Temos falado insistentemente nisso, mas já que a coisa aconteceu hoje, vamos ter que repetir o assunto. Desculpa a quem já cansou, mas não dá pra ser diferente. É isso aí, agora é certo, não precisa de diploma pra ser jornalista. O STF decidiu hoje por 8 votos a 1 pela não obrigatoriedade da exigência de diploma para jornalista. Temos que discutir a questão, embora a discussão seja inútil por dois motivos. Primeiro, o óbvio, porque já está decidido (para mais detalhes, dá uma olhada AQUI). Depois, porque não muda nada.
O que a maioria não sabe e que quebra muitos argumentos pró-diploma é que sua obrigatoriedade já está suspensa desde 2006, e desde lá nada mudou. Nosso jornalismo é péssimo? É, mas isso pouco tem a ver com a exigência ou não de um curso superior. Que, aliás, não vai deixar de existir, e cuja qualidade merece outros posts e muita atenção.
Diante de tudo o que tem se falado, estou chegando perto de formar minha opinião. A minha dificuldade em tomar um partido vem de dois argumentos principais. Para mim, todos os outros são quase dispensáveis – alguns, desculpem dizer, idiotas. De um lado, vejo a não obrigatoriedade do diploma como uma forma de democratizar o acesso aos meios de comunicação. Na medida em que o jornalismo não requer conhecimentos técnico-científicos, mas se trata de uma atividade intelectual, como salientou o Ministério Público, e diante do fato de que todos temos direito a expressar nossos pensamentos e ideias, parece justo que o jornalista não deva precisar de diploma. Devo acrescentar que pesa também pela não-obrigatoriedade a existência de jornalistas fantásticos sem o canudo embaixo do braço.
Por outro lado, tendo em vista a função social essencial do jornalismo, parece evidente que se garanta a qualidade da informação que é transmitida. Sem o acesso a uma faculdade, talvez não se tenha noção da necessidade de que uma informação esteja 100% checada antes de ser transmitida, por exemplo. E esse é apenas um dos fatores envolvidos. Se o acesso aos meios de comunicação deveria, de forma utópica, ser universal, é também socialmente muito importante que se garanta a qualidade do que se transmite. A questão é mesmo delicada.
Quero deixar claro que os dois argumentos a que me detenho dizem respeito à sociedade, ao bem comum, não a uma classe específica ou a apenas um profissional. Salário, mercado de trabalho, concorrência, essas são todas questões que envolvem mais uma regulamentação da profissão do que a exigência ou não de diploma.
Diante de todos esses argumentos, fico em um meio termo, talvez mais exigente do que se o diploma de jornalismo fosse de fato uma exigência. Vejo a democratização do acesso como uma utopia a ser atingida quando o nível de educação do Brasil atingir uma qualidade alta – mas reforço que devemos perseguir insistentemente essa meta. Defendo, então, uma posição mais parecida com a do jornalista Marcelo Tas. Acho que deve-se exigir a conclusão de um curso superior, não necessariamente o de jornalismo, com o acréscimo de uma pós-graduação em jornalismo. Sei que essa opção restringe ainda mais o acesso à voz no Brasil, mas vejo como recompensa uma informação de mais qualidade para a população. Por enquanto acho que compensa. Acho.
* O Jornalismo B convida para a exibição do filme Bukowski: Born into this, na próxima segunda-feira, dia 22 de junho, às 14h, no auditório da Fabico (Ramiro Barcelos, 2705, atrás do Planetário, em Porto Alegre). É um documentário sobre o escritor e jornalista Charles Bukowski, autor de Notas de um velho safado, O amor é um cão dos diabos, Mulheres, Hollywood, Cartas na rua, entre tantos outros.
Postado por Cris Rodrigues
Tags:curso superior, democratização, diploma, faculdade de jornalismo, qualidade da informação, regulamentação, STF







Ilustre Cris.
Como teu colega venho dizer que esse decisão destroça completamente nossa categoria.. Primeiro: acaba, aos poucos, com o curso de jornalismo na Faculdade. Afinal, o interesse vai diminuindo, visto a inutilidade do diploma, e com isso tornará, deus me livre, os teus professores desempregados mais na frente. Quem desejará ingressar no curso? pra que? Com a internet aí, é só copiar e colar que tá tranquilo… Por isso, a academia poderá, em pouco tempo, acabar…E as diversas universidades particulares que oferecem o curso(empregando muitos funcionários e professores) farão o que ? Acabarão…infelizmente
Depois disso, a assessoria de imprensa não contará com um jornalista, ou seja, diminui a gama de oportunidades oriundas de um diploma… Por tabela, imagina as diversas universidades espalhadas pelo interior do brasil… A comunicação vai caminhando, a partir da decisão do STF, para carteis no interior do Brasil…Pois não haverá curso nas universidades, não haverá investimentos….
