Posts de Agosto, 2009

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Debatedores criticam cobertura da crise

31 Agosto 2009

2009.08.28 - Debate crise 006.

Por mais que fosse sempre difícil conter os ímpetos participativos do público – infelizmente a falta de tempo não nos permite deixar todos falarem à vontade -, nunca antes sua participação se fez tão fundamental como no debate “O papel da imprensa na crise política do Estado”, realizado sexta-feira. O clima na livraria-café Letras & Cia era o de um bate-papo de bar, com intervenções vindas de todos os lados – e de forma organizada, saliente-se. Sentimos que aquilo era de fato um debate de ideias.

Depois das manifestações de Guilherme Kolling, editor de política do Jornal do Comércio, e de Marco Aurélio Weissheimer, do blog RS Urgente e da agência Carta Maior, os presentes se sentiram à vontade para discutir a mídia e colocar as cartas na mesa. Afinal, o que queremos do jornalismo? E o que temos no jornalismo hoje? Muitas respostas não foram as que gostaríamos: falta tempo, faltam repórteres, o jornalismo hoje é muito declaratório e não diz o que deve dizer. A jornalista Naira Hoffmeister insistiu bastante na afirmação já feita por Guilherme de que o excesso de declarações que o jornalista tem que coletar, de coletivas que tem que frequentar e a escassez de tempo que tem para produzir fazem com que a qualidade da informação diminua – não temos mais tempo nem para ler os documentos. E o leitor não sabe o que está acontecendo.

2009.08.28 - Debate crise 015A conclusão da fala de Guilherme Kolling é de que a cobertura da crise realmente não está boa, principalmente por ser muito superficial. Já Marco Weissheimer conduziu sua crítica mais para os interesses que há por trás de cada matéria e que conduzem a cobertura. Há omissões de informações importantes, e as que são veiculadas vêm de forma distorcida. Os títulos, um deles citado por Marco – “Ação atinge Piratini”, da Zero Hora – dão determinadas conotações à matéria. Para ele, o interesse editorial é de colocar o governo como vítima. O grande problema, para ele, é a falta de transparência dos jornais, que não assumem suas posições ideológicas. Cita dois “mistérios” não solucionados: a morte de Marcelo Cavalcante e o assassinato do sem-terra Elton Brum.

Em muitos momentos, o debate fugiu para temas contíguos, o que não fez com que a discussão perdesse o mérito. Outros temas políticos foram citados em coberturas recentes, se falou no caso do Sarney e a crise do Senado, muito bem conduzidos pela mídia gaúcha para tirar o foco da crise no Piratini. Temas ambientais também foram abordados, mas sempre a partir da ótica dos interesses políticos que os conduzem e que influenciam diretamente no jornalismo praticado. A letargia da imprensa foi muito criticada, sua falta de interesse de fazer um jornalismo de qualidade.

2009.08.28 - Debate crise 007Os blogs foram apontados por Marco como uma forma de pressionar a grande mídia para dar determinada informação, mais do que como uma alternativa de acesso ao leitor. Sua importância maior, segundo o blogueiro, está na influência que é capaz de exercer, porque daí atinge mais gente. O mito da imparcialidade do jornalismo, como em qualquer discussão da área, também foi lembrado e, evidentemente, criticado.

O público não era dos maiores – sexta-feira à noite, há que se relevar -, mas o debate foi altamente qualificado. Esperamos que continue sempre assim. E que quem não puder se fazer presente na livraria, acompanhe sempre por aqui, perguntando, opinando, criticando. Assim, o debate se amplia ainda mais e atinge seus objetivos.

Postado por Cris Rodrigues

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Debate “O papel da imprensa na crise política do Estado”

28 Agosto 2009

Daqui a pouco, a partir das 18h30min, você poderá acompanhar por aqui a cobertura minuto a minuto do debate “O papel da imprensa na crise política do Estado”, promovido pelo Jornalismo B, direto da livraria Letras e Cia, em Porto Alegre.

Os debatedores serão Marco Weissheimer, do blog RS Urgente, e Guilherme Kolling, editor de política do Jornal do Comércio.

Você também já pode enviar suas questões ou comentários por aqui. Antes, durante e depois do debate. As que chegarem a tempo serão, dentro do possível, colocadas para os debatedores.

Vai começar. Apresentei o blog, agora a Cris apresenta os debatedores.

Guilherme Kolling, editor de política do Jornal do Comércio, começa agradecendo o convite e falando da importância da análise de imprensa.

Guilherme diz que a imprensa é um poder que não costuma ser fiscalizado.

“Tenho 3 observações iniciais fazendo a crítica da cobertura da imprensa nesse caso. A primeira é em relação ao jornalismo declaratório, uma prática muito comum.”

“O que sai nos jornais é quem disso o quê. Não tem uma conclusão, uma leitura real dos fatos para o leitor. Às vezes tu lê uma matéria que diz que fulano disse que a mesa é verde, beltrano disse que é amarela. O leitor termina a matéria sem saber a cor da mesa.”

“A cobertura da imprensa não está satisfatória, em primeiro lugar, por causa dessa prática de jornalismo declaratório”

“O noticiário da crise está sendo muito ocupado por questões jurídicas. O caso do deputado José Otávio Germano é um exemplo. O debate fica exlusivamente focado se as gravações não deveriam ter sido feitas com autorização do STF, se a juíza de Santa Maria teria ou não competência para julgar…”

“O desvio do foco do tema central é outro problema”

“Outra questão de desvio de foco é discutir se as ações são ou não midiáticas. Acho, inclusive, que a ação do MP não foi.”

