Daqui a pouquinho, às 18h 30min, começa aqui a transmissão ao vivo do debate “Mídia Independente: como fazer a diferença?”, diretamente da livraria Letras e Cia, em Porto Alegre.
Presença dos debatedores Cláudia Cardoso, do blog Dialógico, Leonardo Santos, da rádio comunitária A Voz do Morro, e Rosina Duarte, do jornal Boca de Rua.
Daqui a pouquinho começa a transmissão do debate “Mídia Independente: como fazer a diferença?”. Pessoas vão chegando…
Teremos transmissão ao vivo do debate também pela rádio que pode ser acessada pelo site www.avozdomorro.com
Apresentações do blog e dos debatedores. Umas 10 pessoas no público. Vai começar.
Cláudia Cardoso, do blog Dialógico, começa falando sobre o que é mídia alternativa.
Cláudia; Há dificuldade para explicar o que é “alternativa”.
O que é ser alternativo? Pode ser independente, pode ser livre, mas tem que fazer o embate com o capital.
A população não entende que comunicação é um direito humano. Mídia alternativa tem que promover um embate ao capital na pauta.
“O que a mídia corporativa faz com os movimentos sociais e com as rádios comunitárias? Criminaliza. É isso o que temos que contrapor. A minha pauta tem que contrapor isso”.
“A minha pauta tem que contrapor isso. Anunciar como a mídia corporativa está trabalhando, e denuncia que não é assim”.
Exemplo do Jornal Nacional, no caso das fotos do dinheiro dos aloprados do PT, omitindo pauta.
Cláudia fala que um segundo momento em que a mídia alternativa ganha força é com o surgimento do blog da Petrobrás.
“Onde está se passando o debate sobre a questão da orla? Na mídia alternativa, através da internet.”
“Um problema é como sobreviver. Se fazemos embate com o capital, não vamos ter anúncios da Gerdau e desse tipo de empresa”.
Exemplo da Ditabranda da Folha, que desqualificou quem criticou o editorial. A denúncia dessa atitude da Folha foi na internet.
“Hoje temos âncoras-celebridades, porque eles representam a empresa para a qual eles trabalham.”
“Precisamos desmistificar o conceito de que a mídia corporativa é que tem credibilidade. Os âncoras-artistas são parte desse processo”
“Dizem que a internet é só pedofilia e porcaria, e tiram a credibilidade, criam preconceitos”
“Dizem que blog só tem opinião. Por favor, nos jornais temos opinião desde o título”
“Alguns dos desafios da mídia alternativa são conseguir público, conseguir credibilidade”
“Uma estratégia importante é a troca de links, criando vínculos entre a mídia alternativa na internet, através de afinidades”
“Além da Globo e da Folha, tem o caso do Estadão que também tentou desqualificar a internet, através de peças publicitárias”
Cláudia está explicando o caso do blog da Petrobrás. (procure na nossa ferramenta de busca, temos um post sobre o assunto)
Cláudia; “Como a história não é, mas está sendo, temos condição de transformá-la”
Rosina Duarte, do Boca de Rua, começa sua fala.
Rosina fala dos grupos sociais que são descriminados pela grande mídia.
“Às vezes parece que a mídia são só esses 5 ou 6 grandes grupos, mas existe todo um grupo subterrâneo que defende o direito à comunicação”
Fala de um filme sobre um combatente no Vietnã que vai para a guerra e perde os movimentos nos membros, a visão, a fala e a audição.
Mas continuava com todas as sensações. Até que um dia uma enfermeira percebe que ele batia sempre da mesma forma a cabeça.
Batia a cabeça em código morse, e ele pedia para morrer. Esse filme é uma demonstração: temos que encontrar um meio de comunicar.
“Um exemplo é a época da ditadura. Se não fossem os nanicos, não saberíamos do que aconteceu.”
“Temos que fazer a mesma coisa agora, mostrar o que acontece no nosso tempo, encontrar esse espaço.”
“Precisamos de um jeito de fazer a reforma agrária do espaço de comunicação”
“É basicamente a pauta que diferencia a mídia que propomos, mas também a forma como gerimos essas iniciativas. Caso contrário, estaremos criando uma mídia alternativa, mas não uma mídia livre”
“Precisamos de uma nova forma de relação humana”
“Sou a favor do diploma, mas a comunicação é nossa, é de todos. O jornalista não é o dono da comunicação. Mas as pessoas têm voz, isso não se pode tirar delas”
“O jornalismo hoje é o espelho de 3 ou 4 grupos, os ricos, as celebridades, os excêntricos. Se daqui a cem anos um historiador tentar entender quem é o cidadão de hoje, vai procurar onde? Na mídia oficial, não.”
