Começou hoje mais uma campanha que busca aparentar ter grande relevância social promovida pelo Grupo RBS. Depois de violência no trânsito (comentada já aqui), o tema agora é a “pedra do capeta”, como define o indefectível Alexandre Mota, ou simplesmente o “crack”, como prefere a pretensamente equilibrada diretoria do maior grupo de comunicação da região Sul.
Pois bem, o que move uma campanha como essa, qual o interesse do grupo? Se alguém ainda está em dúvida de que é apenas uma grande ação de publicidade travestida de bom-mocismo, lembre em que patamar a ação “Violência no trânsito: isso tem que ter fim” obteve sucesso. O único sucesso foi conseguir alta publicidade da marca, já que a RBS nem ao menos se deu ao trabalho de pesquisar e divulgar dados que comprovassem de que maneira a campanha ajudou realmente a melhorar o trânsito. Quanto a pesquisas sobre a popularidade de seus veículos, estas são feitas rotineiramente.
“Ok”, você diria, “mas essa gente faria sua campanha do mesmo jeito, e é bom que torre esse dinheiro pelo menos fazendo alguma coisa socialmente positiva”. Mas não é bem por aí… A campanha, segundo seus coordenadores, demorou seis meses para ficar pronta. E isso se deve apenas a um motivo: o grande desafio que é montar uma enorme ação como essa de maneira superficial e vazia. E eles conseguiram através da falta de aprofundamento, incitando a emoção mais fácil de ser criada no ser humano: o medo. “Crack, nem pensar”… pensar aqui é um risco, deixe que a RBS pense por você.
Mas é possível que você pense: “mas esse é um blog sobre jornalismo, o que uma campanha publicitária está fazendo aqui então?” Em primeiro lugar, esta empresa concentra grande parte das vagas para jornalistas – então veja onde nossos colegas estão se metendo. Em segundo lugar, porém mais importante: essas ações feitas com este viés autoritário e
anti-racional são tão poderosas que colocam as redações de jornalismo numa posição de meras vassalas.
Exagero? Não. Ontem a edição inteira do Jornal do Almoço se deu toda em torno desta campanha – e não foi do tema, foi em torno da campanha mesmo. Da mesma forma, este foi o destaque da capa da Zero Hora de hoje – será que não tinha nenhum fato mais importante do que o lançamento de mais uma ação publicitária do grupo? Além disso, este foi o tema do editorial, todos as fotos dos colunistas tem agora camisetas onde se lê “Crack, nem pensar”, por aí vai…
E depois eles aparecem na propaganda da televisão dizendo “a gente só não pode criar um fato”. Pois é, hoje criaram mais um.
*imagens do site www.cracknempensar.com.br
Postado por Ale Lucchese



O primeiro bloco tratou de casamentos que usam ferramentas da internet de vários modos. Acompanhamento dos preparativos pelo Twitter e por blogs, vaquinha virtual para o chá de panelas, etc. Interessante, mesmo que não seja nada exatamente investigativo, nada com um grande valor social. Interessante porque mostra tendências de comportamento social. A ideia do programa é exatamente essa e, em muitos casos, é alcançada. Trabalhar tendências possui um valor importante. É o jornalismo com uma postura visionária, como observador interessado e atento.
O fato de Renata Simões demonstrar conhecimento dos assuntos de que trata torna as matérias mais interessantes, mais completas e mais ágeis, além de passar confiança ao telespectador. É uma das vantagens dos canais fechados, que acabam tendo apresentadores e repórteres mais por dentro dos assuntos que tratam.
Vi uma vez uma jornalista de grande qualidade, que realiza um trabalho excepcional com moradores de rua para que eles tenham acesso a meios de comunicação, defender a obrigatoriedade do diploma de jornalista. Ok, muitos já sabem que me refiro à Rosina Duarte, que coordena os trabalhos do Boca de Rua, jornal realizado por pessoas sem formação, inclusive escolar, mas orientadas por jornalistas formados. Achei interessante essa posição, bem diferente do que eu imaginava. Seu argumento foi de que há uma ética jornalística que deve ser preservada e que o diploma é importante por isso.


O fato é que agora decidi tirar a prova dos nove e comprei a edição de maio. O mês já está acabando, a edição de junho já deve estar quase saindo, mas não é essa edição em si que importa, mas o tipo de Jornalismo que é feito na revista, e esse não muda de mês a mês. Ela tem méritos, sim. O principal é o de traduzir um conhecimento científico para uma linguagem de mais fácil compreensão. Isso teoricamente é muito bom, pois leva determinado tipo de informação a quem não teria acesso a ele de outra forma. Democratiza o acesso a essa informação.
Não me lembro exatamente como a revista era antes de sua reformulação, que aconteceu em junho de 2005. Lembro que essa seção “Conexões”, por exemplo, surgiu nessa época. Mas o que eu gostaria mesmo de destacar é que a reformulação da Super “coincidiu” com a capa sobre a Globo. Em junho de 2005, a Globo fez 40 anos. Bem nessa mês, a Super ficou mais bonita, mais atraente, e a capa era o símbolo da emissora mais poderosa do país. Coincidência?
Isso tudo sem contar aquelas capas clásssicas da Super. De tempos em tempos, uma folha de maconha estampa a capa. Varia o tom do verde, a cor do fundo, algumas palavras do título. Mas é sempre a mesma coisa, já que o assunto continua sendo tratado da mesma forma e não há novidades expressivas sobre ele. Questionar a existência de Deus é outro de seus esportes preferidos, e aí realmente não tem como haver novidades, tendo em vista que a questão é muito subjetiva. Ainda assim, a Super repete. Repete sempre. Enjoa. Cansa.
Foi essa a questão que norteou o MTV Debate de ontem. O Lobão, apesar de falar demais no comando do programa, deu opiniões bem consistentes e mediou bem a conversa. O Marcelo Tas, do CQC, deu um banho. Os outros convidados eram Marcelo Ghigonetto (jornalista e relações públicas, escreve no
No meio do programa, Tas puxa o celular e lê alguns comentários que ele recebeu pelo twitter sobre o programa. Enquanto isso, Lobão lê outros no laptop. Em seguida, um espectador liga e dá sua opinião de que o jornal impresso já era. O próprio formato do programa vai na direção da tecnologia, mas Lobão é um dos mais entusiastas defensores do papel.
As fontes foram equilibradas. Um dos líderes da oposição, o deputado estadual Raul Pont, do PT; o secretário da Fazendo, Ricardo Englert; o cientista social Benedito Tadeu César; o senador do PMDB Pedro Simon. A distribuição das falas também é equilibrada, assim como seus tamanhos. O texto é bom, sóbrio, sem grandes invenções, e a retrospectiva destes 29 meses é, ao menos para quem não mora no Rio Grande do Sul, mais do que satisfatória. Consegue fazer um bom retrato da situação. É claro que, para os gaúchos, a avalanche de informações que recebemos todos os dias sobre o governo do Estado torna um tanto rasa a abordagem da Folha, mas, sendo ela um jornal nacional, este problema passa quase despercebido. Os problemas são outros. O principal vem no próximo parágrafo desta análise.
Outra falha da matéria é a raridade da lembrança de que o governo não é apenas de Yeda, mas do PSDB. Será mais um elemento da provável desistência dos tucanos em relação a Yeda? Não sei. Realmente espero que a Folha não tenha entrado nessa, mas a falha é tão gritante que não sei se consigo acreditar em erro ou se o “sem querer querendo” fala mais alto.
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