“Poderia se debater se a imprensa espetacularizou a questão, mas não culpar os procuradores.”

“O foco do debate tinha que ser o que aconteceu e o que não aconteceu, um debate de fundo. Ao invés disso, se debatem questões superficiais.”

Marco Weissheimer, do blog RS Urgente, começa sua fala lembrando que é o segundo debate do Jornalismo B do qual participa.

“Falta uma grande narrativa interligando os fatos.”

Cita exemplo de matéria de Moisés Mendes, que fez isso de forma exemplar. Diz que Moisés conseguiu dar uma ideia geral do ambiente. Mas é um exemplo raro.

“Ao mesmo tempo em que há essas exceções, há o padrão geral de cobertura, que é bem diferente. ZH e Correio do Povo fazem uma cobertura diária, mas na linha do morde e assopra.”

“No dia seguinte à entrevista dos procuradores do MP, a manchete de ZH era ‘Ação atinge Piratini’. Tem que tirar o chapéu para a criatividade. Deram conotação de vítima, como um furacão que atinge uma cidade. Se a reportagem tenta morder, os espaços editoriais se encarregam de assoprar. Isso não é por acaso.”

“Grandes empresas de comunicação, como a RBS, têm sua posição política, tem seus interesses econômicos, e tudo isso é legítimo. Mas seria legítimo também que expressassem isso de forma transparente.”

“Há omissões, mistérios e fragmentação”

“Começando pelas omissões, temos que lembrar que o escândalo do Detran teve um braço jornalísitico, quando jornalistas eram comprados.”

“O Detran patrocinava jornadas esportivas. Não há nenhuma prova de que isso tenha relação com o braço midiático do Detran. Também não há evidência de que não tenha.”

“No meio da investigação, veio a público uma carta de Lair Ferst para a governadora. Nessa carta, ele faz menção ao braço midiático do Detran. Cita o José Barrionuevo, por exemplo, e menciona o negócio que existiu, segundo ele, em torno do Pacto pelo Rio Grande. Se não há uma prova concreta, existem indícios importantes.”

“Outro caso de omissão: há jornalistas proibidos de entrar no Piratini desde o início do governo. Ninguém da grande imprensa fala nada. O caso do espião da BM infiltrado como fotógrafo, com crachá falsificado, numa manifestação, também não foi falado.”

“Há uma contrapartida, não especificada em contrato, vinculando campanhas publicitárias à linha editorial dos veículos.”

“Essas são as omissões. Agora, os mistérios. O primeiro é o caso do Marcelo Cavalcante, de quem não se fala mais”

“O segundo mistério, mais recente, é o assassinato do sem-terra Élton Brum. Finalmente, ontem, a brigada disse que descobriu o culpado.”

“A morte do Élton acontece sexta-feira, no início da manhã. Na sexta-feira de tarde eu recebi uma ligação do Adão Paiani. Ele me relatou que um oficial da brigada relatou a ele que quem fez o disparo foi um oficial. O Paiani me falou o seguinte: ‘Eles vão demorar uma semana, não vão dar o nome, e vão atrás de um soldado para assumir o disparo’. Foi exatamente o que aconteceu.”

“Esses são os mistérios. Há ainda a fragmentação.”

“Há uma associação entre o governo atolado em corrupção e a violência com que ele reage contra quem se opõe a isso tudo. Seja essa violência física, e a morte do Élton e a cereja triste desse bolo, como também violência na relação com a imprensa.”

“Há muitos casos de assessores importantes do Piratini fazendo telefonemas para jornalistas, reclamando de reportagens publicadas.”

“Vivemos também um grave problema ambiental aqui no Estado, começando pelas papeleiras. Conversei semana passada com o Paulo Brack, do Consema, e ele contou que antes ainda se procurava manter uma certa aparência. Hoje não há mais nada disso. O governo Yeda criou um negócio chamado ‘Balcão ambiental”, e o nome é auto-explicativo. O licenciamento ambiental virou um cartório.”

“Tudo o que está acontecendo, com ameaças a funcionários da Fepam, ameaças de demissão, parece invisível à população.”

“Há uma ligação muito óbvia entre a corrupção, a violência e a degradação ambiental, e a grande imprensa não faz essa ligação, essa conexão.”

“Como o Guilherme falou, só há preocupação com as questões jurídicas.”

Um homem da platéia comenta a importância dos blogs na cobertura verdadeira das questões do governo Yeda.

Outro pergunta sobre o código ambiental, e Guilherme começa a responder.

“O discuros que temos hoje é ‘não vamos frear o desenvolvimento’, que é um discurso ultrapassado. Se usa de questões pontuais para tratar questões muito maiores. Está pautado nas páginas de economia. Se poderia trazer também o debate ambiental, nas páginas de Geral, mas isso não está acontecendo. Aqui no Rio Grande do Sul quase não tem o debate, e, quando tem, é focado na questão econômica”

Professora da Universidade de Lajeado pergunta se o desmonte da questão ambiental não está ligado ao desmonte político que vivemos.

Marco fala que é o interesse econômico, puro e simples: “Essas empresas são os anunciantes desses jornais. Em parte é a pressão dos anunciantes, em parte são interesses empresariais ativos, no caso da RBS, na área da construção.”