Rosina segue sua fala, lembrando que não se trabalha a comunicação como algo que pode ajudar a organizar os direitos, o questionamento…Um dos grandes desafios é a aproximação com os movimentos sociais, de forma que eles se conscientizem que a comunicação é fundamental”
“A mídia alternativa não pode apenas ser reativa, tem que ter a ação”
Rosina: “A grande questão é descobrir todo e qualquer nicho e criar algo e, aí sim, se conectar”
“São 3 momentos: criar algo, conseguir sustentar esse algo, e fazer com que isso seja parte de algo maior”
“Eu vou imitar a Cláudia, e encerrar com Paulo Freire. Pouco antes de ele morrer, fiz uma entrevista com ele, e ele me disse uma coisa que fez toda a diferença nesse tempo: ‘Rosina, o mais difícil não e começar. É continuar.”
Leonardo Santos, da rádio comunitária A Voz do Morro, começa sua fala comentando a questão do diploma: “Se for depender de um jornalista responsável para rádio comunitária funcionar, não tem rádio comunitária, porque se desenvolvem estudantes que só querem estagiar na RBS, no Correio do Povo…”
“Uma boa parte das rádios comunitárias que entraram com pedido de legalização não tiveram seu pedido nem analisado. Muitas rádios comerciais estão com as outorgas vencidas. A Atlântida, a Gaúcha, a Rádio da Universidade…e ninguém faz nada.”
“A rádio comunitária já é ilegal pela própria classificação técnica da Anatel. Essas rádios,mesmo legalizadas, são cercadas pela legislação. Tem uma série de mecanismos que impedem as rádios com. de estarem no ar. Isso é usado para atrapalhar o surgimento de novas rádios”.
“Em cidades do interior, as rádios comunitárias chegam a ter 80% de audiência.”
“Uma boa parte das rádios comerciais se utilizam da influência política para aprovar suas rádios no Congresso. Se a gente não tem acesso a nenhum político, NUNCA vamos ter outorga”
“Esses grupos, então, se utilizam dessas rádios para fazer campanhas políticas ou para programação religiosa”
“A compra da Guaíba pela Record é ilegal. Eles podem comprar o equipamento, mas não a outorga, o direito de transmitir”
“A mídia alternativa ainda é muito dispersa. Precisamos unir para conquistar o espaço que as grandes empresas já tem”
“Muita gente que poderia financiar a mídia alternativa acaba financiando grandes empresas, mas acham que ngm ouve rádios comunitárias, acham q ngm lê jornais independentes. Aí financiam a imprensa que ataca eles próprios, como é o caso dos professores”
Leonardo está acabando. Aí vamos para as questões.
“Estamos em um beco sem saída, mas temos que ir juntos até a luzinha no fim do túnel. Temos que fazer comunicação com os instrumentos que temos, e potencializar isso através da integração”
Um senhor do público começa a falar. “Não vejo uma contrapartida daquela parte institucionalizada dos progressistas, que são os partidos”
“Passo o dia todo denunciando a RBS nas minhas charges, e aí vejo o Tarso e o Lula na inauguração do parque gráfico da RBS”
Tempo estourando. O tal senhor do público deu pau e pau no governo, e foi-se o tempo. Tem mais um querendo falar, mas não sei se vai dar tempo. Cláudia falando sobre a Conferência de Comunicação.
Ah, o senhor esse é o Eugênio, das charges que colocamos aqui nos últimos dias. Ah, a internet, que não nos deixa conhecer pessoalmente nem quem colabora com a gente…
Cláudia: “O Lula não é o Chavez, não é o Morales…não vai se portar dessa forma com a imprensa…infelizmente…”
Público fala que não é mídia alternativa, é mídia marginal. Rosina complementa: “no bom sentido da palavra”. Público diz que não reconhece sentido negativo.
Colocações finais, agradecimentos, Leonardo Santos diz que não podemos delegar questões estratégicas para o Hélio Costa, para o inimigo
Claudia fala da Conferência de Comunicação: www.proconferencia.org.br
Aplausos. Acabou.