, o típico cara da internet. Ele defende o papel com unhas e dentes.

Eu vou na onda do Tas, que gosta de livro velho, que lê jornal impresso, que valoriza o formato da revista. Ele sabe que nós estamos no meio do furacão. “Somos a geração que está discutindo os meios, estamos no meio da transformação.” Mas independente disso, da internet, do celular, do papel, do que for, sabe que “o que o leitor quer é uma boa história”. Não houve quem discordasse. Indo na mesma linha, destacou que “a gente passou décadas e séculos sem ouvir ninguém, e agora quem não ouvir está condenado”. Ou seja, o importante é mesmo fazer um bom Jornalismo. Foi unanimidade também que a mídia impressa não deve acabar tão cedo, seja pelo motivo que for.

marcelo tasNo meio do programa, Tas puxa o celular e lê alguns comentários que ele recebeu pelo twitter sobre o programa. Enquanto isso, Lobão lê outros no laptop. Em seguida, um espectador liga e dá sua opinião de que o jornal impresso já era. O próprio formato do programa vai na direção da tecnologia, mas Lobão é um dos mais entusiastas defensores do papel.

No debate que o Jornalismo B realizou sobre blogs e Jornalismo, perguntei como ganhar dinheiro com a internet. Tas falou nisso também. Disse que o New York Times é o jornal mais lido da internet e não ganha absolutamente nada com isso, financeiramente falando, “não descobriu como ganhar dinheiro”. Quer dizer, se o jornal impresso acabar, como continua existindo o Jornalismo?

Seja como for, a discussão é muito rica. E foi muito rica ontem. Bem conduzida, dinâmica, na medida certa. Fiquei na dúvida se escrevia sobre o programa ou sobre o assunto do programa. Acabei misturando as duas coisas. As opiniões expressadas deram muito pano pra manga, incentivaram a discussão e mereciam ser comentadas pelo seu conteúdo, não só pela forma com que foram conduzidas. E, ao mesmo tempo, o debate foi muito bem realizado, e merecia crédito. Faltou comentar várias opiniões, mas o post ficaria grande demais. Então, separa um tempinho e dá uma olhada no programa, disponível AQUI. O Tas foi realmente muito superior aos outros. Mas o que vale mesmo é a iniciativa de promover debates assim. Mesmo que não se chegue a conclusão nenhuma, a troca de ideias é fundamental. Para o Jornalismo, especialmente.

Postado por Cris Rodrigues

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Folha de São Paulo relembra os primeiros 29 meses do governo do PSDB de Yeda

19 Maio 2009

A Folha de São Paulo do último domingo fez algo que é praticamente inimaginável nos principais veículos de comunicação do Rio Grande do Sul: duas páginas que, com qualidade e visão do todo, procuram apresentar uma visão panorâmica dos 29 meses de crise do governo do PSDB no RS. Mesmo sem chamada na capa, o espaço para a reportagem “Governo Yeda completa 29 meses de crise” foi considerável para uma matéria sobre um governo estadual de fora de São Paulo. Até o repórter José Alberto Bombig foi enviado a Porto Alegre para participar da cobertura junto com Graciliano Rocha, correspondente da Folha na capital gaúcha.

desenhoAs fontes foram equilibradas. Um dos líderes da oposição, o deputado estadual Raul Pont, do PT; o secretário da Fazendo, Ricardo Englert; o cientista social Benedito Tadeu César; o senador do PMDB Pedro Simon. A distribuição das falas também é equilibrada, assim como seus tamanhos. O texto é bom, sóbrio, sem grandes invenções, e a retrospectiva destes 29 meses é, ao menos para quem não mora no Rio Grande do Sul, mais do que satisfatória. Consegue fazer um bom retrato da situação. É claro que, para os gaúchos, a avalanche de informações que recebemos todos os dias sobre o governo do Estado torna um tanto rasa a abordagem da Folha, mas, sendo ela um jornal nacional, este problema passa quase despercebido. Os problemas são outros. O principal vem no próximo parágrafo desta análise.

Não há uma linha sobre corrupção. Já no primeiro parágrafo, há o seguinte: “os 29 meses de governo de Yeda Crusius (PSDB)  no Rio Grande do Sul são marcados pela instabilidade política e por um ajuste fiscal duro, sempre sob fogo cerrado da oposição e de ex-aliados”. Aí, o segundo parágrafo começa da seguinte forma, completando o enunciado: “São esses os três fatores que (…) têm levado o Estado a uma situação política tensa…”. E a corrupção, cara-pálida? É esse, na verdade, o principal fator. Quase o único.

Em uma de suas citações, Raul Pont destaca o fato de termos um governo neoliberal em plena crise do neoliberalismo. E diz que “nós não podemos aceitar isso”. O caso é que mais de uma vez aceitamos governos neoliberais aqui e em todo o lugar. O que é ainda mais difícil de aceitar é uma enxurrada de denúncias de corrupção.

Pra ser bem exato, há sim uma referência à corrupção. Mas, quando eu disse que não há nenhuma linha, não falei mentiras. No texto, não se fala em nenhum momento em corrupção. Fala-se em impostos, fala-se em rachas internos, em oposição, em Paulo Feijó (vice-governador, em constante atrito com a governadora). Mas corrupção aparece somente em um quadro na segunda página da matéria, meio de canto. Ainda assim, a palavra “corrupção parece ter desaparecido do dicionário dos repórteres e editores. Não existe nem no quadro que fala rápida e (bem) rasteiramente das denúncias.

tucanoOutra falha da matéria é a raridade da lembrança de que o governo não é apenas de Yeda, mas do PSDB. Será mais um elemento da provável desistência dos tucanos em relação a Yeda? Não sei. Realmente espero que a Folha não tenha entrado nessa, mas a falha é tão gritante que não sei se consigo acreditar em erro ou se o “sem querer querendo” fala mais alto.