“O que vem acontecendo em SC em termos de desastres ambientais não pode ser desvincluado das mudanças na legislação ambiental que tivemos lá nos últimos anos. No entanto, nesses casos, os editorias do Diário Catarinense e da Zero Hora falavam reiteradamente em armadilhas do clima. O maior retrocesso ambiental da história do país é patrocinado pelo governador Luiz Henrique. A Yeda esteve lá recentemente, conversando com ele, e quer aplicar esse mesmo modelo aqui.”

“Há uma quadrilha no governo do Estado, e essa quadrilha criou um balcão de negócios. Há também uma letargia na população em relação a isso. O tema Sarney, em Brasília, ajudou muito a Yeda. Se dilui, se naturaliza, se diz que é assim mesmo, não adianta, e não se discute mais o assunto. O contato diário que temos com as pessoas mostra que não há uma indignação. As pessoas aqui estão mais indignadas com o Sarney. Se cria um ambiente de desmonte da política e acho que esse é um grande perigo que a gente corre. É um caso de cultura para autoritarismo que é muito perigoso.”

Guilherme diz que a imprensa contribui muito para esse ambiente de letargia.

“Não se tem cobertura das mobilizações que acontecem, das reuniões. Há a letargia, mas em grande parte porque a imprensa não noticia as mobilizações”

Na platéia, a jornalista Naira Hoffmeister fala: “a imprensa tem mania de que cobertura política se faz cobrindo os personagens, e não a política em si, sem se falar dos resultados dessa força. Se cobre um projeto quando ele vai para o plenário. Por alguma razão, se aceita isso.”

“Enquanto tem um cara ouvindo o que cada lado vai falar, não sobra ninguém para fazer uma matéria de fôlego, analisar documentos, tentar ligar os acontecimentos. Tudo isso é um erro de condução. Tem que cobrir só declaração. Podiam reservar uma pessoa que fosse para não fazer isso.”

“Parece que aqui ninguém quer dar furo. Quer dar a matéria que o outro jornal deu. Olha no outro dia e fala ‘ah, que bom, a Zero Hora deu isso e eu também”

Marco cita pautas que seriam fundamentais em relação ao meio ambiente, no sentido de fazer uma cobertura mais profunda, e que não são feitas, pois não se tem interesse em fazê-las.

“O fato de não existirem essas pautas é muito revelador do que vai na cabeça dos editores. O jornalista do Correio Braziliense fez uma série de reportagens sobre o tema dos eucaliptos. Veio aqui, foi no Espírito Santo, em MG… Eu fico imaginando um repórter daqui chegar pro seu editor na Zero Hora e sugerir uma matéria como essa.”

Guilherme fala da questão da pasteurização do noticiário. Aqui e também fora do Estado. Muita matéria de agência.

Luiza Monteiro, estudante de jornalismo da UFRGS, fala da homogeneização das matérias. Diz que não há pluralidade, e o leitor, e mesmo quem analisa a mídia, às vezes não percebe isso, e até critíca quem faz algo diferente.

Naira volta a falar, e defende a especialização mais clara dos repórter como forma de produzir reportagens mais aprofundadas e de qualidade.

Cris pergunta sobre o papel dos blogs na cobertura da crise.

Marco fala de uma amiga dele de Canoas, que ligou pra ele às 8 da manhã e disse para ele olhar no youtube, que já tinha o vídeo de uma agressão de brigadianos a um motorista de ônibus. Alguém filmou toda a agressão com o celular. Marco diz que foi lá na hora e publicou. A Zero Hora foi publicar isso no site ao meio-dia, com outro tipo de texto.

“Já é real e concreta a capacidade dos blogs de forçar, pressionar, e obrigar os grandes veículos a publicar. Se consegue tanta divulgação para alguns fatos, através dos blogs, que não há como os grandes não publicarem.”

“Um grande desafio é conseguir publicar e dar visibilidade para acontecimentos que acabam repercutindo na grande imprensa. Esse tipo de coisa começa a influenciar também os jornalistas dos grandes veículos. O grande desafio, então, é qualificar essa informação, conseguir a informação também.”

Naira critica cartas de leitores, outro senhor da platéia diz que deve haver uma “fábrica de cartas”, e Marco complementa: “Existem agências de publicidade que trabalham com isso há tempo. Não digo que todas as cartas venham disso, mas muitas, sim. Agora estão fazendo a mesma coisa em comentários de blogs, defendendo os interesses dos contratantes como se fossem pessoas comuns.”

Marco: “Esses debates são muito importantes, e também não tem espaço na grande mídia. Fico imaginando o Conversas Cruzadas fazendo um debate sobre o papel da imprensa na crise política do Estado, com uma bancada super plural…com Políbio Braga, Paulo Sant’ana…”

Naira critica a ideia que se aprende nas faculdades de que o jornalismo tem que ser imparcial: “e aí nós, jornalistas, não analisamos nada, não nos posicionamos, ficamos querendo ouvir todos os lados e vira uma matéria declaratória. Ficamos achando que jornalismo objetivo é dar o microfone para o cara falar o que quiser… Se criou a ideia de que o jornalista não pode pensar.”