A decisão do STF é inconsequente, pois ela, além de abrir precedente para outros cursos, como Direito, publicidade, RP, Administração, entre outras, a sentença do STF anula 40 anos de investimentos, após a primeira lei, para criação de Cursos de comunicação em faculdades, etc..Cursos como o meu, Unisinos, o teu, UFRGS, e do amigo jornalista do outro lado da tela… Essa decisão equivocada é um retrocesso e abre caminho para uma bagunça profissional e o enfraquecimento do ensino superior..
Por isso, espero, mais na frente, contar contigo pela defender nossa categoria, os professores e todos aqueles que não se julgam SABICHÕES a ponto de menosprezar 40 anos de investimento em educação e formação profissional no jornalismo…
Desculpa o tamanho do texto, mas é proporcional com a minha indignação…
Saudações e bom trabalho.
Silva Júnior,
Criamos esse espaço justamente para discussão, então teu comentário é muito bem vindo. Vou dar minha opinião a respeito.
Insisto que a questão ainda é muito delicada e estou recém formando uma posição minha, mas utilizo o teu exemplo da internet justamente como um questionamento da exigência do diploma. Com o acesso à internet, em que todos podem escrever, criar blogs, até mandar matérias para sites de jornalismo, como controlar o que é jornalismo e o que não é? Me parece que nesse caso quem decide é quem lê, não tem como ser diferente. Como rotular um blog como jornalístico? Apenas pela existência de um diploma? E quem é formado mas mantém um blog pessoal? O que eu vejo é que nessa mídia quem vai dar a credibilidade ao veículo é o leitor, é ele que vai definir o que é jornalismo ou não. Mesmo que se torne novamente obrigatória a exigência de diploma, na internet vai ser impossível controlar. A lei teria que se aplicar somente aos outros veículos, a meu ver. E, como a internet é o que mais cresce, ficaria aí um hiato muito grande.
De qualquer forma, mesmo diante dessa dificuldade, tenho passado a defender a exigência de um curso superior com uma pós-graduação em jornalismo. Isso não desqualificaria os jornalistas já formados, os que já exercem a profissão, mas qualificaria ainda mais os que estão por vir, melhorando a qualidade da informação prestada. De um modo geral, quem defende a não-obrigatoriedade do diploma, até onde eu sei, não menospreza o que já foi feito até aqui. Até porque, como eu disse no post, com essa decisão o curso não deixa de existir. E eu insisto que quem exige diploma hoje vai continuar exigindo. Até porque nosso piso salarial é tão baixo (no interior do RS é R$ 1.087,73) que não compensa contratar alguém não-formado. O que é preciso de verdade, o que influenciaria mais diretamente nas condições de trabalho e que deveria ser feito urgentemente é uma regulamentação da profissão.
E sobre assessoria de imprensa, até concordo que ela é exercida mais competentemente por jornalistas, mas assessoria de imprensa não é jornalismo.
Muito obrigada pelo comentário.
Um abraço.
Sou jornalista formada na Universidade de Fortaleza e ainda não tenho minha opinião formada. Adoro essa discussão mais abrangente aqui, já que não encontro isso em outro lugar.
A única coisa que sei é que agora modelos-atrizes poderão colocar jornalista no “currículo”.
Beijos e continuem com o bom trabalho.
A idéia do jornalismo como pós-graduação, a meu ver, é estúpida. Primeiro que um curso de pós-graduação é necessariamente voltado para a produção acadêmica, através de artigos e teses. O curso de jornalismo também tem a necessidade do viés técnico, a lêndea que sai do ensino médio precisa aprender o que é o rádio, a tv, o texto impresso.
No fundo, esse argumento da pós-graduação parte do princípio arrogante de que “não aprendi nada na faculdade de jornalismo”. É uma visão tíbia, limitadíssima, uma falta de visão perspectiva, que mostra quem e o quê tu era antes de entrar na faculdade e o que tu é agora. A faculdade não serve para te ensinar o mundo. Serve para abrir a tua cabeça para aprender mais sobre o mundo. Lamentavelmente, vejo muitos agarrados num ideal ultrapassado, baseado em 1968, que a academia limita a percepção. Como se tudo o que foi aprendido e ensinado sobre didática e técnicas de ensino nos últimos 41 anos fosse lixo.
