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Mônica Bergamo e Helô Quebra-Mansão

23 Junho 2009

“Ai, ai, ai, ai, ai, ai/ Para não, tá bom demais/ Ai, ai, ai, ai, ai/ Vem com tudo, eu quero mais/ Tô fervendo, tô no ponto/ Eu dou no primeiro encontro/ Se você for tarado, vem que eu gosto do babado/ Vem com tudo, nesse clima/ Ou me come, ou sai de cima/ Vem por trás, meu cachorrinho/ Também gosto do bichinho/ Se você não me acalmar, baby, a fila vai andar/ Não nasci pra ser noviça/ Então, vê se não me atiça/ Mostra que tu é meu macho/ E sossega esse meu facho/ Tô ficando molhadinha/ Quero ser sua bonequinha/ Ai, ai, ai, ai, ai/ Para não, tá bom demais”.

cachorroEsse é um trecho da bela composição “Dou pra cachorro”, de autoria de Helô Quebra-Mansão, codinome de Heloisa Faissol, uma (nem tão) típica filha da alta sociedade carioca. Pois é, Heloísa meio que rompeu com a família e virou funkeira. Mesmo dentro do funk, causa polêmicas. DJ Marlboro, principal produtor do funk no Rio de Janeiro, não toca as músicas dela, por exemplo. O cunhado de Heloísa / Helô é simplesmente João Gilberto, para quem a garota é louca.

Isso tudo está na coluna da Mônica Bergamo deste domingo, na Folha de São Paulo, sob o título “Funk de butique“. Apesar de os assuntos variarem – o domingo, em especial, costuma ser reservado para matérias mais longas e não tão “perfumantes” – o que Mônica faz na Folha é coluna social. E, em casos como esse, mostra que coluna social pode, sim, fazer bom jornalismo, desde que a preocupação seja com o leitor, e não com as “celebridades”.

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Mônica traçou um ótimo perfil de Heloísa, a partir da relação com a família e com a música, com um texto extremamente sagaz em alguns momentos. A história é muito interessante – renderia um livro, certamente – e foi muito bem contada. A colunista / repórter consegue passar exatamente o cômico da situação, sem deixar de lado o que de sério tem a história – a influência que letras com conotação sexual tão grotesca pode ter em crianças, parte importante do público do funk nas periferias, por exemplo.

Aliás, eu falei ali em cima que a história daria um livro. Essa coluna da Mônica Bergamo me fez lembrar do Joel Silveira e o seu “Eram assim os grã-finos de São Paulo”. Maravilha. Se a Helô Quebra-Mansão dá pra cachorro, eu não sei, mas esse incômodo bom que fica depois de ler um belo perfil como esse é a prova final de que uma reportagem tem qualidade.

* No mesmo caderno Ilustrada, uma divertida e interessante entrevista com o ex vocalista do Stooges, Iggy Pop. Em 15 minutos de entrevista por telefone, um repórter com conhecimento do assunto e perspicácia consegue produzir material de qualidade. Foi o caso de Bruno Yutaka Saito, que assina a tal entrevista.

* Uma crítica que fiz, em meu último post, à matéria da Revista Adverso sobre o processo que o MP de SC move contra o Grupo RBS, merece ser retirada, após a explicação da repórter Naira Hofmeister em nossos comentários. A posição do Grupo RBS não aparece na reportagem porque “a RBS foi contactada uma porção de vezes. Pediu prazo para ver quem seria o entrevistado e depois de mais de um mês comunicou que ‘infelizmente, ficariam de fora dessa edição’”.

* Foto retirada do site da cantora, www.eloisafaissol.com

Postado por Alexandre Haubrich

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