Marco cita Robert Fisk, um dos grandes jornalistas da atualidade: “Jornalista tem que ter lado”. Diz que Gabriel Garcia Marquez também diz isso, e que todos, absolutamente todos os grandes textos jornalísticos da História tem lado. “O texto jornalístico não é um texto científico. Tem apenas que ser transparente, não imparcial, puramente descritível”

Considerações finais: Guilherme agradece o convite, fala da importância da busca de informações em fatos, não se ficar na questão de dar os dois lados e, no fim, não dizer nada.

Marco agradece e diz que, embora seja cético, tem fé no jornalismo como um discurso que busca a verdade e o interesse público. “Por isso, o jornalismo não pode ser imparcial”

Aplausos, acabou.

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TVs estatais brasileiras têm de rever conceitos

27 Agosto 2009

A TV Cultura de São Paulo interrompeu sua programação ontem, em três momentos, para mostrar o lançamento do canal Univesp TV, que transmitirá programação ligada à Universidade Virtual do Estado de São Paulo. O caso é que a primeira interrupção foi para mostrar a chegada do governador do Estado, José Serra, ao evento. E, pior: outra das interrupções mostrou o discurso de Serra, durante quatro minutos e 11 segundos.

JoseSerraO diretor da TV Cultura, Paulo Markun, defendeu-se afirmando que há relevância suficiente no assunto para haver a transmissão ao vivo. Pois me parece que os critérios de relevância jornalística utilizados nesse caso são bastante duvidosos, ainda mais quando se lembra que a TV Cultura é mantida pelo governo estadual.

O uso político de emissoras estatais não é novidade, mas não deixa de ser vergonhoso e constrangedor. De nada servem essas emissoras quando se prestam a fazer o trabalho de assessoras de imprensa. Quando um canal de TV privada faz esse tipo de papel, já é incrivelmente antiético e tudo o mais. Mas, quando a emissora em questão é mantida direta e oficialmente pelo Estado, ou seja, pela população, a situação torna-se ainda pior. É parte do conceito invertido que a sociedade cultiva de que o Estado tem de ser separado da população, de que a única participação que as pessoas merecem é o voto. Uma TV estatal tem, sim, de trabalhar para os interesses da população, não dos governantes.

O caso do lançamento do Univesp TV é ainda mais grave e gritante por estarmos nos aproximando de período eleitoral e pelo político em questão ser provável candidato à presidência da República. Isso porque, dessa forma, o caso ultrapassa o uso político e chega ao uso eleitoral de uma emissora que deveria se pautar pelo público e não por questões político-partidárias

Vale lembrar que São Paulo não é nem de longe o único lugar do Brasil onde acontece esse tipo de coisa. Aqui no Rio Grande do Sul as posturas da TVE saltam aos olhos e os ferem de vergonha. Apesar dos inúmeros méritos do canal e da grande maioria das pessoas que lá trabalham, a direção da emissora tem adotado postura totalmente chapa-branca em relação às denúncias contra o governo de Yeda Crusius e do PSDB. A cada nova denúncia, a cada novo problema, é para a TVE que Yeda telefona e é para lá que ela se dirige para, em coisas inclassificáveis chamadas de “entrevistas”, ser impulsionada por figuras como Políbio Braga e Rogério Mendelski e discursar lindamente em frente às câmeras.

Há que ser revista a forma como são administradas as TVs estatais no Brasil. Elas são fundamentais, devem ser fortalecidas, e esse fortalecimento passa necessariamente por uma revisão estrutural baseada na ética e no interesse público.

* É amanha, sexta-feira, às 18h30min, o debate “O papel da imprensa na crise política do Estado”, promovido pelo Jornalismo B. Será na livraria Letras e Cia, na avenida Osvaldo Aranha, 444, em Porto Alegre, e estarão presentes Guilherme Kolling, editor de política do Jornal do Comércio, e Marco Weissheimer, do blog RS Urgente. Flávio Ilha, outro debatedor que havia sido confirmado, desistiu de participar. O evento é gratuito, e terá cobertura online ao vivo, aqui mesmo pelo blog.

Postado por Alexandre Haubrich

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Só a Carta Capital enxerga

26 Agosto 2009

Digitalizar0001A cobertura política dessa semana de Cynara Menezes na Carta Capital foi sensacional. Confesso que logo que vi a capa com a ministra Dilma Rousseff e a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira, dei uma desanimada. Achei que o assunto já tinha dado muito mais do que devia dar e que insistir nisso era um erro. Afinal, o assunto não tem o que render, foi criado pela mídia, e a cobertura está péssima. Mas bom, eu tinha um bom trajeto de ônibus pra fazer e resolvi ir lendo.

A matéria é sobre esse imbróglio da Dilma e da Lina, em que cada uma diz uma coisa e a mídia decidiu que quem mente é a ministra, embora quem esteja acusando seja a ex-secretária e ela não tenha apresentado nenhuma prova (a íntegra só na versão impressa). Mas a matéria é também sobre a cobertura da imprensa do caso – como já foi dito aqui e qualquer jornalista sabe, a Carta Capital é a única revista que fala da imprensa. E vai além, busca na história do governo Lula – especialmente desde que Dilma foi assumida como futura candidata a presidente -, toda a cobertura mal intencionada que tem se feito de qualquer caso que envolva a ministra. “Desde que Lula anunciou a intenção de fazer de Dilma Ousseff sua sucessora, não há desfeito nesse País sem que a mídia e a oposição deixem de ver o dedo da ministra metido nele. Coincidência?”. Cynara mostra, prova mesmo, por A mais B, que muita bobagem já foi dita, que a lógica já foi ignorada diversas vezes, que a mídia manipulou as informações e que isso acontece sempre para prejudicar a candidata do PT. Em nenhum momento houve provas ou sequer qualquer indício de que Dilma houvesse mentido, prevaricado, roubado, corrompido, qualquer coisa. Mas a mídia nativa está sempre a postos para fortalecer a tese de que Dilma não é uma boa candidata.