Como diria a frase: eu acho que não sou jovem o suficiente para achar que sei tudo sobre o mundo.
Cris,
Quero incentivar uma discussão sobre fim da Lei de Imprensa e da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo baseado em vários posts que fiz desde o ano passado e na opinião de vários links contidos nesses meus posts.
Ainda, a posição do Rogério Christofoletti, professor da Univali que é um dos caras mais antenados às questões da ética e das tecnologias da comunicação e da informação (TICs), e da profª Ivana Bentes:
http://heliopaz.com/2008/09/22/diploma-de-jornalista-nos-termos-atuais-sou-contra/
http://heliopaz.com/2008/11/02/jornalismo-exigencia-do-diploma-coitadismo/
http://heliopaz.com/2008/11/02/esquerda-nao-sabe-usar-a-internet-nem-fazer-midia-alternativa/
http://heliopaz.com/2008/11/13/midia-ideologia-tendencia-hipocrisia/
http://heliopaz.com/2009/06/16/jornalismo-sindicatos-faculdades-diploma/
http://heliopaz.com/2009/06/18/queda-da-lei-de-imprensa-e-do-diploma-de-jornalismo-tendem-a-melhorar-o-setor/
http://tinyurl.com/lyy3a6
http://www.trezentos.blog.br/?p=1839
Por que diabos as criaturas são induzidas ou esperam ser empregadas ao invés de donas do próprio nariz?! Por que diabos o Santo Graal do bom salário, da fama, da infraestrutura adequada, do conhecimento de gente importante, da aprendizagem e do crescimento profissional é a mídia corporativa?!
Chega de clientelismo, corporativismo, paternalismo, oportunismo, arrogância, sectarismo, presunção e, acima de tudo, ignorância e exclusão feita tanto pela mídia corporativa quanto pelos sindicatos!
[]‘s,
Hélio
Colegas,
Me pergunto se a categoria dos jornalistas (se é que isso existe mesmo), que agora passa a ser formada por bacharéis em Jornalismo e todos os demais, será capaz de se unificar e lutar por temas importantes para o setor.
Temo que os formados em Jornalismo não superem o luto da derrota no STF e sigam discriminando os formados em outras áreas e os não graduados e que isso impeça a todos de seguir adiante.
Sei que, de um lado, que a Fenaj afirma que “(…)Além de prosseguir com o movimento pela qualificação da formação em jornalismo, a luta pela democratização da comunicação, por atualizações da regulamentação profissional dos jornalistas e mesmo em defesa do diploma serão intensificadas”. De outro lado, o Movimento dos Jornalistas Sem Diploma convoca formados e não formados para fundar a Associação Brasileira dos Jornalistas, em oposição à Fenaj.
Diante do campo de batalha que começa a se delinear, parafraseio o velho Marx (inutilmente, eu sei…): Jornalistas (formados ou não) do Brasil, uni-vos!
um abraço,
Roberto Mesquita
O blog, por exemplo, não é jornalismo…Blog é uma ferramenta e pode ser um blog jornalístico ou um diarinho….Na verdade, como não há regulamentação sobre a internet, dicutir sua presença é desnecessário.. O diploma vai muito além disso.. Com a internet, se previlegiará grupos de comunicação, agências de notícias, como a única fonte de um jornalismo preguiçoso, que é o que virá pela frente.. Isso é triste pois, como disse a colega acima, os atores globais e outros estufarão o peito e se chamarão de jornalista por entrevistar um ou outro. Assim , o “repórter por um dia” do fantástico, passará a preencher nossa grade em prol do “rostinho bonito e reconhecimento”.. O que custa entrar na faculdade para quem deseja ser jornalista? Eu, a partir de hj, verei os meios legais para, no mesmo molde, realizar a prova da OAB e, com isso, ser o meu próprio advogado..sem pagar honorários do meu dinheiro para outrem.. Estamos presenciando o fim de um curso de ensino superior em breve…Pois, repito, esse será o destino com essa decisão..Pra que pagar ou estudar durante anos algo que não vai garantir nada, ainda mais diante dos grandes grupos comunicacionais que escolhem seus “estagiarios” por beleza ou amizade..