A segunda página, aliás, só para registro, traz pequenas retrancas com a situação das próximas eleições e declarações de governistas sobre a possibilidade de uma CPI. Talvez esse devesse ser ao menos um dos focos. A ideia de impeachment é esvaziada e, ao que parece, ela realmente tem ganho força por aqui.

*Zero Hora acertou e errou hoje na mesma página. Uma foto - talvez acidental – de Diego Vara revelou o conteúdo da prancheta de Rene Weber, auxiliar do técnico recém chegado ao Grêmio, Paulo Autuori. A aproximação da fotografia – por isso talvez tenha sido acidental e a sacada genial tenha sido do editor – revela planos de Autuori para o time, com alterações importantes. Pois esse foi o acerto. O erro: pouco espaço dedicado ao assunto, que ficou em segundo plano na página sobre o primeiro treino de Autuori. Em primeiro plano, ficou o óbvio, que todos os jornais deram, e que pouca importância real tem. O furo de ZH, o diferencial, ficou como secundário. Falha do editor.

*O desenho é do ilustrador José Aguiar.

Postado por Alexandre Haubrich

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Sobre o diploma – post II

18 Maio 2009

Ele teve que esperar quase duas semanas, ali, pendurado na geladeira, desde quando comecei a escrever sobre o diploma e descobri que precisaria bem mais de um post para falar do assunto de uma maneira que não fosse leviana. Continuando a série sobre o diploma, hoje o jornal(?) Versão dos Jornalistas não escapa de uma sincera crítica.

O Versão, publicação do Sindicato dos Jornalistas do RS, defende a obrigatoriedade do diploma de jornalista para profissionais da área de maneira tão simplista e contraditória que quase chega a convencer os leitores a não apoiarem definitivamente a causa por ele defendida. Como já deixei claro anteriormente, ainda não tenho opinião formada sobre o assunto – e esta série de posts não deixa de ser a busca por um posicionamento. Ainda bem, pois se fosse a favor morreria de vergonha e constrangimento em ver ali um veículo “aliado”.

Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que tanto eu como a maioria dos colegas com os quais conversei sobre o assunto jamais tinham visto o tal jornal até março deste ano, quando foi feita uma edição extra deste, distribuída no prédio de nossa faculdade (FABICO-UFRGS). O Versão extra tratava exclusivamente do recurso extraordinário que julgaria no primeiro de abril a questão do diploma para jornalista. Antes disso, nunca tinha visto o jornal por ali circular. Mas será que o sindicato só vem aqui quando precisa do nosso apoio? Sim, parece que sim, e esse tipo de oportunismo desqualifica qualquer instituição. É como o candidato carrancudo que, quando em campanha, sorri e nos estende a mão – e logo nos vira as costas depois de darmos o voto na urna.

Mas eu falava antes do caráter contraditório da publicação. O Versão de abril não esconde sua alegria em ver a votação da obrigatoriedade do diploma ser adiada indefinidamente. Até aí tudo bem, não carrego ilusões a respeito de imparcialidade. Mas há quem as carregue, ou pelo menos finja que as carregue. É o caso do presidente do sindicato, o senhor José Maria Rodrigues Nunes, que deixa isso claro em artigo de opinião do jornal. Vale a pena ler:

O Sindicato [dos Jornalistas do RS] não defende apenas a profissão do jornalista, mas toda a sociedade, que merece informação qualificada e imparcial, que não represente apenas os ideais de seus proprietários“. Grifo meu.

Essa é a opinião do presidente do sindicato. Mas vejam só a frase de abertura da matéria de capa do seu jornal: “A votação do Recurso Extraordinário 511961, que analisa a exigência do diploma para o exercício de Jornalismo, era um primeiro de abril” (não vou nem entrar na mérito da falta de criatividade do trocadilho). Sim, o jornal considera a votação um chiste, um trote, uma piada, e deixa isso claro logo de uma vez, enchendo de opinião uma matéria de um veículo dito “imparcial”.

Além disso, o jornal não entrevista fonte alguma com opinião contrária à posição do Sindicato. Ironicamente, em seu brilhante artigo, o presidente da instituição aponta: “Não defendo reserva de mercado, mas sim uma informação plural para todos” (grifo meu). Alguém precisa explicar para o Nunes que por “informação plural” se entende variedade de pontos de vista sobre um mesmo tema. Se ele disser que  já sabe disso, avisem então que o jornal que representa a instituição dele não está servindo de exemplo do que ele considera um bom jornalismo.

Além de ser omisso em relação a opiniões contrárias ao diploma, o Versão dá mais um exemplo de que talvez não baste ter diploma para se fazer um jornalismo ético. Na matéria “Núcleo motiva participação de estudantes no Sindicato”, o jornalista(?) afirma que no dia 14 de março, em Porto Alegre, uma reunião com estudantes de jornalismo de diversas faculdades foi feita para discutir “a manutenção da regulamentação profissional e o futuro do Jornalismo“. Segundo ele, lá estavam “30 alunos, representando a PUCRS, UFRGS, ULBRA, Unisinos e Unifra” (grifo meu). Não sei quanto às outras universidades, mas posso garantir que ninguém estava representando os estudantes da UFRGS nesta reunião. Não houve nenhuma assembleia ou qualquer outra tipo de reunião que destacasse alguém para falar em nosso nome. Poderia sim haver ali algum interessado pelo assunto, mas ninguém investido de poder para “representar” ninguém. É uma grossa mentira com intuito de valorizar o núcleo do Sindicato.

Com ou sem diploma, o Versão só faz envergonhar os jornalistas. Esperamos, sinceramente, mais – e plurais – versões.

Postado por Ale Lucchese