O texto flui, é leve, bom mesmo. A impressão que fica – e eu me dei conta quando já estava no fim da reportagem de que estava pensava nisso o tempo todo, desde o início – é de perplexidade, de “como é que ninguém nunca enxergou isso?”. É claro, por mais que alguns tenham enxergado, o que aconteceu é que nunca houve interesse em mostrar tudo isso. É quase um manual do que não fazer em Jornalismo e que vem sendo feito há tanto tempo.

3_sarneyE o mais incrível é que Cynara continua no mesmo tom na matéria seguinte, cujo assunto é outro, mas não está muito distante (a íntegra só na versão impressa). Dessa vez, é sobre a tal crise no Senado. O texto agora é um pouco mais sobre política em si e menos sobre mídia, mas é igualmente bom. Cynara mostra o óbvio, mas um óbvio que não interessa a todo mundo, muito pelo contrário. O principal da matéria é o papel do PSDB nessa função de derrubar Sarney e encrencar o PT. Ela desvenda o acordão do PSDB com o PMDB para livrar a cara de Arthur Virgílio, o líder do PSDB no Senado – que podia ser cassado junto com José Sarney, do PMDB – mas deixando o filho para o PT, ou seja, a responsabilidade por Sarney não ser punido ficou para Aloizio Mercadante, líder do PT na Casa. “Para que o tucanato não ficasse tão mal diante da opinião pública ao recuar após tanto estardalhaço anti-Sarney, fazia parte do entendimento entre o próprio presidente do PSDB e (Renan) Calheiros que o acordo não parecesse um acordo. Ou seja, os tucanos aparentemente continuariam lutando pela moralização do Parlamento e votariam contra Sarney no conselho, já que seus votos não eram necessários”, diz na matéria.  Cynara desvenda o golpe de mestre do PSDB, aquele que a grande mídia não viu. Porque não quis, evidentemente. É genial.

* A Carta Capital dessa semana, aliás, está toda muito boa. Indico também as matérias sobre o MST, de Luiz Antonio Cintra, e sobre cotas e racismo, de Phydia de Athayde. Essas e as outras citadas no post se destacam por mostrar o lado que a grande mídia não mostra dos assuntos, que finge não ver.

* Segundo a Folha online, a Record e a Globo vão ter direitos sobre as Olimpíadas de 2016, que talvez sejam realizadas no Rio de Janeiro. A Globo já perdeu para a rival – que comprou por US$ 60 milhões os direitos sobre os Jogos de Londres, em 2012.

* Gays, lésbicas, simpatizantes e todo o mundo que tiver algum interesse no assunto, está na web um canal de notícias sobre o mundo homossexual. A equipe é composta por pessoas de várias áreas, então tem análises de diversos tipos. E há também uma estudante de Jornalismo das melhores, Carolina Maia, que atualiza com informações recentes. Homomento: notícias e cultura LGBT sem apelação.

Postado por Cris Rodrigues

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Reportagem do Jornal do Brasil respeita moradores dos morros cariocas

25 Agosto 2009

cidade de deusO título deste post não deveria soar novidade. O problema é que soa. Não falo especificamente do Jornal do Brasil, mas da imprensa brasileira em geral, que não costuma pautar-se por este tipo de ação.

Tratar da questão das favelas do Rio de Janeiro é um desafio e tanto. A solução para os problemas enfrentados pelas comunidades que lá estão parece distante. É muito difícil formar juízos sobre quais atitudes são melhores, mas de algo não se deve afastar-se: respeito. O Jornal do Brasil dessa segunda-feira, 24 de agosto, trouxe nas páginas A2 e A3 a reportagem “Duas faces do desafio de ocupar”, dos repórteres Thaila Frade e Mario Hugo Monken (os textos estão disponíveis apenas para assinantes, no site do Jornal do Brasil).

No início do ano, a polícia carioca ocupou a Cidade de Deus e o Morro Dona Marta. No domingo, a Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal fez um concerto na primeira. Ao mesmo tempo, no Dona Marta, a comunidade reclama de câmeras de segurança instaladas pelos policiais militares. A reportagem do JB (nosso xará de sigla) consegue mostrar essa dualidade, essa oposição, e o faz com clareza, responsabilidade e respeito.

dorCom textos sóbrios, claros e simples, Thaila (sobre a Cidade de Deus) e Mario (sobre o Morro Dona Marta) fazem retratos distintos de como as comunidades estão recebendo a presença do Estado depois de tanto tempo sob governos paralelos. Com isso, conseguem mostrar que tipo de ação governamental funciona e que tipo não funciona.

Nas matérias, não há preconceitos, criminalizações, críticas ou defesas políticas, antecipações eleitorais. Se fala de pessoas e de comunidades, apenas. É a humanização da pauta. Mesmo um tema tão delicado fica simples quando se faz matérias honestas e preocupadas com as pessoas.