É triste ver que, no Brasil, a comunicação (tão importante)não terá um lugar para sua reflexão, um local onde construiríamos novos conceitos, novas formas comunicacionais…
Tudo em prol de quem? Quem são os beneficiados por essa lei? até agora não sei…
Aliás, sei que, a partir de hj, nunca mais lerei a folha de São Paulo…um (des) jornal que foi o maior responsável por essa decisão descabida, que chama de OTÁRIO todos que frequentam, durante anos, os bancos de uma universidade…
Enquanto isso, o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL não faz nada para acabar com a IMPUNIDADE que corre solta no país…Nada para combater os deleites do seu Sarney que usa nosso dinheiro para pagar 7.000,00 reais para seu neto e sobrinha…que vergonha ver isso com nossa mais alta corte…
Na verdade, quero saber quem está festejando com isso…Os espertos, sabichões, que agora estão rindo da nossa cara de palhaço, palhaços estudantes de jornalismo em qualquer universidade do Brasil..
Abraço e podemos perder essa batalha, mas a guerra apenas começou…
Olá para todos(as), venho aqui por meio deste expressar minha indignação com relação a decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal neste último dia 18. Alguém pode me responder aonde eles estavão com a cabeça? Tantas coisas horriveis acontecendo no Brasil, na saúde pública, no ensino brasileiro, na política debaixo dos narizes deles e nada é feito. Mas agora acabar com os sonhos de garotas como eu, prestes a prestar vestibular, que desde os 12 anos de idade sonha em ser jornalista… O que é isso? O que estão fazendo? Qual o problema com os jornalistas? O que irá acontecer com a categoria? Com os que querem fazer “ainda” faculdade de jornalismo? Não precisa mais? Então que faculade poderá subistituir essa sede de informar o público, mobilizar pessoas através da informação, que eu tenho? Estou muitissímo preocupada…Não sei eu o que fazer, nem para onde ir!!!!
Sem falar no piso salárial, que já é baixo e com essa “democratização da informação”, os verdadeiros jornalistas morrerão de fome!!! Temos que lutar…o tempo em que os militares ficarão no poder já foi suficiente para calar nossas bocas naquele regime ridículo e menosprezável!
Obrigada pela atenção e me ajudem por favor!
Pessoal, fazer uma faculdade não pode ser apenas garantir um diploma. Fazer uma faculdade é um processo de formação. Os colegas publicitários de vocês NÃO têm exigência de curso superior para o exercício da profissão. Por que eles fazem a faculdade? Vocês já pensaram nisto? Porque a faculdade de publicidade não acaba? Talvez porque faça alguma diferença.
Vocês vão deixar a faculdade de jornalismo porque não vão contar com uma ilusória reserva de mercado no final? Sei que este é um momento meio desnorteante para os estudantes de jornalismo, especialmente os que estão se formando, mas será que a melhor atitude agora não passa a ser a de COBRAR das faculdades que realmente façam diferença na formação de vocês? Pois o que vai valer agora mais firmemente para todos interessados em ser jornalistas é a busca de uma formação de qualidade e de excelência, que, como se diz “se garanta”. Quem continuar apostando no pacto “não sou cobrado, mas também não cobro, só preciso aguentar firme e saio com o diploma”, vai se dar mal (aliás, já está se dando).
Posso estar redondamente enganada, mas espero que está medida acabe com a acomodação que reina em alguns cursos, tanto entre alguns docentes quanto – e especialmente, me desculpem – entre os estudantes. Cabe a vocês agora cobrarem ATIVAMENTE dos cursos nada menos que uma revolução.
Concordo contigo Clarice…o pessimismo é uma forma de “clarear o que foi feito pelo STF”.. MAS CONCORDO CTG QUE A ÚNICA OPÇÃO DA FACULDADE A PARTIR DE AGORA É FAZER UMA REVOLUÇÃO COMO “CONTRA-RESPOSTA”..COMEÇANDO POR UM JORNAL, RÁDIO E TELEVISÃO PRÓPRIOS, INDEPENDENTES, QUE EMPREGUEM SEUS ESTUDANTES..
De todo modo, ainda cabe ir até as últimas consequências legais para rever essa sentença do STF…que me envergonha pq poderá (sendo pessimista) desempregar professores e fechar cursos..Tem muita faculdade que mantém o curso abrindo vaga para o PROUNI E ENEM…Agora, não sei se terá interesse dos alunos.. há menos se houver uma revolução, como falaste, nas universidades…
mas mesmo assim, pra mim, o momento é de luto por saber que inúmeros professores, grandes amigos, que fizeram mestrado, doutorado, pós graduação, etc, podem estar vendo o fim de empregos, de tantos anos de estudo na academia..
saudações..
parabéns Hélio, Jucá e outros tantos militantes de esquerda. Abracem Gilmar Dantas e celebrem mais essa importante vitória da democracia brasileira!
