Foi rejeitado na tarde desta quarta-feira, em votação na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, projeto dos vereadores Fernanda Melchionna e Pedro Ruas, do PSOL, para trocar o nome da Avenida Castelo Branco, na entrada da capital gaúcha, por Avenida da Legalidade. A ideia era substituir a homenagem a um dos ditadores militares que assombraram o Brasil durante duas décadas pela lembrança de um episódio de luta em defesa da democracia. A maioria dos vereadores preferiu manter-se ao lado da Ditadura.
Em sua fala como líder do PP na Câmara, o vereador João Dib usou enquete da Rádio Gaúcha para afirmar que 80% da população de Porto Alegre era contrária à mudança. Esqueceu de dizer que a pesquisa não é oficial, não possui caráter plebiscitário e não é verdadeiramente representativa da opinião da sociedade porto-alegrense. Mas não é sem motivo a utilização de enquete promovida pelo Grupo RBS, que, como dissemos aqui recentemente, engordou fartamente durante a Ditadura Civil-Militar. O Grupo RBS se mostrou, em suas coberturas de rádio, TV e jornal, sempre contrário à mudança. Afinal de contas, como poderia renegar os governos que o fizeram crescer?
A cobertura de rádio e TV foi farta de debates, sempre mediados por jornalistas comprometidos com a defesa do nome de Castelo Branco, e o principal veículo do Grupo, o jornal Zero Hora, publicou apenas uma matéria sobre o assunto, assinada por Juliana Bublitz.
A reportagem, publicada na edição da última sexta-feira (9/12), possui a subjetividade costumaz de defesa cínica dos interesses dos setores mais conservadores e reacionários da sociedade gaúcha. A matéria ocupa uma página inteira, e o único momento em que aparece a palavra “ditadura” no texto principal é entre aspas, em citação da condenação da Corte Interamericana dos Direitos Humanos ao Brasil por não punir ou investigar os crimes cometidos pelo Estado no período ditatorial. No restante do texto, de dez parágrafos, uma vez é utilizada a expressão “regime militar” e uma vez é usado “anos de chumbo”. Ditadura, nada. Só eufemismos.
Ainda no texto principal, uma fala de Pedro Ruas, diretamente envolvido no debate. E mais duas citações: uma delas, do historiador Sérgio da Costa Franco, atua para deslegitimar a questão (“os vereadores poderiam se ocupar de assuntos mais importantes”). A outra é espantosa: Zero Hora resolveu entrevistar um general da reserva, “natural de Pelotas e vice-presidente do Clube Militar, no Rio de Janeiro”. Não se sabe qual o interesse público na opinião de um militar de pijama nascido em Pelotas e lotado no Rio de Janeiro a respeito de uma rua de Porto Alegre.
Há ainda, na única cobertura de Zero Hora sobre o tema, um quadro tentando demonstrar como mudanças em nomes de ruas não servem para nada (“Não pegou” é o título do quadro), e uma entrevista com a vereadora Fernanda Melchionna. A entrevista é composta por quatro perguntas, sendo que uma pode ser considerada “neutra”, enquanto as outras três trazem um claro e incisivo tom de ataque ao projeto.
Caso Zero Hora resolvesse fazer uma cobertura séria, falaria da importância do simbolismo para a percepção de uma sociedade sobre si mesma, e sobre como o entendimento sobre a própria história ajuda a construir os caminhos à frente. Admitiria que é justamente nos símbolos – em suas mais diversas formas, incluindo aí a própria mídia e suas intencionalidades – que se baseiam as opiniões dos indivíduos, e é nessa dinâmica que a sociedade faz suas escolhas. O problema, para o Grupo RBS, é que a escolha democrática, a opção pela democracia real, necessariamente inclui a recuperação histórica e a construção de uma mídia plural, democrática e horizontal. A alienação interessa aos opressores, e apenas a eles.
*A lista de votação do projeto:
A favor da mudança:
Luciano Marcantônio (PDT)
Toni Proença (PPL)
Airto Ferronato (PSB)
Pedro Ruas (PSOL)
Fernanda Melchionna (PSOL)
Adeli Sell (PT)
Aldacir Oliboni (PT)
Engenheiro Comassetto (PT)
Maria Celeste (PT)
Mauro Pinheiro (PT)
Sofia Cavedon (PT)
DJ Cassiá (PTB)
Contra a mudança:
Reginaldo Pujol (DEM)
Dr. Raul Torelly (PMDB)
Haroldo de Souza (PMDB)
Professor Garcia (PMDB)
Sebastião Melo (PMDB)
Beto Moesch (PP)
João Antônio Dib (PP)
João Carlos Nedel (PP)
Paulinho Rubem Berta (PPS)
Waldir Canal (PRB)
Nelcir Tessaro (PSD)
Tarciso Flecha Negra (PSD)
Luiz Braz (PSDB)
Mario Manfro (PSDB)
Elói Guimarães (PTB)
Nilo Santos (PTB)
Abstenções:
Mário Fraga (PDT)
Idenir Cecchim (PMDB)
Elias Vidal (PPS)
Carlos Todeschini (PT)
Alceu Brasinha (PTB)
Ausentes:
Dr. Thiago Duarte (PDT)
Mauro Zacher (PDT)
Bernardino Vendruscolo (PSD)
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Tags:#desarquivandoBR, Castelo Branco, ditadura militar, Fernanda Melchionna, Grupo RBS, João Dib, Legalidade, Pedro Ruas, Porto Alegre, PP, PSOL, Rádio Gaúcha, tortura, Zero Hora








Não é nenhuma novdade,pq naqueles programas da rbs são sempre os mesmos reacionários que participam…é só olhar os nomes, são sempre os mesmos…é piada…
Tarefa aos pichadores de plantão,
escrevam nas placas da av Castelo Branco (AVENIDA DA LEGALIDADE;)
Estranho,
Eu li a matéria e não concordo coma tua inerpretação.
Sobre o “militar de pijamas, pergunto: já ouviu falar de um tal “Clube Militar” e o papel que essa gente teve na ditadura?
Essa postura Talibã, que flerta com um dogmatismo religioso como visão de mundo, dá medo. Muito medo.
Quando foi para o monopólio da Azenha tentar mudar o nome da Av.Ipiranga para Mauricio S.Sobrinho ai pode…falta vergonha e grandeza para esta bancada de saudosos da ditadura que permaneceram esta homenagem espúria!
Sim, sim, agora a culpa é da Zero Hora. Francamente….
É só uma coisa não dar certo para começarem a se sentir perseguidos, ou é culpa da RBS, da Veja, da Folha,dos Tucanos, da bruxa do 71…Me poupe,né.
Tarefa aos pichadores ???? É assim que se fazem valer das suas ideologias, destruindo o patrimônio público?