* É nessa sexta-feira, 28 de agosto, às 18h30min, o próximo debate do Jornalismo B. O tema será “A cobertura da imprensa na crise política do Estado”, e o debate acontecerá na livraria Letras e Cia, na avenida Osvaldo Aranha, 444, em Porto Alegre. O twitter do Jornalismo B continua com problemas, então a cobertura via internet possivelmente será feita apenas através do blog. Pedimos aos nossos amigos twitteiros que avisem o pessoal de lá que, para quem não comparecer, a única forma de acompanhar será por aqui.

Postado por Alexandre Haubrich

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RBS e o Pontal do Estaleiro

24 Agosto 2009

Ontem houve uma consulta pública em Porto Alegre para escolher entre dois projetos quase igualmente prejudiciais para a orla do Guaíba. Não sabia? Pois é, nem a RBS. A coisa é absurdamente confusa, cheia de idas e vindas. Uma confusão dessas merecia um espaço grande na imprensa, já que não é simples de ser explicada. Várias matérias, um bom tempo na TV, espaço nos jornais… Não viu nada disso? É porque a RBS descobriu sábado que haveria essa consulta, e deu uma matéria simples no Jornal do Almoço. Não vou falar das (poucas) matérias que apareceram depois da consulta. Preferi me ater aos momentos anteriores, em que a imprensa deveria informar a população do que aconteceria.

Uma matéria de cerca de três minutos, como qualquer outra. Simples, como não o é o tema. Superficial, como não poderia deixar de ser diante de tão pouco tempo. Faltaram diversas explicações. Assim foi a matéria do Jornal do Almoço de sábado. E assim foram as poucas matérias que trataram do tema. Nessa, especificamente, foram entrevistadas duas fontes, uma defendendo o “Sim” e outra defendendo o “Não”. Ambas fracas, não souberam desenvolver o assunto. Falta de habilidade da repórter Cristine Gallisa e de discernimento para escolher as pessoas do produtor.

maquetepontal2Os antecedentes da história, como a compra polêmica da área, e os lucros que a permissão de construção de residências na área do Pontal do Estaleiro trariam para a empresa que a comprou, não foram nem abordadas. A questão ambiental foi citada por uns cinco segundos. A privatização do espaço e da vista do Guaíba não foi nem mencionada. Já os lados positivos da construção e as maquetes eletrônicas, obviamente muito bonitas, porque tentam justamente vender a ideia, foram amplamente mostrados. Enquanto os lados negativos ficaram restritos àqueles segundos que eu acabei de falar, os lados positivos tiveram um tempo grande do off, que citou as áreas públicas do projeto, a segurança que ele traria para a região e os sistemas de prevenção de impactos ambientais, entre outras supostas vantagens.

nao-ao-projeto-pontalA matéria existiu porque a RBS não podia ignorar completamente. Mas ela seguiu a mesma linha de vantagens que a RBS vê em ignorar o fato. Ela defendeu o “Sim” (mesmo sem mostrar a qual pergunta o eleitor responderia), o lado da empresa, que já até perdeu parte do interesse na área de tantas idas e vindas que o projeto teve e que a emissora não mostrou para o cidadão, já há meses. Não falar na Consulta Popular segue essa linha, de não discutir a cidade, de não aceitar soluções coletivas, voltadas para a população. As únicas manifestações que se via pela cidade na última semana eram dos movimentos ambientais e de defesa da cidade, que conclamavam pelo voto no “Não”, mesmo ressalvando que ele não serviria mais para muita coisa. Uma eleição fajuta, cujo único objetivo era valorizar o governo Fogaça por supostamente ouvir a população, mesmo que o que a população dissesse não servisse para nada.

E foi isso que a matéria do Jornal do Almoço fez. Mostrou como a Prefeitura de Porto Alegre foi legal ao convocar a população para votar em um projeto que a gente sabe que não vai influenciar diretamente em nada. A ideia principal vem sendo cumprida, que é não discutir a função pública da orla do Guaíba e não discutir a cidade como um todo, favorecendo, assim, as grandes empresas de construção.

* Como sempre que trata do MST, a cobertura da Zero Hora sobre a morte do integrante do movimento Elton Brum da Silva pela Brigada Militar foi vergonhosa. Assinada por Humberto Trezzi, a principal matéria sobre o assunto foi publicada na edição de sábado, e basta ver o título para entender do que eu falo: “MST ganha seu mártir”. Uma completa inversão da notícia.

Postado por Cris Rodrigues

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Debate: a imprensa e a crise no RS

21 Agosto 2009

Cartaz crise RS

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O tratamento que os assuntos merecem

20 Agosto 2009

Esse é mais um artigo da colaboradora Luiza Monteiro.

A Época nunca foi uma publicação que me chamou o interesse de forma particular, mas nos últimos tempos ela tem me rendido surpresas agradáveis que merecem destaque. Uma delas foi a matéria sobre adoção na edição anterior, e outra veio agora, com um “Especial Educação” composto de diversas reportagens.