htt://migre.me/2xja
o mané, eu não sou de esquerda. e pro outro mané que diz que blog não é jornalismo, bem vindo ao século XXI. blog é jornalismo sim, e vc quer que o pessoal do jornalismo B não exerça jornalismo, pois eles nao tem diplomas
esse carinha adora polemizar. mas eu morro do lado do Gilmar Mendes se for preciso, pelo menos não sou que nem tu que apóia um decreto lei criado pela junta militar logo após o AI-5 pra calar a massa. qnd eu for na Fabico, ve se nao foge da peia, filhote do Costa e Silva
Pessoal, esse é o limite pra ofensas pessoais. Podem discutir, debater, até xingarem uns aos outros, mas com nível. Como disse, esse aqui é o limite. Espero que a discussão continue, mesmo com a decisão do STF tomada o debate é importante, mas é importante para construir. O que descambar a partir de agora vai ser sumariamente apagado.
“Depois, porque não muda nada.”(…) Esta frase no primeiro parágrafo resume muito bem a questão. As grandes empresas jornalísticas vão continuar dando preferencia aos diplomados, não sei porque tanta polêmica.
Mas o que foi, ou quais foram as conquistas que o profissional de jornalismo conseguiu após os cursos universitários e a obrigatoriedade do diploma? O diploma blindou a categoria? É garantia de boa colocação no mercado de trabalho? Onde? Saiam Bacharéis e não façam Doutorado e MBA que serão submetidos às humilhações do redator-chefe…Bom, um bom PG (costa-larga) também resolve.
Pesquisem os jornalistas do século passado e façam uma comparação com os atuais e depois me digam se não existia um padrão de qualidade excepcionalmente melhor.
Em vez de avançarmos retroagimos, e o que vemos por aí são recém formados cometendo erros primários e as redações abarrotadas de amadores. O que vai acontecer? Os estudantes de jornalismo terão que se esforçar mais porque, certamente, aumentará a competitividade.
Os aventureiros darão lugar aos vocacionados e só quem tem a ganhar é o jornalismo e a população. Bom, esta é minha opinião.
hm, ditadura. Apoiar uma decisão de oito (8) magistrados que não foram eleitos por ninguém é extremamente democrático.
Prefiro a sensatez:
“eram favas contadas, desde que a coisa começou a ser tratada como mero corporativismo. o fim do diploma não é o fim do mundo. o jornalismo já não anda lá estas coisas, só vai piorar um pouco, ou talvez só vá piorar mais rapidamente. algumas faculdades vão fechar, alguns alunos vão desistir do curso, alguns professores vão ficar sem emprego. normal. os pisos salariais, que hoje são aviltantes, vão desabar. vai ter gente comendo fígado de gente e se vendendo por muito pouco para derrubar os colegas de seus postos. e os jornalistas que estão comemorando o fim do “resquício da ditadura” talvez um dia tenham que proteger seus fígados da massa faminta que vem por aí.
é bom também outras carreiras ficarem atentas. o STF abriu hoje a porta da desregulamentação de toda profissão “intelectual”. ou seja: se não tiver um bisturi na mão ou uma lista de compêndios a decorar (com muita expressão em latim, para demarcar bem o conhecimento especializado), é provável que não haja “especificidade”.
registre-se que o ministro Marco Aurélio foi o único a votar pela exigência do diploma, lembrando que vamos ter jornalistas com ensino médio ou, talvez, apenas o ensino fundamental. eu diria até: talvez sem nível de ensino algum. já pensou que maravilha, aquele dono de jornal do interior, que agora vai poder contratar o filho do amigo, porque o filho do amigo “escreve bem”? vai ser lindo. pura arte.”
http://migre.me/2yxh
Era repugnante ver os senhores juizes decidindo a vida de milhares de profissionais, de uma profissão que afeta todo o Brasil e nossa sociedade; depois assistir os jornalistas da globo dizerem que ficou superada uma questão da época da ditadura.
A Ditadura tem outras maneiras de se fazer presente. Precisamos julgar os torturadores, as empresas que ganharam por baixo do tapete e a Midia, que apoiava a Ditadura e apoia hoje a simples supressão da profissão de jornalistas. Enfrentar a Ditadura é complexo.
jornalistas não só da globo, tem alguns que falam isso aqui nesse site…
Olá Cris,
Parabéns pelo blog e pelo texto. Compartilho da sua opinião “quase formada”, hehe. A minha também mais ou menos está assim… E essa discussão não acaba tão cedo!
Abraço o/