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Agora, o assunto da educação pública deficitária no Brasil não é novidade e, apesar de a discussão ser relevante e necessária, é bem raro ver uma matéria com conteúdo verdadeiramente interessante a respeito. A matéria A Escola Que os Jovens Merecem (disponível no site da Época apenas para assinantes) refresca o formato e a maneira de trabalhar o conteúdo.
Cinco alunos de escolas públicas de todo o Brasil prestam depoimento, na forma de diário, sobre seu cotidiano escolar, os dramas e pressões. A partir disso é que se tecem panoramas  sobre questões essenciais como a evasão escolar, o vestibular, as dificuldades de comunicação entre aluno e professor, o medo da deriva após o fim do ensino médio, a ausência de infraestrutura e a defasagem entre os ensinos público e privado no país. Essa abordagem, de construção de um quadro social a partir da base- das pessoas que vivenciam as situações descritas na pele- e não a partir do topo- especialistas e tecnólogos- é uma das mais interessantes que se produz dentro do jornalismo como um todo, e creio ser uma na qual o jornalismo impresso tenha certa vantagem sobre as outras mídias (como nunca trabalhei com rádio ou TV, fique claro que falo aqui de um ponto de vista observador e amador).

As fotografias são lindas e merecem comentário à parte, porque amplificam (ainda mais) a rede social de alunos envolvida no trabalho e as conexões entre eles. A partir dos diários elaborados pelos cinco estudantes e que foram base para a matéria, foi pedido que um grupo de grafiteiros alunos de outro colégio público elaborassem, para cada relato, uma obra. Essas obras foram então fotografadas e receberam um belíssimo tratamento de cor que deixou as cercanias em preto-e-branco, valorizando o desenho. Ouso dizer que é uma das iniciativas mais interessantes que vi em fotografia para veículos de mídia nos últimos tempos.

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É o tipo de linha de trabalho que não é para qualquer um. Exige uma inversão da lógica tradicional. Exige sensibilidade para evitar a superexploração ou julgamento da figura do povo. Exige um voto de confiança no público, a crença de que o leitor não quer só saber de gente célebre e renomada. E exige, claro, alguma liberdade editorial e um espaço razoável para publicação, porque é um trabalho que envolve muitas pessoas que merecem, cada uma, um pouco de divulgação de sua voz. Infelizmente, os veículos que tradicionalmente possuem recursos para investir em abordagens mais humana em suas reportagens raramente o fazem. As últimas duas edições da Época que eu acompanhei tem me chamado a atenção por darem uma bela refrescada nesse sentido, mas ainda é cedo pra celebrar demais.

Vamos ver se isso vai dar em alguma coisa, e esperar que no futuro cada vez mais as matérias - e as pessoas por trás delas – possam receber o tratamento que merecem.

Luiza Monteiro é estudante de Jornalismo da UFRGS.

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Artimanhas para 2010

19 Agosto 2009

Principais assuntos em pauta no dia: depoimento da ex-secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira, e a acusação à ministra Dilma Rousseff; o arquivamento das acusações contra José Sarney; ea saída de Marina Silva do PT, muito provavelmente para se tornar candidata à presidência pelo PV. Embora não pareça, os assuntos estão bastante entrelaçados na mídia, pois todos giram em torno das eleições de 2010.

FolhaBem, não giram diretamente em torno, mas na imprensa, sim. Vejamos primeiro o principal assunto do dia. A manchete da Folha on line hoje à noite é “Apoio a Sarney abre racha na bancada do PT no Senado”. No Estadão, “Apoio a Sarney no Senado, a mando de Lula, abre racha no PT”. Quer dizer, a notícia não é o arquivamento, mas o enfraquecimento do PT, de Lula, de Dilma. Essas coisas todas não lembram 2010? Ainda mais do jeito que são tratadas, com palavras como “racha” ou expressões como “a mando de”.

O segundo assunto – não sei se o segundo em importância, mas só para ordenar – é a saída da ex-ministra de Meio Ambiente Marina Silva do PT. Apesar de Marina ter saído em paz do partido, o texto do Estadão é intitulado “Berzoini não pedirá mandato de Marina”, como se eles houvessem brigado, como se fosse algo traumático. A Folha vai pelo mesmo caminho: “Presidente do PT descarta pedir o mandato da senadora Marina Silva” e diz na linha de apoio, ainda na capa do site, que Marina justificou a saída do partido por “falta de condições políticas”. Por que não dizer na capa que Marina saiu para se candidatar pelo PV e contextualizar decentemente a situação? Marina não saiu do PT por briga, mas por uma opção política.

marinasilvaEsse assunto já vem sendo tratado pela imprensa há alguns dias, desde que se ficou sabendo que o PV demonstrou interesse na senadora. Mino Carta já disse na Carta Capital dessa semana: não podemos nos enganar, por mais que Marina Silva muito honrasse o Brasil como presidente, a mídia a apoia para incentivar um racha na esquerda, para favorecer o tucanato. A candidatura da ex-ministra do Meio Ambiente enfraquece Dilma Rousseff e também Heloísa Helena. Mas, na verdade, da candidata do PSOL ninguém tem falado, porque de qualquer forma ela não é uma candidata provável de se eleger. O mais importante, para a grande mídia, é que Marina roubaria os votos da ala mais à esquerda que seriam de Dilma. Marina Silva tem sido bem tratada na Globo – inclusive na GloboNews, feroz opositora de Dilma -, na Folha de São Paulo, no Estado de São Paulo. Os motivos não são sua carreira política idônea ou sua origem humilde – que tanto costuma desagradar esses veículos -, mas a capacidade que sua candidatura tem de fortalecer a de José Serra.

O último assunto também envolve Dilma, mas mais diretamente. Esse já deveria ter sido tratado por aqui, porque o auge da história já passou há alguns dias. Foi logo que ela surgiu, quando o Estadão deu editorial para o caso, ainda no dia 11, assumindo como verdadeira a história contada por Lina Maria Vieira, acusando Dilma de ter tentado pressioná-la para encerrar a fiscalização contra Fernando Sarney, filho do presidente do Senado. Ontem foi o depoimento da tal ex-secretária, que ninguém nunca tinha visto, mas que logo foi tida como a detentora da verdade, para Folha, Estadão e companhia, mesmo sem ter provas. Dilma tornou-se mentirosa, ainda que essa palavra não seja usada diretamente. Mas essa hipótese foi amplamente levantada. A de o caso todo ser uma estratégia da oposição não é nem cogitado.

Assuntos aparentemente diferentes, mas que entram juntos na agenda da mídia, por despertarem um mesmo interesse: enfraquecer Lula e a candidatura de Dilma, enfraquecer o PT. E, junto com isso, fortalecer o PSDB de José Serra. Já que não funciona falando só a verdade e fazendo um jornalismo sério, eles inventam formas alternativas de contar uma mesma história. Artimanhas…

Postado por Cris Rodrigues

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Globo x Record – mais um capítulo

18 Agosto 2009

O Repórter Record (a partir DAQUI) do último domingo foi um enorme editorial sobre a guerra Record x Globo. Com apresentação de Marcos Hummel, o programa passou uma hora fazendo a defesa da Rede Record e de Edir Macedo. Defendeu também atacando, e com bastante força.

A primeira parte foi uma grande reportagem tentando tirar a credibilidade do promotor que acusa Edir Macedo, a Igreja Universal e a Record, ao mesmo tempo em que buscou-se esmigalhar a credibilidade da Rede Globo. Enquanto imagens de Roberto Marinho cumprimentando militares da ditadura eram exibidas, o locutor perguntava em off: “A quem o promotor promove? Quais são as suas conexões?” A reportagem lembra que o principal promotor do caso, Roberto Porto, foi punido pelo Ministério Público, em 2003, por beneficiar a Globo.

globo-record1Em novembro de 2003, a Globo fez uma entrevista exclusiva com o traficante Fernandinho Beira-mar, numa penitenciária de segurança máxima. Segundo a reportagem, quem fez a entrevista foram dois promotores, um deles Roberto Porto. Os promotores estavam em missão oficial, tendo dito à direção do presídio que as gravações seriam para uma investigação, para ficarem nos arquivos do MP. A entrevista acabou divulgada em seguida, apenas na Globo. Roberto Porto e seu colega alegaram que as imagens foram para a Globo por engano.

Em seguida a mostrar esse caso, o Repórter Record apresentou quatro minutos de uma entrevista com Porto. Uma entrevista completamente inútil, em que ele não disse nada. Pura encheção de linguiça. Pareceu que queriam fazer um Repórter Record sobre o assunto, mas precisavam encher uma hora. Aí, além das coisas importantes, houve a necessidade de colocar algumas bobagens para completar o tempo.

Na mesma levada de descaracterizar a denúncia através da descaracterização do promotor, o programa narrou uma suposta proximidade de Roberto Porto com a juíza titular da vara que está tratando do caso, mesmo que não seja ela quem esteja trabalhando nesse assunto.

recordDepois de trabalhar na desconstrução da imagem do promotor, é a vez da Rede Globo. O programa passou a enfileirar os casos em que a empresa dos Marinho foi denunciada e é suspeita das mais diversas falcatruas. Falou de um terreno do governo do Estado de São Paulo cedido de forma ilegal a Globo, do caso do Papa-Tudo, da compra do Projac – quando a Globo pediu emprestado R$ 40 milhões aos cofres públicos, o que é ilegal, foi vetado pelos técnicos do banco e, ainda assim, aceito pela Caixa Econômica.

Em seguida, hora de escancarar mais manobras políticas da Rede Globo, através das ligações da Vênus Platinada com o regime militar, com a ditadura. “O império das comunicações de Roberto Marinho é construído com o apoio da ditadura”, diz o off, antes de entrar uma entrevista com o ministro das comunicações do general Geisel, que conta como Roberto Marinho usou sua influência e amizade com os militares para conseguir mais emissoras do que o permitido.

globoPor fim, uma grande entrevista com Edir Macedo. A expectativa para o que ele vai dizer é preparada no tele-espectador desde as imagens de bastidor, a preparação da repórter, a chegada dela ao templo onde a entrevista vai ocorrer. Como era óbvio, as perguntas são levantadas de bola para que o chefão, o grande representante de deus, se explique para sua audiência e para seus seguidores.

O Repórter Record mostrou mais uma vez a agressividade com que a Record está tratando e vai tratar até o final o assunto. Não vai baixar a cabeça para a Globo, e isso me parece ótimo. Como já disse em outro post, nenhuma das duas é flor que se cheire. As falcatruas de lado a lado serem expostas por quem tem um alcance como ambas têm é tudo o que as vozes contrárias a elas precisam para ganhar força e, com isso, a sociedade ganhar em informação.

*A conta do Jornalismo B no twitter foi suspensa pelo servidor, mas já estamos tomando as providências para resolver o problema. Pedimos a nossos leitores twitteiros que nos ajudem a divulgar por lá que logo voltaremos.

* O próximo debate do Jornalismo B será no dia 28 de agosto, às 18h30min, na livraria Letras e Cia, em Porto Alegre. Ainda essa semana, mais informações. Aguardem!

Postado por Alexandre Haubrich